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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Livro, vinho, café... Quando assinar um clube vale a pena?

Leandro Karnal e Gabriela Prioli - Danilo Borges
Leandro Karnal e Gabriela Prioli Imagem: Danilo Borges
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Rodrigo Casarin é jornalista e especialista em Jornalismo Literário. Escrevendo sobre livros, já colaborou com veículos como Valor Econômico, Aventuras na História, Carta Capital, Revista Continente, Suplemento Literário Pernambuco, Jornal Rascunho e Cândido. Integrou o júri do Oceanos ? Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa em 2018, 2019 e 2020 e o júri do Prêmio Jabuti em 2019, na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Colunista do UOL

17/05/2021 10h04

Um clube do livro com obras de algum selo da Planeta, parceira na empreitada, escolhidas por Leandro Karnal e Gabriela Prioli. Nele, o participante paga R$587,00 para assistir a lives e ter acesso a certos conteúdos e a alguns outros benefícios.

Vale a pena?

Vira e mexe alguém quer decidir se assina algum clube que envia livros e me faz essa pergunta. Se você é um desses, caiu neste texto e quer uma resposta direta, sinto muito, irei decepcioná-lo.

Já tive mais simpatia pelo formato, mas sigo considerando interessante em algumas situações. Há pouco eu cancelei um clube de vinho do qual fazia parte, assinei um de café e me segurei para não fechar com um de cachaça. E o que isso tem a ver com os livros? Vamos chegar lá.

Vinho foi a última bebida alcoólica pela qual me interessei. Sem saber diferenciar um pinot noir de um tannat, me pareceu uma boa ter alguém responsável por me apresentar rótulos diferentes junto com informações básicas sobre as garrafas da vez e um desconto na compra de outros produtos da loja.

Funcionou bem durante uns dois anos. Até que os vinhos começaram a ficar parecidos demais, como se buscassem variar os rótulos, mas sem mudar muito o perfil da bebida. Junto disso, a empresa passou a trabalhar com uma das práticas de mercado que mais repudio: chutar o preço de tudo que é produto na estratosfera para depois fingir que trabalha com bons descontos. É a mesma prática adotada pelo setor de adega de um mercado de gente "feliz".

Me ajudaram a conhecer um pouco melhor a bebida e também me aprimorei por outras vias, até que ficou claro que o serviço não atendia mais as minhas expectativas. Obrigado e tchau.

Pouco antes vinha pensando em fazer parte do clube dos cachaceiros (como pode alguém achar que é pejorativo chamar o outro de cachaceiro, né!?). O preço é legal, a oferta parece boa e um amigo muito confiável vive falando bem do negócio. Só que tem um problema: mandam duas garrafas por mês, volume consideravelmente maior do que costumo beber. Os rótulos começariam a pulular pela casa ao mesmo tempo em que me inibiriam de comprar outras cachaças por conta própria. Quando gosto de verdade de algo, adoro descobrir meus próprios caminhos no assunto. Freei a ideia.

Já o de café veio como uma salvação. Um clube pequeno, que me permite escolher a cada mês o que quero na minha cesta e entrega grãos de qualidade muito boa a um preço que chega a emocionar a carteira. Posso garantir o do dia a dia com eles para depois me aventurar por um ou outro café mais caro ou diferentão.

Me parece que a lógica que deve sustentar a decisão de alguém assinar ou não um clube é mais ou menos a mesma, independente se o produto ofertado é vinho, cachaça, café ou livro.

As primeiras perguntas a serem respondidas são: você precisa mesmo dar o seu dinheiro para que alguém decida o que irá consumir? Você realmente não consegue tomar as próprias decisões ou confia demais no que a empresa oferece?

Depois disso empilhamos algumas outras. Já deu uma boa olhada no histórico e foi com a cara de produtos de seleções passadas? Você vai dar conta de consumir e eventualmente guardar o que te mandam ou logo aquilo se transformará num estorvo? Viu quais são as condições para cancelar a assinatura caso se decepcione com os serviços? As vantagens oferecidas fazem mesmo sentido para você ou serão benefícios que raramente utilizará?

Outra coisa: esqueça os mimos ou presentinhos que enviam junto com os kits. Normalmente não passam de bugigangas simpáticas que logo são esquecidas em algum canto da casa. Tirar isso da frente ajudará a decidir se vale dar certa grana em troca dos produtos principais de cada mês (ou semana, ou trimestre, sei lá).

Clube do Karnal e da Prioli, TAG, Intrínsecos, Realejo, Leiturinha, Calhamaço, Turista Literário, Pacote de Textos, Tortilla Literária? Então, vale assinar algum desses? Daí você que estude, reflita e decida.

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Errata: o texto foi atualizado
Diferente do informado originalmente, os assinantes do clube do Karnal e da Prioli não recebem os livros lidos e discutidos ao longo do ano.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL