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Katiuscia Canoro desabafa: 'Ganho menos que homem mesmo com papel maior'

Daniel Palomares

De Splash, em São Paulo

18/05/2022 04h00

Katiuscia Canoro é só alegria. A atriz e comediante é uma das estrelas de "Vai Dar Nada", primeiro filme brasileiro da Paramount+ que chega na plataforma hoje.

Na trama, ela dá vida a Suzi, policial que comanda um desmanche de carros roubados para conseguir levar a vida que quer.

Em papo com Splash, porém, o assunto é mais sério. Katiuscia fala abertamente sobre a importância de artistas se posicionarem politicamente e a dificuldade que mulheres enfrentam para brilhar no humor.

Os homens não acham mulher engraçada. Eu ganho menos que um comediante homem, mesmo que meu papel seja maior. É triste.

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Katiuscia Canoro vive policial em "Vai Dar Nada" e desabafa sobre lugar da mulher no humor
Imagem: Fabio Rebelo/Divulgação

Força feminina

Mesmo fora da lei, Katiuscia defende as motivações e meios de Suzi em um Brasil de contradições. "Ela é uma anarquista. Usa o sistema para fazer a vida dela como ela acredita", pontua.

Na trama, apesar de estar no comando dos esquemas, Suzi ainda sofre nas mãos do marido Fernando, um golpista infiel que quase coloca tudo a perder. "Ser mulher é difícil demais", avalia a atriz.

"A mulher é criada para ficar quieta, falar baixo, sentar de perna fechada. Não foi criada para contestar nada. Foi criada para servir e criar pessoas que vão servir a esse sistema", reflete.

No humor, as comediantes também precisam lutar e muito pelo seu espaço. "Faço parte de uma geração que ajudou a abrir o lugar para a mulher. A gente não pode parar. Espero que eu possa influenciar outras mulheres a serem livres para falar, acabarem com a vergonha", diz.

'Você tem que ser assim, usar esse tipo de roupa, se encher de botox, grudar um cílio'. A indústria te vende isso. Eu luto contra essa normatividade. Não vou botar botox. Vou fazer 44 anos, estou cheia de rugas. Não vou botar silicone!

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Katiuscia Canoro em cena de "Vai Dar Nada"
Imagem: Fabio Rebelo/Divulgação

Lugar político

Em ano de eleição, Katiuscia vê com urgência a necessidade do posicionamento político dos artistas. Em suas redes sociais, desde o início da pandemia, ela já compartilhou vídeos ironizado e criticando o atual governo.

"O artista agora nunca foi tão mal visto. Colocaram a gente como um bando de vagabundo que não faz nada. Se eu posso usar minha voz para denunciar alguma coisa, preciso fazer isso. É minha obrigação", defende.

A gente está num retrocesso muito grande, tenho esperança que esse ano as coisas mudem, que a gente consiga tirar esse desgoverno

Em meio a um cenário de intolerância e ódio espalhado por todos os lados, Katiuscia espera que o humor seja mais do que uma válvula de escape: uma forma de contestar e refletir os tempos. Nada de piadas problemáticas ou preconceituosas.

"Eu vou fazer piada com quem mata e não com quem morre. Isso não é brincadeira. Humor é para fazer pensar. Essa é a nossa obrigação como humorista. Quem faz piada racista, misógina não é nem humorista, não entendeu o seu papel", conclui.