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Espanha reabre fronteiras para turistas vacinados; Brasil fica de fora

9.jun.2020 - Movimentação em Madri, na Espanha; país reabre suas fronteiras para turistas vacinados contra a covid-19 - NurPhoto via Getty Images
9.jun.2020 - Movimentação em Madri, na Espanha; país reabre suas fronteiras para turistas vacinados contra a covid-19 Imagem: NurPhoto via Getty Images

Por Denise Menchen

Correspondente da RFI Brasil em Madri

07/06/2021 06h48Atualizada em 07/06/2021 06h51

A partir de hoje, a Espanha reabre suas fronteiras a turistas de praticamente todos os países do mundo que tenham sido vacinados contra a covid-19, desde que as vacinas sejam reconhecidas pela União Europeia ou pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e que a última dose tenha sido tomada com, no mínimo, 14 dias de antecedência.

A medida, no entanto, não contempla os viajantes do Brasil. O país, ao lado da África do Sul, é considerado de "especial risco epidemiológico" por causa de variantes potencialmente mais transmissíveis do vírus.

A decisão de permitir a entrada de pessoas imunizadas na Espanha foi anunciada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez em uma feira de turismo realizada em Madri na segunda quinzena de maio. Na ocasião, ele afirmou que a medida valeria para cidadãos de qualquer país, o que gerou falsas expectativas em relação à liberação das viagens de brasileiros.

No entanto, em reunião de ministros no dia 1º de junho, o governo decidiu prorrogar as restrições que já estavam em vigor para o Brasil. Por essas regras, os voos procedentes do país podem transportar apenas cidadãos ou residentes legais da Espanha ou de Andorra, além de passageiros em trânsito que fiquem menos de 24 horas no aeroporto.

A África do Sul sofre restrições semelhantes, enquanto os viajantes da Índia, outro país com alta incidência da doença, podem entrar desde que cumpram uma quarentena ao chegar no país.

Ao flexibilizar as regras para a entrada na Espanha, o governo tenta viabilizar uma retomada do turismo no verão do hemisfério norte, que vai de junho a setembro e responde pela maior parcela do faturamento anual do setor.

Com clima quente, praias exuberantes e uma cultura rica e diversificada, a Espanha é um dos destinos favoritos dos viajantes europeus na temporada. Antes da pandemia, atraía principalmente ingleses, seguidos com certa distância por alemães e franceses.

No entanto, no ano passado, o número de estrangeiros que entraram no país despencou quase 80%. O turismo doméstico também sofreu com as restrições impostas à mobilidade entre as diferentes províncias. O setor, que em 2019 respondera por quase 13% do PIB, viu sua participação reduzida a pouco mais de 4%.

O tombo deixou sua marca, com muitos trabalhadores tendo seus contratos de trabalho suspensos ou encerrados e diversos estabelecimentos fechando as portas. Para este ano, o governo estima que os ingressos no setor se recuperem parcialmente e alcancem 50% dos níveis de 2019.

Para isso, deverá contribuir a criação do chamado Certificado Verde Digital, documento proposto pela Comissão Europeia para restaurar a liberdade de movimentação no bloco.

Com previsão de entrada em vigor em 1º de julho, o passe será emitido gratuitamente e permitirá a inclusão de três tipos de certificados: de vacinação, de resultado de um teste recente de antígenos ou PCR e de superação da covid-19.

Para os residentes de países considerados de risco da União Europeia ou do Espaço Schengen, qualquer desses requisitos é suficiente para a entrada na Espanha.

A volta de cruzeiros

A entrada de cruzeiros internacionais, proibida desde março de 2020, também volta a ser permitida a partir de hoje. Antes da pandemia, o país era o segundo destino mais popular do mundo para essas embarcações.

Além disso, o governo também lançou mão de uma estratégia para tentar retomar o fluxo de visitantes britânicos. O Reino Unido, que graças a seu programa de vacinação tem conseguido reduzir de forma significativa a incidência de covid-19, foi incluído em uma lista com outros nove países não integrantes da União Europeia considerados seguros. Isso significa que as viagens com origem nesses locais podem ocorrer sem restrições, nem mesmo a exigência de um certificado de vacinação.

Os britânicos, aliás, foram o alvo preferencial da fala do primeiro-ministro na feira de turismo em que anunciou as medidas para a retomada do setor neste verão. Após dizer, em espanhol, que o país terá prazer de acolher os turistas do Reino Unido, Sánchez repetiu a mesma frase em inglês. Segundo ele, o objetivo era que a mensagem chegasse de forma clara à imprensa internacional.

Espanha tenta atrair britânicos

Os planos, porém, esbarram no fato de que o governo de Boris Johnson segue mantendo a Espanha na lista de risco moderado para viagens. Com isso, qualquer pessoa que decida passar as férias no país terá que cumprir uma quarentena obrigatória ao voltar ao Reino Unido.

Os espanhóis têm repetido ao governo britânico apelos para que reveja essa classificação de risco para o país todo ou ao menos para algumas regiões, como as Ilhas Canárias e Baleares. Sem isso, especialistas consideram que 2021 será mais um ano de perdas significativas no turismo.

A Espanha é um dos países europeus mais afetados pela pandemia, mas a situação hoje é muito menos crítica do que há alguns meses. A incidência média de covid-19, que em janeiro superava os mil casos por cem mil habitantes, hoje está na casa dos 130 casos por cem mil habitantes.

O percentual da população com esquema vacinal completo chega a quase 22%, e outros 40% já tomaram a primeira dose da vacina. A previsão oficial é ter 70% da população adulta imunizada até o fim de agosto.