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A vez em que o autor de 'Sherlock Holmes' virou detetive na vida real

O escritor escocês Arthur Conan Doyle, criador do detetive Sherlock Holmes, em foto de 1922 - Reuters
O escritor escocês Arthur Conan Doyle, criador do detetive Sherlock Holmes, em foto de 1922 Imagem: Reuters

Colaboração para o UOL, em São Paulo

26/02/2021 20h52

O britânico Sir Arthur Conan Doyle, criador do personagem Sherlock Holmes, até hoje um ícone do romance policial, já chegou a atuar como detetive e quase solucionou um crime na vida real.

A história foi revelada no novo livro da autora de origem indiana Shrabani Basu, intitulado "O Mistério do Advogado Persa" (em tradução livre). Jornalista e escritora, Basu é conhecida pelo livro "Victoria e Abdul: o Confidente da Rainha", que inspirou o filme indicado ao Oscar.

Em 1907, Doyle já era um escritor famoso quando o jovem advogado George Edalji, de 27 anos, lhe escreveu uma carta pedindo sua ajuda.

Edalji, que era de origem indiana e filho de um pastor convertido, afirmava estar preso injustamente. Ele era acusado de mutilar animais em seu vilarejo e escrever cartas com ameaças.

Edalji vivia na cidade inglesa de Great Wyrley, de apenas 11 mil habitantes. Os moradores estavam assustados com ataques misteriosos a seus animais, que ocorriam durante as madrugadas.

O condenado acabou sendo preso, acusado de esfaquear cavalos, ovelhas e vacas durante a noite, além de deixar cartas ameaçadoras. Mas, após sua prisão, os ataques continuaram.

Foi então que Edalji escreveu ao Sir Arthur Conan Doyle, cujos livros lia na prisão. Descrente da polícia e da justiça, Edalji recorreu ao escritor para que tentasse solucionar o caso e inocentá-lo.

Já conhecido na época, o escritor recebia centenas de pedidos de ajuda para investigações. Mas essa particularmente chamou sua atenção.

Primeiro, ele mostrou provas de que Edalji não enxergava bem, o que dificultaria os ataques a animais no meio da noite.

Visitando as cenas dos crimes e entrevistando testemunhas, Doyle percebeu que a polícia tinha sido racista ao prender Edalji e que as investigações continham uma série de erros.

A lama encontrada nas botas de Edalji eram da cor errada e as amostras de sangue e pelo de cavalo encontradas supostamente em suas roupas não batiam com os animais esquartejados.

Graças a uma campanha na imprensa iniciada por Doyle, Edalji foi inocentado e o caso foi levado à corte criminal do país.

Ainda assim, nada foi resolvido. Na época, a polícia se recusou a investigar o suspeito apontado por Doyle: Royden Sharp, um conhecido falsificador de caligrafia, condenado por provocar um incêndio e cortar assentos de trem com faca.