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10 desejos (ou pedidos) para o mercado editorial neste 2021

"A Biblioteca", de Jacob Lawrence - Reprodução
"A Biblioteca", de Jacob Lawrence Imagem: Reprodução
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Rodrigo Casarin é jornalista e especialista em Jornalismo Literário. Escrevendo sobre livros, já colaborou com veículos como Valor Econômico, Aventuras na História, Carta Capital, Revista Continente, Suplemento Literário Pernambuco, Jornal Rascunho e Cândido. Integrou o júri do Oceanos ? Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa em 2018, 2019 e 2020 e o júri do Prêmio Jabuti em 2019, na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Colunista do UOL

14/01/2021 09h34

Listei na semana passada 10 desejos para os leitores neste 2021. Agora olho para o mercado editorial. Deixo aqui uma relação do que gostaria que acontecesse nesse universo ao longo deste ano.

Para 2021, desejo:

1) Se é inevitável a enxurrada de George Orwell, agora em domínio público, que tenhamos muitas edições além de novas traduções de "1984" e "A Revolução dos Bichos" (ou "A Fazenda dos Animais"). Da minha parte, espero por "Homenagem à Catalunha".

2) Vacina para voltarmos a ter festas literárias de verdade, que só acontecem quando há encontros físicos. Caso contrário, que o digital dê conta de manter viva a chance de nos revermos por Paraty, pelo Pelourinho ou pelos pavilhões de bienais.

3) Um mercado editorial que não grite apenas quando o próprio interesse imediato está em jogo e se aproxime de seus pares na cultura para brigar de verdade contra o desmonte do setor.

4) Construção de alternativas contra as grandes concentrações do mercado. Um ambiente dominado por uma gigantesca loja virtual multinacional que vende de tudo e por um ou dois grupos editoriais que se desdobram em dezenas de selos só é bom para essas empresas. A centralização precisa ser revertida com urgência, para o bem do setor.

5) Nesse sentido, torço muito para que as livrarias independentes e pequenas editoras cresçam pra caramba. Que passem a achar tiragens de 3 mil exemplares uma miséria (sim, precisamos voltar a valorizar utopias). Que tenhamos mais, muito mais leitores. Especialmente para a literatura. E mais especialmente ainda para a literatura contemporânea.

6) Que as editoras consigam achar o preço justo dos livros e comunicar isso aos leitores. E que haja uma mudança na percepção de valor do livro.

7) Menos apego à lista de mais vendidos do The New York Times.

8) Menos Estados Unidos e alguns países da Europa sendo usados como mercados norteadores do que vale a pena ser publicado no Brasil. Podemos olhar com nossos próprios olhos para o que há de bom na África, na Ásia e em outros países da América Latina.

9) Maior valorização da produção literária feita em trocentas línguas que existem no mundo além do inglês (alô, editoras, por favor, alguém abrace com carinho a obra da Samanta Schweblin por aqui!).

10) E desejo que haja uma diminuição no marketing sempre um tanto desonesto do melhor escritor ou melhor livro de todos os tempos da última semana. Apesar de fazer bem para a propaganda, o hype é o avesso da literatura.

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