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Ricardo Feltrin

REPORTAGEM

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"5G vai beneficiar e baratear a TV ao vivo", diz diretor da Huawei

 Tiago Fontes, diretor de marketing estratégico da Huawei Brasil - Divulgação
Tiago Fontes, diretor de marketing estratégico da Huawei Brasil Imagem: Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

06/04/2021 00h09

Resumo da notícia

  • Sistema vai multiplicar velocidade e qualidade de conexão
  • Benefício não vai alcançar só celulares, mas também TVs
  • Transmissões ao vivo serão feitas por celulares, diz executivo
  • Alguns jogos da NBA já estão sendo feitos com tecnologia 5G

A partir de julho do ano que vem, a vida digital dos brasileiros vai começar a mudar, e para melhor: é quando o sistema 5G começa a ser implantado nas capitais do país, segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

O 5G é a próxima geração de internet móvel e vai multiplicar a qualidade de conexão, bem como sua velocidade.

Grosso modo, a implantação do 5G está para o sistema atual como a banda larga esteve para a conexão discada no início dos anos 2000.

A tecnologia também vai abrir um novo mundo digital, que é o da chamada "internet das coisas" —quando utensílios domésticos, objetos e carros, por exemplo, estarão em conexão com seus donos e/ou fabricantes. A "internet das coisas" vai permitir, entre outras coisas, os carros autônomos.

Mas, não só isso: ela também vai "revolucionar" as transmissões de TV (aberta ou paga) ao vivo, e reduzir absurdamente o custo dessas transmissões.

Quem conta isso é o diretor de marketing estratégico da Huawei, Tiago Fontes, nessa entrevista exclusiva à coluna.

A companhia —chinesa— é a maior do mundo nessa tecnologia e já está presente em mais da metade dos sistemas atuais de 3G, 4G e 4.5G.

A Huawei —pronuncia-se Uáuei—está no "olho do furacão" em países com os EUA, onde alguns políticos querem impedi-la de atuar nesse novo sistema por temer, supostamente "espionagem".

No Brasil, a Huawei chegou a ser ameaçada verbalmente pelo presidente Jair Bolsonaro, alinhado com o então presidente Donald Trump. No entanto, tudo acabou não passando de bravata. A empresa está apta a continuar operando no país. Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Qual a participação da Huawei no sistema 3G e 4G atual no Brasil? Qual a porcentagem da empresa nesse sistema?

Tiago Fontes - Atualmente, a Huawei está presente em mais da metade das redes 3G, 4G e 4.5G no Brasil. Além das redes móveis, já suportamos mais de 100 mil Km de fibras ópticas no Brasil. Hoje, em torno de 95% dos acessos à internet devem passar por ao menos 1 equipamento da Huawei no Brasil.

O governo anunciou que o sistema chegará às capitais até julho do ano que vem. Esse prazo é realista?

Tiago Fontes - Segundo as regras propostas pela Anatel, que ainda devem ser aprovadas pelo TCU, as operadoras que vencerem o leilão terão que garantir a utilização da tecnologia 5G em grandes cidades a partir de 31 de julho de 2022. Vale lembrar que a Huawei não participa do leilão - quem participa são as operadoras de telecomunicações, que escolhem quem irão contratar para fornecer a tecnologia. A Huawei tem plena capacidade técnica de cumprir o prazo determinado.

Quando o Brasil todo, inclusive as menores cidades, terão 5G? É possível prever?

Tiago Fontes - Ainda é difícil (prever). O Brasil tem dimensões continentais e muitas cidades ainda não receberam nem a cobertura do 4G por diversos motivos, como a demora de regulamentação. As regras do leilão determinam que as operadoras interessadas terão como contrapartida a exigência de oferecer a cobertura da rede 4G a todos os municípios que ainda não têm esse tipo de conexão.

A Huawei temeu ficar fora dessa disputa, a partir das declarações do presidente Jair Bolsonaro e de seu alinhamento político com o ex-presidente dos EUA Donald Trump?

