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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Ana Maria Machado: Não existe criança que não goste de livros

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Rodrigo Casarin é jornalista e especialista em Jornalismo Literário. Escrevendo sobre livros, já colaborou com veículos como Valor Econômico, Aventuras na História, Carta Capital, Revista Continente, Suplemento Literário Pernambuco, Jornal Rascunho e Cândido. Integrou o júri do Oceanos ? Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa em 2018, 2019 e 2020 e o júri do Prêmio Jabuti em 2019, na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Colunista do UOL

28/01/2022 04h00

Na 109ª edição do podcast da Página Cinco:

- Papo com Ana Maria Machado, que acaba de lançar "Vestígios" (Alfaguara) e "Rastros e Riscos" (Ática).

- Inscrições abertas para o Prêmio Sesc de 2022.

Destaques do papo com Ana Maria Machado:

Contista x romancista

Nunca tinha pensado em fazer um livro de contos. Acho que não sou uma contista, sou uma romancista. Sempre me achei mais à vontade no romance, que é um tipo de criação que vou escrevendo sem pressa, ao longo de muito tempo... O conto é uma coisa mais concisa, mais direta, e acho que não estava muito à vontade nisso.

Persistência da memória em "Vestígios"

No começo achei que o que tinham em comum eram histórias sobre família, amizade, relação entre as pessoas. Depois fui vendo que não, que o que eles tinham em comum era a persistência da memória, para usar o título de um quadro do Salvador Dalí, mas não é exatamente a persistência da memória. É a consequência de alguma coisa que aconteceu antes. Às vezes são pegadas, são rastros, são vestígios do que aconteceu antes.

Perseguição

Com o tempo, entendi aquilo melhor, como prenúncio de algo que viria depois. Todos os mecanismos estavam ali como estavam em relação ao prêmio Jabuti com meu romance "Infâmia", que um jurado, depois de todo mundo ter votado, me deu zero para derrubar a média. Com o tempo, quando fui ver quem era, vi como tudo tinha a ver com o episódio de "O Menino que Espiava Para Dentro". Era o segundo round de uma mesma coisa... Quero dar o desprezo mais absoluto para isso.

Escrever para adultos ou crianças?

Gosto dos dois. Escrevo porque gosto de escrever, de explorar a língua, a imaginação. São momentos diferentes, atitudes diferentes. É como perguntar: você gosta mais de conversar com o seu filho ou com a sua mãe?... São registros de linguagem diferentes e, por isso, são desafios e atrativos diferentes, mas não tenho preferência por um ou por outro.

Livros e crianças

Aprendi mais com as crianças sendo dona de uma livraria para crianças do que escrevendo para crianças. Aprendi uma coisa importantíssima: não existe criança que não goste de livros, desde que ela possa escolher o livro que ela quer.

O que é fundamental

Tem autores que escreveram maravilhosamente bem para criança sem interagir com criança... Não acho que isso seja fundamental, não. É fundamental interagir com a língua. É fundamental conhecer português. É fundamental ler, saber como se estrutura uma narrativa.

Sem ideia do que as crianças querem ou precisam

Não tenho a menor ideia do que as crianças querem ou do que as crianças precisam. Escrevo porque tenho a ideia de uma situação imaginária interessante, de um desafio bom e um elemento de afeto. Gostaria que alguma criança em que estou pensando na hora de escrever possa crescer um pouco com aquilo, se divertir, se distrair. Mas não por uma necessidade teórica prévia.

Sugestões para que crianças leiam mais?

Não tenho sugestão nenhuma. Não sou educadora. Não sou pedagoga. Não dou palpite na educação de filho alheio, Deus me livre... Eu gosto de literatura, não sou torcedora do Criança Futebol Clube.

O podcast do Página Cinco está disponível no Spotify, na Apple Podcasts, no Deezer, no SoundCloud e no Youtube.

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