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Paulo Vieira: 'Vale a pena lutar pelo Brasil, o país não é todo fascista'

Paulo Vieira é humorista e apresentador - Globo/ Ju Coutinho
Paulo Vieira é humorista e apresentador Imagem: Globo/ Ju Coutinho

Filipe Pavão

De Splash, no Rio

08/05/2022 04h00

Depois do sucesso no "Big Terapia" do BBB 22, Paulo Vieira já tem um novo projeto na TV: o "Avisa Lá Que Eu Vou", que vai ao ar pelo GNT, às terças-feiras, e em versão resumida dentro do "Fantástico", da TV Globo, aos domingos. No projeto, o humorista viaja por dez cidades do interior do Brasil para conhecer moradores e histórias que o país deve conhecer.

Em bate-papo com Splash, Paulo Vieira conta que é o projeto mais diferente que já fez na TV. Até hoje, sua carreira é marcada por esquetes de humor, seja na Record, na época do "Emergente Como a Gente", ou na Globo mais recentemente. Agora, o público pode conhecer o lado mais sensível do artista.

"As pessoas tendem a achar que o comediante faz piada o tempo todo, que é insensível. A comédia exige mesmo um certo nível de cinismo, mas eu tenho um outro lado também, onde a comédia não está acima de tudo. Quero sentar e conversar com as pessoas", reflete.

O programa, inclusive, confirmou o pensamento que Paulo já tinha sobre a falta de representatividade dos que vivem fora das grandes capitais na telinha. Por isso, ao mostrar algumas realidades do interior, o programa dá "alguns tapas na cara" de quem assiste.

O Brasil que você vive não é o país que você mora. É muito diferente a experiência de país que você tem, do que o Brasil é de fato.

Por outro lado, também dá alegria e esperança de dias melhores.

"O programa me faz lembrar por que vale a pena lutar pelo Brasil. O país não é todo fascista, racista, machista, misógino e homofóbico, enfim, a gente fica preso na noção de que o país são apenas essas pessoas. Mas ir ao interior e encontrar o tipo de pessoas que encontrei, reafirma, para mim, o que o Brasil é de fato e que vale a pena lutar por ele", reflete.

Paulo Vieira estreia 'Avisa Lá Que Eu Vou', no GNT - Juliana Coutinho/Globo - Juliana Coutinho/Globo
Paulo Vieira estreia 'Avisa Lá Que Eu Vou', no GNT
Imagem: Juliana Coutinho/Globo

Ao chegar às cidades do interior, Paulo conta que era reconhecido e bem recebido pelas pessoas, mas afirma que não tem fama "estilo Beyoncé" como diria o ex-BBB Luciano.

"Nem sou tão famoso. É um reconhecimento nesse nível: 'quem é ele? Eu já o vi na TV' ou 'quem é esse menino? Já o vi de algum lugar'. A pessoa que é famosa mesmo, ninguém pergunta quem é, já fala: 'oi, Xuxa' ou 'oi, Faustão'", brinca.

Com rotina intensa de viagens que chegavam a 15 horas, ele gravou o programa ao mesmo tempo que estrelava o "Big Terapia" no "BBB 22". "Por gravar o programa durante o 'BBB', tinha muita opinião das pessoas em relação ao reality. Era sempre um primeiro assunto: 'e o BBB? Quem você acha que vai sair?'. Eles me davam muita ideia para zoar os brothers no 'Big Terapia'", completa.

Episódio favorito

Depois do primeiro episódio ser exibido na última semana e apresentar a dinâmica do "Avisa Lá Que Eu Vou", Paulo revela que o segundo é o seu favorito pelas histórias inusitadas que vão ar. No episódio, que será apresentado resumidamente no Fantástico de hoje e no GNT na terça, ele visita Alto Paraíso e conversa com quem cataloga as abduções de Goiás.

"Eles são donos de uma loja chamada 'Abduzidos'. Conversei com eles sobre um caso de uma senhora que engravidou de um extraterrestre. Converso também com uma mulher que fala com animais e sobre o movimento hippie com hippies da época e de hoje", adianta.

Na cidade, ele encontrou até um ex-roteirista da youtuber Kéfera que virou hippie.

"Converso com um cara que ficou conhecido como o 'cagão de Machu Picchu', ele virou notícia internacional porque foi acusado de cagar no Templo do Sol. Por acaso, é um conhecido meu. Encontrei do nada com ele em Alto Paraíso e perguntei: 'o que você está fazendo aqui'. 'virei hippie', disse ele. 'Você não era roteirista da Kefera?'", surpreendeu-se Paulo.

O programa une a ideia do GNT em falar sobre brasilidade e o desejo do pai do humorista em ver o filho realizando entrevistas.

"O grande barato desse programa é o formato dele, a maneira que a gente usa para fazer um programa de viagem e um programa de entrevista... É um mosaico da cidade a partir de pessoas que vivem ali. É onde acontecem as conversas mais profundas", diz.

É melhor entrevistar os anônimos do Brasil ou ex-BBBs?

Para ele, entrevistar os anônimos e conhecer histórias interessantes no interior é bem diferente do trabalho no "Big Terapia". Mesmo assim, ele vê semelhanças, principalmente no discurso dos pipocas, anônimos que entram no BBB, sobre seus sonhos.

"A fé que o Vyni, o Luciano, a Jessi e a Larissa tem de que que as coisas vão melhorar para eles é a mesma fé que a gente encontra no interior do país. A fé é o que move o brasileiro, seja planejando um negocio novo, superando uma dificuldade absurda, ou entrando no BBB", reflete.