Tiago Fontes - Não. A Huawei está no Brasil há 23 anos, participou da implementação das redes 2G, 3G, 4G e 4.5G, e sempre acreditou que as decisões sobre as regras para o leilão de tecnologia 5G seguiriam o princípio de livre mercado, o que de fato aconteceu.

É importante esclarecer que a Huawei é uma empresa privada e não se envolve em questões de natureza geopolítica ou relações entre Estados e governantes. Cumprimos integralmente as leis e regulamentações em mais de 170 países onde operamos, e respeitamos a soberania dos governos para tomar decisões em benefício de seus cidadãos.

O sistema 5G poderá beneficiar também as TVs? Se sim, como?

Tiago Fontes - Sim, o 5G vai beneficiar diversas indústrias, entre elas, as de radiodifusão. As coberturas ao vivo, por exemplo, geralmente envolvem o uso de satélites e aluguel de recursos, como cabos, carros de "link" e toda a infraestrutura necessária.

O 5G pode simplificar e acelerar toda essa pré-instalação e a transmissão da imagem pode ser feita pela própria rede da operadora, além de poder ampliar a capacidade de transmissão para vídeos de maiores qualidades como 4K, 8K e até realidade virtual, proporcionando experiências muito mais imersivas.

Se pensarmos nos benefícios que o 4G trouxe para a população, o 5G pode trazer muito mais. Existem diversas aplicações que estão em desenvolvimento para cada player que participa do livre mercado, e que irão contribuir para um menor custo por bit, proporcionando novos modelos de negócios.

Hoje as TVs (abertas ou por assinatura) têm um problema 'insolúvel' chamado "delay". Exemplo: um correspondente da Globo nos EUA demora alguns 'irritantes' segundos para ouvir a pergunta do âncora aqui no Brasil e respondê-la. O 5G vai acabar com isso?

Tiago Fontes - O 5G vai reduzir esse problema consideravelmente com uma velocidade de transmissão de internet até 100 vezes mais rápida do que o 4G.

O fator-chave que explica uma das diferenças mais visíveis entre as gerações 4G e 5G é a baixa latência --o tempo em que cada antena ou ponto da rede leva para processar e repassar dados, essencial para transmissões ao vivo.

Nas redes 4G, a latência é de 50 milissegundos (0,05 s). Já na tecnologia 5G, a latência é 50 vezes menor, levando a transmissões praticamente instantâneas.

Como as TVs (abertas e pagas) poderão utilizar a tecnologia 5G na prática? E os serviços de streaming?

Tiago Fontes - No caso das TVs (abertas e pagas), o setor de comunicação será um dos mais impactados pela tecnologia 5G justamente por depender, muitas vezes, de transmissões ao vivo.

Essas transmissões acontecem hoje por microondas ou satélites, que demandam equipamentos pesados e caros. O 5G reduziria consideravelmente esses custos, pois pode oferecer um material menor e mais leve, e não requer qualquer preparação prévia para gravação.

A NBA, por exemplo, já realizou alguns testes de transmissão em seu aplicativo com conexão 5G utilizando apenas smartphones, dispensando câmeras de TV, conexões via satélite e cabos.

Em relação aos serviços de streaming, os usuários serão beneficiados pelo tempo que levará para baixar determinado conteúdo.

Por exemplo, um filme disponível em uma plataforma que demora cerca de 2 minutos para ser baixado no sistema 4G, passará a ter o 'download' concluído em 3,7 segundos com o 5G.

Isso quer dizer que qualquer transmissão será feita por meio de celulares dos repórteres?

Tiago Fontes - Sim, eles poderão fazer uma transmissão ao vivo pelo próprio celular. Será necessário somente estar conectado a uma rede móvel 5G.

Essa tecnologia "conversa" com os mochilinks (equipamentos portáteis que as TVs usam em algumas transmissões ao vivo)?

Tiago Fontes - Sim.

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