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Beirute ganha um novo calçadão e atrações exclusivas em área revitalizada

O novo calçadão de Beirute, no Líbano - Bryan Denton/The New York Times
O novo calçadão de Beirute, no Líbano Imagem: Bryan Denton/The New York Times

Rachel B. Doyle

New York Times Syndicate

08/04/2012 07h12

Embora muita gente estivesse caminhando ao longo do novo calçadão de Beirute, o Zaitunay Bay, naquela manhã de janeiro tudo parecia assustadoramente quieto. A capital libanesa não é conhecida por sua tranquilidade - e qualquer passeio a pé é acompanhado por uma cacofonia incessante de buzinas - mas nessa bela marina, projetada abaixo do nível da rua, dava para se ouvir a água batendo nos cascos dos barcos de passeio.

Depois de seis anos, a elegante esplanada finalmente foi inaugurada em dezembro de 2011 e em breve terá 17 restaurantes e sete lojas, num sinal claro da renascença do litoral no centro. "Dez anos atrás, essa área da cidade estava morta", diz Raphael Sabbagha, diretor da construtora responsável pelo projeto.

De fato, durante os quinze anos da guerra civil libanesa, uma parte da costa, bem próxima dali, servia de lixão. Onde antes havia esgoto a céu aberto e uma montanha de lixo, hoje há um belíssimo calçadão de teca, amplos terraços com bancos e caminhos de basalto cinza.

O ambicioso projeto de vinte mil metros quadrados, criado pelo arquiteto Steven Holl, se desenvolveu a partir de um aterro, literalmente. "Tudo isso foi resgatado e reconstruído depois da guerra civil de 1975", explica Farouk Kamal, o outro diretor da empresa. Mostrando um ponto a cerca de 600 metros para dentro da cidade, ele acrescenta: "O mar costumava ficar ali onde está aquela igreja".

As opções disponíveis em Zaitunay Bay são, no mínimo, exclusivas: há um champagne bar, um iate clube e uma joalheria - mas também há atrações para o libanês médio: em dezembro houve um mercado de Natal, com direito a oliveira iluminada e tudo. Há também espetáculos gratuitos e "mercados de pulgas culturais" - como a feira de flores para o Dia das Mães (que no Líbano é em março) e o festival de música no solstício de verão.

"É o renascimento do centro de Beirute", comemora Samir Boubess, dono do Cozmo Cafe (961-136-1650; boubess.com).

Karim Haidar, chef que dirige três restaurantes em Paris, voltou ao Líbano depois de mais de 25 anos para abrir o criativo Zabad (961-137-6620; zabadrestaurant.com), com especialidades nacionais. Seu menu degustação, que inclui nove pratos e sai por 86 mil libras libanesas (ou US$ 59 a 1,453 libra por dólar), começa com uma espuma de grão-de-bico e tahini, passa por um quibe de camarão servido com figos e tâmaras e acaba com uma panqueca doce de pistache e caramelo de mirtilo.

Desde março, os visitantes já poder alugar barcos para navegar as águas azuis do Mediterrâneo no Water Nation Sports Center (961-3204-455; waternation.com). O clube também oferece cursos de mergulho (a partir de US$ 150), de navegação (doze horas por US$ 400) ou 12 sessões de esqui aquático (US$ 400).

O Amarres Bistro & Café Français (961-137-2292; amarresbeirut.com) reproduz o sul da França com pratos bem executados, como o confit de pato (38 mil libras) e o steak tartare com trufas (35 mil libras); de quebra, oferece uma carta de vinhos franceses e libaneses no mínimo interessante.

A estética que reina no Cro Magnon Steakhouse & Bar (961-1371-276; lecromagnon.com) é outra. "A gente queria um lance bem industrial, tipo clima das docas", diz o dono, Joey Ghazal. O restaurante só serve cortes de carne maturada. O filé mignon especial (US$ 48), com osso, deu um toque "homem das cavernas" a um corte que normalmente é delicado. Há um armário de charutos, banquetas de couro e teto abobadado.

A outra opção que Joey Ghazal oferece em Zaitunay Bay é a St. Elmo's Brasserie (961-1367-356; stelmosbrasserie.com), lugar que ele descreveu como tendo "o estilo de um pescador de Boston": "Queria que fosse um lugar onde os marinheiros se reúnem para beber e conhecer garotas", confessa. Porém, com sua decoração elegante e rolinhos de lagosta (30 mil libras), está mais com cara de Martha's Vineyard.

Joey é canadense e trabalhava no ramo da gastronomia em Montreal quando teve a chance de voltar para o Líbano com a família. Além de ser uma oportunidade de negócios, ele considera também uma missão. "É muito inspirador poder voltar às raízes e fazer algo que ajude seu país a progredir."