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Presidente do Inter: Poder do VAR em lance interpretativo tem que ser menor

Do UOL, em São Paulo

16/04/2021 04h00

O Campeonato Brasileiro de 2020 terminou com diversas reclamações em relação à arbitragem, em especial pelo uso do VAR, o que levou até a pedido de anulação de jogo no STJD. Ao final da competição, o presidente do vice-campeão Internacional, Alessandro Barcellos, publicou um artigo no UOL no qual defende a profissionalização dos árbitros e a revisão na forma como é utilizado o vídeo.

Em entrevista a Mauro Cezar Pereira no programa Dividida, o dirigente explica o que o levou a escrever sobre o tema, conta que levou o debate à CBF e pede que o VAR seja utilizado de forma mais objetiva, sem tanta interferência em lances interpretativos, nos quais a decisão final deve ser do árbitro de campo.

"A gente teve aí várias crônicas, vários textos, vários artigos escritos dizendo que o personagem do campeonato foi o VAR. Não pode, o personagem do campeonato são os jogadores, são os gols, são a bola dentro da rede. Nós precisamos então, para que, para buscar corrigir isso que eu acho que é uma ferramenta importante que veio para ajudar o futebol, eu não sou contra o VAR, agora, o VAR não pode ser preponderante em relação a isso. Se existe algo que é muito dito pela comissão de arbitragem, que a interpretação não é substituída”, afirma Barcellos.

"O poder do VAR em lance interpretativo tem que ser menor. Não pode o VAR interpretar e o juiz de campo interpretar, duas interpretações e vamos fazer um juízo de interpretação. Não, interpretação é exclusiva do juiz de campo, ele tem a autoridade para interpretar do jeito que ele quer. Errando ou acertando. Ele vai buscar uma assessoria de interpretação. Aí não é, o VAR é objetivo, é ou não é", completa.

O dirigente afirma pelos diálogos revelados nos áudios em análise de jogadas com o uso do VAR o que tem ocorrido muitas vezes é o árbitro de campo mudar sua interpretação para seguir outra interpretação do responsável pelo vídeo, quando a revisão deveria ocorrer em uma situação objetiva, para evitar erros claros de arbitragem.

"A discussão que nós ouvimos áudios dão conta de interpretações diferentes, de um lado, a câmera, o cara que está lá na sala e de outro o juiz de campo. Mas a regra diz que o juiz de campo tem a determinação e muitas vezes o que a gente viu foi o VAR mudar interpretação de árbitro no momento do lance", diz o presidente do Inter.

Em relação ao artigo publicado sobre o tema, Barcellos reclama de os clubes se manifestarem apenas no momento em que eles são prejudicados, sem que haja uma unidade dos dirigentes para que os problemas sejam solucionados ou reduzidos.

"Nós precisamos, quando acontecem esses erros, buscar soluções para que não aconteçam mais e não ficar reclamando a cada vez que eles acontecem, porque, se for assim, nós não vamos resolver. Então o intuito desse artigo, o intuito do debate que eu me propus é para que a gente olhe, por exemplo, neste caso especificamente para o VAR e questione decisões que foram absurdas nos últimos períodos para todo mundo, não é só para o Internacional", afirma Barcellos.

"Em determinado momento, quando o Inter se prejudica, ele levanta o assunto, e fica sozinho, e aí vai embora. No outro jogo, outro momento, outro clube levanta o assunto, fica sozinho e vai embora. Então, ao invés de nós ficarmos levantando o assunto esporadicamente, ou sempre que ocorre alguma coisa, vamos fazer alguma coisa para melhorar isso e aí eu acho que tem elementos para fazer e não são feitos", conclui.

O Dividida vai ao ar às quintas-feiras, às 14h, sempre com transmissão em vídeo pela home do UOL e no canal do UOL Esporte no Youtube. Você também pode ouvir o Dividida no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e Amazon Music.

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