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Como funciona o clube dinamarquês voltado ao público gay

Time de natação do Pan Idraet, conhecido como "Sereiras de Copenhague" em ato LGBT - Reprodução
Time de natação do Pan Idraet, conhecido como "Sereiras de Copenhague" em ato LGBT Imagem: Reprodução

Gustavo Franceschini

Do UOL, em Copenhague (Dinamarca)

23/12/2015 06h00

Quarto país com melhor índice de desenvolvimento humano no planeta, a Dinamarca baseia sua estrutura esportiva em clubes sociais que usam quadras, piscinas e campos do governo para suas atividades. Entre as mais de 14 mil agremiações do país, uma teve maior destaque em 2015. Focado no atendimento ao público gay, o Pan Idraet, de Copenhague, atende 850 pessoas em 27 esportes diferentes e foi premiado neste ano pelo seu destaque em termos de desenvolvimento social.

A atuação é basicamente amadora, mas o objetivo do clube é fortalecer a integração em diferentes modalidades e criar um ambiente seguro para os homossexuais do país. Embora não seja limitado ao público LGBT, o Pan Idraet tem, majoritariamente, gays e lésbicas como sócios.

“Nós temos alguns jogadores de badminton e nadadores que estão na elite do esporte dinamarquês, mas esse não é o foco do Pan Idraet. Nosso maior objetivo é qualidade de vida. A oferta de programas para gays geralmente está associada à vida noturna e consumo de álcool. Isso acarreta muitos problemas. Os índices de depressão na comunidade LGBT são muito maiores que entre pessoas heterossexuais, por exemplo”, disse Christian Bigom, vice-presidente do Pan Idraet.

O prêmio ganho pelo clube é relevante e mostra que o objetivo vem sendo alcançado. Em uma cerimônia realizada em setembro, a Associação de Clubes da Dinamarca (DGI, na sigla em dinamarquês) destacou, por exemplo, a campanha contra o consumo de cigarros que o Pan Idraet promove paralelamente à prática de esporte.

Além disso, a variedade de modalidades chama atenção. A agremiação oferece aulas de patinação a rúgbi, passando por natação, tênis e nado sincronizado, entre vários outros. “Dentro da comunidade LGBT nós somos o maior clube disparado. Em se tratando de clubes esportivos, tem outros bem grandes também, mas somos uns dos poucos que oferecem tantos esportes. A maioria foca em uma ou outra modalidade”, disse Bigom.

A missão, é claro, é bastante mais fácil na Dinamarca, país onde ex-namoradas não têm problema ao assumirem o relacionamento em uma seleção. Em Copenhague, que recebeu os Out Games (espécie de Olimpíada voltada ao público gay) em 2009 em parceria com o Pan Idraet, casar e adotar crianças com pessoas do mesmo sexo não é mais um tabu tão forte. Foi a intolerância, no entanto, que levou os atletas LGBT a montarem um clube só deles.

“Hoje nós somos bastante aceito pela comunidade, mas não foi sempre assim. O Pan Idraet foi fundado em 1984 por nadadores gays que foram expulsos das piscinas públicas porque as pessoas tinham medo de se contaminarem com o vírus HIV”, disse Bigom. 

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