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Cuca, o 'bombeiro' que busca o quarto título do Santos na Libertadores

28/01/2021 13h25

São Paulo, 28 Jan 2021 (AFP) - Ele faz o trabalho do qual outros fogem, desde assumir uma equipe com cara de Série B até dirigir um clube endividado. E também conquista troféus. Com a merecida fama de técnico 'bombeiro', Cuca vai lutar pela conquista de sua segunda Libertadores no sábado, quando o Santos enfrenta o Palmeiras, no Maracanã.

Voltou ao 'Peixe' em agosto, em um daqueles resgates que costuma protagonizar. No clube paulista, mergulhado em uma crise financeira, os salários muitas vezes demoram a ser pagos e jogadores não podem ser contratados devido a uma punição imposta pela Fifa por causa de dívidas com outros times.

Ciente da montanha de dificuldades, Cuca lançou um desafio assim que pisou na Vila Belmiro para substituir o português Jesualdo Ferreira: lutar pelo quarto título de Libertadores do Santos, o que o tornaria o primeiro time brasileiro tetracampeão do torneio continental, e pelo oitavo lugar do Brasileirão, o que lhe garante uma vaga na Copa Sul-Americana em 2021.

A primeira parte da promessa está a um passo de ser cumprida. Para isso precisa vencer o Palmeiras no sábado. Para alcançar a segunda, o Santos, que está em décimo lugar, tem pela frente seis rodadas até o fim do Brasileirão-2020.

"É uma satisfação fora do comum. A gente não pode contratar, tem dificuldade no pagamento, na premiação. E sempre jogamos abertos, eles não ficam de picuinha e cara virada", disse o técnico de 57 anos após eliminar a Boca Juniors nas semifinais.

- "Presidente" -A terceira etapa no Santos - as demais foram em 2008, quando durou apenas dois meses, e em 2018, quando salvou o time do rebaixamento -, fez Cuca se formar como 'bombeiro'.

Sabendo que o time tem todos os ingredientes para ser uma bomba-relógio, ele foi o para-raios dos jogadores que reclamavam porque o salário não chegava e foi o mediador para que alguns atletas não processassem o time pelo não cumprimento por parte do clube. Por essa sua gestão da crise, Cuca ganhou dos alvinegros o apelido de "presidente".

Tudo isso construindo uma equipe sólida, apoiada no talento do atacante venezuelano Yeferson Soteldo, do ponta Marinho, do zagueiro Lucas Veríssimo e do volante Diego Pituca.

"Ele (o Cuca) forma um time, cria uma boa convivência, tem DNA ofensivo, apura a base" dos juvenis, diz o verdadeiro presidente, Andrés Rueda.

Vencedor da Libertadores em 2013 pelo Atlético Mineiro de Ronaldinho Gaúcho, Cuca protagonizou uma carreira incansável como treinador. Desde 1998, dois anos após se aposentar como jogador, ele descansou só alguns meses de time para time.

Nos vinte elencos que dirigiu, estão equipes da segunda e primeira divisões do Brasil além do Shandong Luneng da China, entre 2013 e 2015, em sua única experiência internacional.

Com o adversário que enfrentará neste sábado, no Maracanã, venceu o Brasileirão de 2016, e salvou o Fluminense do rebaixamento em 2009.

Se vencer no sábado, entrará para um seleto grupo de treze treinadores que venceram a Libertadores duas ou mais vezes, entre eles os compatriotas Lula com o Santos de Pelé (1962 e 1963), Telê Santana com o São Paulo (1992 e 1993), Paulo Autuori com Cruzeiro (1997) e São Paulo (2005), e Luiz Felipe Scolari com Grêmio (1995) e Palmeiras (1999).

- Sobrevivente da covid-19 -Católico praticante, ele costuma comandar suas equipes usando camisetas com a imagem da Virgem Maria estampada. Pessoas próximas a Cuca dizem que ele é extremamente supersticioso, mas o treinador garante, brincando, que é apenas "10%" do que se costuma comentar.

Em campo foi um meia aguerrido que vestiu a camisa de mais de 10 clubes, entre eles Valladolid, Grêmio, Santos, Palmeiras e Internacional.

"Cuca foi um dos melhores meias com quem trabalhei. Ele sabia fazer todas as funções do meio, e muito bem. Sempre foi um jogador de equipe", diz Luiz Felipe Scolari, ex-técnico da seleção brasileira.

Defendendo o tricolor gaúcho, onde Felipão o dirigiu, escreveu a página mais nebulosa de sua vida. Em 1987, ele foi detido por quase um mês, acusado de estuprar uma menor junto com outros jogadores em uma excursão na Suíça. Cuca sempre negou.

O fato foi relembrado em outubro, quando defendeu a contratação de Robinho pelo Santos.

Patrocinadores e torcedores pressionaram pela suspensão do contrato devido à condenação por violência sexual cometida pelo atacante na Itália. E conseguiram.

Ele mal havia se recuperado do escândalo quando foi infectado pela covid-19 e ficou internado durante uma semana. Já seu sogro não teve a mesma sorte e foi derrotado pelo vírus. Erguer a Copa Libertadores a homenagem de Cuca a ele.

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