PUBLICIDADE
Topo

Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Como faz o "Profissão Repórter", TV precisa mostrar a gravidade da pandemia

Caco Barcellos em estúdio montado em sua casa em São Paulo - Maurício Fidalgo/TV Globo
Caco Barcellos em estúdio montado em sua casa em São Paulo Imagem: Maurício Fidalgo/TV Globo
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

04/03/2021 16h55

Entre todas as mídias, a que alcança o maior número de pessoas no Brasil ainda é a TV aberta. Por isso, o jornalismo praticado pelas grandes redes de televisão tem um papel tão importante na cobertura da pandemia de coronavírus.

Neste momento em que há um descontrole da covid-19 no país, e os hospitais estão lotados, é ainda maior a responsabilidade da mídia. Como muitos veículos fizeram em alguns períodos de 2020, quando a pandemia atingiu picos, novamente é hora de mostrar de forma crua a gravidade da situação.

Em resposta a quem, como o presidente Jair Bolsonaro, fala em "frescura" e "mimimi" ao se referir a isolamento social e restrições de atividades, cabe ao jornalismo exibir a realidade sem muitos filtros. Mostrar a situação nas UTIs, nas entradas dos hospitais, nas casas das pessoas mais necessitadas, nos cemitérios. É a forma mais eficaz, possivelmente, de sensibilizar o cidadão sobre a necessidade de se proteger.

De volta à grade da Globo há duas semanas, o "Profissão Repórter" está fazendo isso. O primeiro episódio dedicou-se a mostrar a situação da pandemia em Manaus e em São Paulo. Em casa, por precaução, o repórter Caco Barcellos, alma do programa, ensinou à repórter Nathalia Tavolier, que se emocionou ao relatar o que viu em Manaus:

"Nessa hora é importante ter consciência da relevância do nosso trabalho. É importante, sim, mostrar a gravidade desta doença. Eu tenho recebido, inclusive, apelos dos médicos pedindo, sim, para fazer este registro nas ruas, acompanhando de perto o sofrimento das pessoas. Eles acreditam que dessa maneira mais gente pode tomar consciência da importância do distanciamento social, de sair para as ruas de forma consciente, tomando cuidado, usando máscara. Então, a gente tem que seguir em frente, Natalia, sabendo que é muito difícil, mas importante persistir".

No segundo episódio, exibido esta semana, o "Profissão Repórter" tratou da miséria e da fome em São Paulo e no Nordeste. Com imagens duras, o programa quis realçar a importância do auxílio emergencial neste momento. Uma pena que esteja indo ao ar de madrugada. Deveria ser exibido no horário nobre.

Uma versão deste texto foi publicada originalmente na newsletter UOL Vê TV, que é enviada às quintas-feiras por e-mail. Para receber, gratuitamente, é só se cadastrar aqui.

Siga a coluna no Facebook e no Twitter.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL