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Ricardo Feltrin

Elton John faz 74 anos; veja curiosidades (e loucuras) sobre esse gênio

"Sir" Elton John, 74 anos hoje - Reprodução / Internet
"Sir" Elton John, 74 anos hoje
Imagem: Reprodução / Internet
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

25/03/2021 00h27

Hoje é aniversário de Reginald Kenneth Dwight. Ele completa 74 anos contra todas as probabilidades, pois teve uma vida bem louca.

"Reg" chafurdou nas drogas, na bebida e, pior, no sexo desprotegido em plena "era da Aids".

Escapou ainda de um câncer de próstata e de uma infecção por uma bactéria considerada mortal, adquirida na América do Sul, entre outros problemas de saúde sérios. Também escapuliu da falência.

Se você nunca ouviu falar de "Regis" talvez seja melhor usar seu nome artístico, que ele tirou de dois outros artistas de meados do século passado: Elton John.

Números assombrosos

No ranking de maiores vendedores de obras musicais do mundo, em todos os tempos (álbuns e singles), esse londrino da periferia estaria em 7º lugar. Tem algo em torno de 250 milhões em vendas (atrás de Beatles, Michael Jackson, Elvis, Madonna, Led Zeppelin e Rihanna).

Em venda de álbuns está em 8º, com quase 80 milhões —atrás de Beatles, Garth Brooks, Elvis, Led, Eagles, Billy Joel e Michael Jackson), Esses rankings costumam ter algumas variações aqui e acolá, mas independentemente disso são números assombrosos.

São mais de 30 álbuns só em estúdio de Elton, além de seis ao vivo, cerca de 20 coletâneas, cinco trilhas para cinema e ao menos quatro para o teatro musical, além de duetos e outras parcerias.

É um dos artistas que mais músicas teve nas paradas de sucesso dos dois lados do Atlântico, e ao redor do mundo também.

Esse merece o epíteto de lenda viva, senhoras e senhores.

A coluna hoje homenageia esse gênio da música e das artes com um compilado de fatos marcantes, divertidos e tristes de sua vida.

Veja também:

Quem quiser saber mais sobre ele, há ótimos livros biográficos, como o de David Buckley ("Elton John, a Biografia", Companhia Editora Nacional, 384 págs.); ou "Captain Fantastic", de Tom Doyle (ed. Benvirá).

Mas, a sugestão da coluna é que você comece pelas autobiografias, que são duas: "O Amor e a Cura - Sobre Vida, Perdas e o Fim da Aids" (ed. Amarilys, 235 págs.); e "Eu - Elton John", ed. Planeta, 319 págs.

Infância

Elton nasceu no subúrbio de Pinner, na Grande Londres. Sua mãe era uma descompensada, bipolar e lhe causava pavor, mas jamais o agrediu fisicamente, só verbalmente.

Seu pai, Stanley, foi militar e era um trompetista até que bem talentoso. Só que era outro estúpido e grosseirão.

No entanto, foi o pai a causa de Elton se interessar pelo piano, que começou a aprender ainda com 3 anos. Antes da maioridade já trabalhava como músico profissional.

Elton John e Bernie Taupin Oscar tênis - Jennifer Graylock - PA Images/PA Images via Getty Images - Jennifer Graylock - PA Images/PA Images via Getty Images
Elton John e Bernie Taupin
Imagem: Jennifer Graylock - PA Images/PA Images via Getty Images

Uma parceria por acaso

Até os 19 anos ele era um requisitado músico de estúdio ou de palco, tocando para terceiros. Um dia, foi reprovado para mais um trabalho, mas o contratante não quis baixar o moral do garoto: lhe entregou um envelope abarrotado de papéis que um letrista desconhecido lhe havia enviado dos EUA. Quem sabe, disse ele, Regis não poderia se interessar em musicar aquela papelada?

Pois o remetente do envelope era Bernard "Bernie" Taupin. Nascia ali, por acaso, uma das maiores parcerias musicais de todos os tempos. Em 1969, por volta dos 22 anos, ele lançaria "Empty Sky", seu primeiro disco com o novo parceiro.

Já no ano seguinte (1970) ele explodiria mundialmente já com o segundo disco.

"Nasce" Elton John

O segundo disco, batizado apenas com seu nome, explodiu: rádios e TVs do mundo todo não paravam de tocar o single: a belíssima "Your Soung".

Na verdade Elton conta em sua biografia que essa música foi feita uns três anos antes. Foi a primeira que ele e Taupin compuseram juntos. O disco lhe daria a primeira indicação ao Grammy em 71.

Álcool & drogas

Já famoso, Elton não foi viciado em nada ilegal até o início da década de 1970. Só tomava ocasionalmente porres antológicos de vodca com Martini.

Porém, suas atitudes tresloucadas só com essa mistura já eram indício claro de que, se acrescentasse mais química, a coisa iria piorar.

E realmente piorou quando ele foi introduzido à cocaína por John Reid, ex-empresário do Queen que virou seu namorado e que também seria seu "manager" mais tarde.

Por anos Elton diz ter cheirado "toneladas" de cocaína misturadas agora com champanhe e o conhaque francês caríssimo Remy Martin. Ora, ele podia, pois agora era um milionário.

No final da década de 1980, diz, abandonou o vício. Teve uma breve recaída ainda, mas está limpo e sóbrio até hoje, e quando pode ainda frequenta reuniões do AA (Alcoólicos Anônimos) ao redor do mundo.

Sexo desprotegido nos tempos da Aids

Na biografia "O Amor e a Cura" (2013) ele diz não entender como não se contaminou pelo HIV.

Afirma que vários de seus parceiros ocasionais contraíram o vírus e morreram de Aids. Ele fez vários testes ao longo dos anos porque simplesmente não acreditava em sua sorte.

Somente na autobiografia "Eu", de 2019, é que ele conclui o possível motivo dessa benção do destino.

Ao contrário da maioria absoluta dos usuários de cocaína, Elton conta que conseguia ter ereções prolongadas quando estava "cheirado" (cocaína normalmente "brocha").

No entanto, ele era mais um "voyeur" obcecado que um, digamos, praticante "ativo" de sexo. Claro que fazia também, e muito, mas afirma que preferia ficar olhando amigos e garotos de programa transando e apenas se masturbar por horas e horas a fio. Às vezes, por dias (é sério).

Foi provavelmente o 'voyeurismo' que me salvou, diz.

    Richard Gere, Stallone e Lady Di

    Uma das histórias mais fantásticas e hilárias da autobiografia "Eu" é um jantar que Elton e seu marido, o publicitário David Furnish, organizaram por volta de 1996, no "château" do casal em Londres.

    O cantor mandou sua equipe checar quais celebridades conhecidas e amigas que estariam na cidade naquela noite.

    A lista tinha Richard Gere (recém-separado de Cindy Crawford), Sylvester Stallone e a princesa Diana (também recentemente divorciada), entre outros famosos. Todos foram convidados e aceitaram.

    Quando Gere e Lady Di se viram, foi amor à primeira vista. Um ficou "caidinho" pelo outro.

    Elton conta que os dois passaram quase a noite toda sentados perto da lareira, conversando e se olhando, embevecidos. O flerte era descarado.

    Foi quando chegou o rude e bronco Stallone. O intérprete de "Rambo" de cara tentou se engraçar com Lady Di. Ela o cumprimentou educadamente, mas logo voltou a conversar languidamente com Gere (e vice-versa).

    Elton conta que em certo momento notou que Gere foi ao banheiro. Stallone logo foi atrás dele. O cantor sentiu que a coisa iria degringolar para o pugilato porque Stallone estava o tempo todo olhando para o casal e bufando. Estava prestes a explodir de raiva.

    O cantor mandou o marido, Furnish, correr atrás deles para tentar evitar o pior. Ele chegou instantes antes que os dois começassem a trocar porradas no meio de um corredor.

    "Senhores, o jantar está servido. Vamos?", apaziguou. Eles foram, mas Stallone fechou a cara até o final do jantar. Assim que terminou, foi embora sem cumprimentar ninguém e obviamente furioso.

    Furnish e Elton o levaram até a rua, para educadamente esperar o táxi com ele. "Se eu soubesse que o príncipe Charming estaria aqui eu não teria vindo", vociferou ao casal.

    Antes de entrar no carro, com ego machucado, Rambo berrou, despeitado:

    "Seu eu a quisesse mesmo, eu teria conseguido!". Elton e Furnish se despediram com dificuldade para segurar as gargalhadas.

    Elton John, David e os filhos - Reprodução/Morning Mail - Reprodução/Morning Mail
    Elton John, David e os filhos
    Imagem: Reprodução/Morning Mail

    A morte de Gianni Versace

    Durante o funeral do estilista Gianni Versace, 2º melhor amigo de Elton (só atrás de Bernie Taupin), e assassinado em 1997, uma foto ficou famosa.

    Nela o cantor aparece devastado, cabeça baixa e aos prantos, com Lady Di a seu lado. Ela, aparentemente, o está consolando.

    Em sua autobiografia "Eu", ele diz que na verdade a catedral de Milão estava tremendamente abafada, todos estavam com a garganta seca e quase desidratados de tanto chorar. No momento da foto, Diana não o está consolando e sim dizendo a ele: "Jesus, como eu queria uma pastilha (de menta)!"

    Cerca de 45 dias depois ela morreria em um acidente de carro em Paris.

    A aposentadoria

    Em 2017, depois de Elton atravessar mais uma fase com problemas de saúde, Furnish mostrou a ele o "cronograma" escolar dos dois filhos que o casal tem, Elijah (hoje com 8 anos) e Zachary, de 10. Ambos frutos de uma inseminação artificial.

    O companheiro de Elton preparou as datas mais importantes e fundamentais dos meninos, do ensino fundamental até a chegada deles à faculdade.

    Então perguntou: "Quais dessas datas você quer estar presente?"

    Elton respondeu: "Em todas".

    Furnish sentenciou: "Para isso você tem de se aposentar". Elton concordou, mas não antes de fazer a última turnê, que estava em andamento até o início da pandemia.

    Talvez agora termine em 2023, quando ele completar 76 anos. Ou não.

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