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Opinião: A difícil e curiosa vida dos assessores de famosos no Brasil

Assessorias de Neymar e Anitta trabalharam dobrado no Carnaval; não dá para ter dó - AgNews
Assessorias de Neymar e Anitta trabalharam dobrado no Carnaval; não dá para ter dó Imagem: AgNews
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

07/03/2019 06h30

Involuntariamente, tenho acompanhado nos últimos 20 anos não só o mundo da TV e dos famosos, mas também a de seus assessores e porta-vozes. 

Profissão muitas vezes ingrata e injustiçada, o assessor/assessora de celebridades não ganha tão bem quanto se pensa; e alguns são cobrados pelos "patrões" 24 horas por dia sobre notas que saem --e também que não saem-- na imprensa.

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Posso garantir que em alguns casos o profissional não dorme nada bem, porque as celebridades que representam são tão mimadas e egocêntricas, e se envolvem em tantos fatos e factoides, que ele nunca pode nem sequer desligar o celular, whats, mail etc. 

E nem estou dizendo isso em eventos sazonais, como o Carnaval, quando as (boas) assessorias se planejam com meses de antecedência, reforçam seus quadros e triplicam o estoque de cafeína e energéticos.

Por exemplo, nos últimos dias as assessorias de Neymar e Anitta trabalharam em tempo integral e eu sou testemunha. Porem não tenho nem um pingo de dó: é o caminho que escolheram. Mas, que é penoso, é.

Dito isso, vamos às críticas. Há assessores (minoria) que nunca atendem aos jornalistas. Você pode deixar caixa postal, mandar whats ou até um motoboy, que eles simplesmente ignoram os pedidos de entrevista ou de informação.

No entanto, quando sai aquela famigerada notinha não positiva sobre seus contratantes, aí a assessoria têm um acesso repentino de fúria laboral. 

Liga de manhã, manda mensagens, e-mails, às vezes aos berros ou cheios de lamúrias, mágoas e ressentimentos. Quando não tudo ao mesmo tempo.

Queria dizer que compreendo.

Mas, a característica mais curiosa de algumas assessorias é que elas estão se tornando apenas uma espécie de "central de negação".

Seu único objetivo hoje é negar, negar e renegar qualquer informação que não seja do agrado do famoso contratante.

"Mentira", "fakenews", "invenção", declaram.

Pior é que alguns famosos estão usando suas redes sociais de forma tão infantil ou atabalhoada que estão não só complicando as vidas de seus assessores, como as suas próprias. Também muitas vezes postam negativas já atacando os jornalistas, numa clara forma de induzir seus fãs-seguidores a fazer o mesmo. 

"Não teve beijo" (teve); "não teve crise entre atrizes" (teve), "não teve traição" (teve), "não teve chilique" (teve); "o apresentador fulano está satisfeito e garante que continua na emissora X" (pede demissão no dia seguinte e muda para a Y); "não existe suruba em Noronha" (será? Eu não duvido de mais nada).

Não sou louco de dizer que nós jornalistas não cometemos erros ou que "as redes" não inventam coisas. Mas, diria que em 99% das vezes em que algo é verdade e não é positivo sobre um famoso, se procurarmos sua assessoria ela dirá que é mentira. Ok, é parte de seu trabalho.

Na verdade essa máxima vale para quase todas as áreas da imprensa, como política, esporte, economia etc... 

No entanto,  falo pela área de TV e famosos: se a gente depender da palavra de assessores de famosos, não publicaremos mais nada --exceto notas elogiosas à nova campanha publicitária da atriz fulana ou a "brilhante" atuação do ator beltrano na novela.

Muitos assessores e alguns famosos ainda não entenderam, e talvez este texto sirva para relembrar mais uma vez: somos colegas, mas estamos e continuaremos sempre em lados diferentes do balcão.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL