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Fair-play financeiro, CAS: O futuro do PSG também se decide nos bastidores

27/11/2018 15h19

Paris, 27 Nov 2018 (AFP) - O Paris Saint-Germain joga por sua sobrevivência na Liga dos Campeões nesta quarta-feira contra o Liverpool, mas também nos bastidores: os dirigentes parisienses trabalham no âmbito jurídico e comercial para proteger o futuro europeu do clube, que segue ameaçado pelo fair-play financeiro.

- Recurso no CAS -Acusado pelo "Football Leaks" em meados de novembro de ter superestimado certos patrocínios para cumprir com requisitos da Uefa, o PSG lançou uma contraofensiva jurídica.

O clube apresentou um recurso diante da Corte Arbitral do Esporte (CAS) para impugnar a "investigação a fundo" de seu caso de desrespeito ao fair-play financeiro (FPF), regra que prega que os clubes não podem gastar mais do que arrecadam.

O órgão de controle da Uefa encarregado de regular a situação contável dos clubes europeus, o ICFC, abriu um processo contra o PSG em setembro de 2017, depois das contratações milionárias de Neymar e Kylian Mbappé por mais de 400 milhões de euros. O caso foi arquivado em junho de 2018, mas voltou a ser aberto em setembro de 2018.

É o início desta "investigação a fundo" que o clube francês critica no CAS, ao considerar que já cumpriu com os requisitos do ICFC ao gerar cerca de 60 milhões de euros de receita durante a última janela de transferência.

Em caso semelhante, o CAS, a mais alta instância jurídica esportiva no mundo, autorizou em julho o Milan a disputar a Liga Europa, competição para a qual se classificou, mas da qual havia sido excluído pela Uefa por não respeitar o fair-play financeiro.

- "Seis meses no máximo" -Por enquanto, o clube francês conseguiu criar obstáculos a curto prazo para dificultar a investigação. A partir de agora, "é preciso esperar uma decisão do CAS sobre o recurso apresentado pelo PSG antes de poder tratar o caso", anunciou a Uefa à AFP em meados de novembro.

"Em geral, o CAS trabalha rapidamente, então podemos imaginar que, se o PSG fez uma solicitação de procedimento acelerado, durará alguns meses", explica à AFP o advogado Hervé Le Lay. "Caso contrário, durará, talvez, seis meses no máximo, supondo que o recurso do PSG seja admissível no plano jurídico".

Se o recurso não foi aceito, o processo será reiniciado e o PSG, já punido em 2014, ficaria exposto a sanções pesadas, que poderiam ir de uma simples multa até a exclusão de competições europeias.

- Busca por patrocinadores - Para defender sua boa fé, o PSG só tem um objetivo em mente: mostrar que é capaz de gerar sua própria receita sem o apoio de patrocinadores catarianos, como o da agência de turismo do Catar (QTA), cujo valor real constitui um dos principais pontos do entrave com o ICFC.

"Neste momento, há conversas comerciais para o patrocínio do espaço dianteiro da camisa para que se unam ao clube grandes patrocinadores econômicos", confirmou à AFP Jean-Claude Blanc, diretor-geral do clube. Em junho termina o contrato do PSG com a Fly Emirates (20 a 25 milhões de euros anuais).

A questão é saber se o PSG seria capaz de alcançar o valor de 60 milhões de euros por anos que outros grandes clubes europeus arrecadam com patrocínio master. "Veremos nas próximas semanas, tanto a camisa como de maneira geral os valores se multiplicaram por três ou quatro porque o PSG é hoje uma marca global", respondeu o dirigente parisiense.

Coca-Cola, American Express, Lovebet... Em alguns dias o PSG oficializou vários patrocínios que irão aportar milhões de euros, apesar do caso das contratações étnicas do clube, algo que pode ser prejudicial para a imagem das empresas.

yk/adc/chc/am

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