PUBLICIDADE
Topo

Palmeiras

Ex-presidente da Mancha Verde é espancado em briga em evento de luta em SP

Ex-presidente da Mancha Alviverde, principal torcida organizada do Palmeiras, Jânio Carvalho dos Santos - Reprodução/Instagram
Ex-presidente da Mancha Alviverde, principal torcida organizada do Palmeiras, Jânio Carvalho dos Santos Imagem: Reprodução/Instagram

Paulo Eduardo Dias

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/05/2021 15h54

O ex-presidente da Mancha Alviverde, principal torcida organizada do Palmeiras, Jânio Carvalho dos Santos, de 42 anos, foi espancado por cerca de 50 homens durante um evento de lutas ocorrido no ontem, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

De acordo com Jânio, os homens que o agrediram fazem parte da própria Mancha e teriam ido ao local após ele e Neilo Ferreira e Silva, um dos líderes da torcida, trocarem agressões na entrada do evento. Vídeos registrados por celulares mostram o momento das agressões.

Em contato com a reportagem do UOL, Jânio afirmou que está bem, "com o olho roxo e alguns hematomas pelo corpo". Segundo ele, Neilo deixou o local após a briga e voltou cerca de 40 minutos depois, acompanhado por cerca de 50 homens. É nesse momento que imagens captadas por celulares mostram Jânio e seu irmão sendo espancados mesmo após estarem caídos no chão.

"Conheço boa parte deles. Eu passei no médico e me liberaram. Eu e meu irmão estamos bem, inclusive estamos almoçando agora. É mais a imagem na hora que é forte", declarou.

Para Jânio, a emboscada foi premeditada, uma vez que já tinha se encontrado com Neilo em outros eventos e nada parecido tinha ocorrido, apenas encaradas.

"Ele premeditou isso. Tinha cara da zona sul, da zona norte e do ABC. Não tinha como juntar tanta gente assim de diversos lugares em pouco tempo."

Com mais de duas décadas na história do circuito de lutas brasileiro, Jânio, que é faixa preta de Muai Thai e profissional de MMA, explicou que deixou de ser operador na bolsa de valores, "o que deixou sua mãe doida", segundo suas palavras, para se dedicar as lutas.

"Eu já neguei uma luta com um dos caras [da Mancha] que estava lá porque sabia que poderia dar briga. Que poderia bagunçar o evento. Eu tenho 25 anos de luta e nunca arrumei um problema. Ao pessoal da luta, eu peço desculpas. Eu tenho as artes marciais como profissão. Estou envergonhado por não ter conseguido evitar o problema. Eu, infelizmente, não pude evitar".

A reportagem encaminhou e-mails para Neilo Ferreira e Silva e para a Mancha Alviverde, que não se pronunciaram. A Polícia Civil de São Bernardo do Campo não localizou o registro do caso.

Morte de fundador explica racha

Jânio Carvalho dos Santos e Neilo Ferreira e Silva se conhecem de longa data. Inclusive, respondem juntos a alguns processos na esfera judicial. Em 2011, a dupla foi condenada ao regime semiaberto após serem acusados de agredir seguranças do Palmeiras em uma tentativa de invasão ao estádio durante a final do Campeonato Paulista de 2008.

No entanto, o assassinato de Moacir Bianchi, um dos fundadores da Mancha Verde, em março de 2017, levou Jânio a ser considerado um inimigo da instituição. O ex-presidente e outros 19 membros, incluindo o presidente à época, Anderson Nigro, foram expulsos da entidade. A carta da exclusão, assinada por nomes como Paulo Serdan e Neilo, cita entre outros motivos o "envolvimento com fatos que levaram ao assassinato de nosso fundador".

Questionado sobre o fato, Jânio afirmou que parou de frequentar a torcida em 2011.

"Quando eles me excluíram eu já não fazia mais parte", afirmou.

Neilo Ferreira e Silva foi excluído dos quadros de sócio da Mancha, mas teve aval para retorno. O fato ocorreu em maio de 2012. Sua exclusão se deu pela participação em uma briga contra corintianos na Avenida Inajar de Souza, na Freguesia do Ó, zona norte, em 25 de março daquele ano. No confronto morreram os palmeirenses André Alves Lezo e Guilherme Vinícius Jovanelli Moreira.

A briga, orquestrada pela Gaviões da Fiel foi uma vingança pelo assassinato de Douglas Karin Silva, alvinegro que teve o corpo jogado no rio Tietê meses antes. Neilo chegou a ser preso acusado pela morte de Douglas.

Assim como Neilo, Jânio também já chegou a ser preso pela morte de um corintiano. Marcos Gabriel Cardoso Soares tinha 16 anos quando foi espancado nos baixos do viaduto Pacaembu, na zona oeste. Era um domingo de maio de 2004, dia de Corinthians e Palmeiras no Morumbi, quando ele foi violentamente agredido ao não conseguir pular o muro da estação Barra Funda e se abrigar na linha férrea. Jânio, que era presidente da Mancha à época, foi acusado de incentivar a briga. Ele foi solto meses depois e negou que tenha incentivado a briga, alegando que sequer estava no local.

Palmeiras