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Em um mês, ele foi de faxineiro a campeão do Aberto da Austrália

Edmondson foi o último tenista australiano a vencer o Grand Slam em casa - Divulgação/Aberto da Austrália
Edmondson foi o último tenista australiano a vencer o Grand Slam em casa Imagem: Divulgação/Aberto da Austrália

Do UOL, em São Paulo

20/01/2019 04h00

Se existe um exemplo clássico de zebra no Aberto da Austrália o nome dele é Mark Edmondson. Campeão do primeiro Grand Slam da temporada em 1976, o australiano trabalhava como faxineiro um mês antes de o torneio começar para juntar dinheiro. Então um convite para uma competição menor deu sequência para que o improvável acontecesse e ele se tornasse campeão do Aberto da Austrália, algo que nenhum compatriota conseguiu repetir até hoje.

Na época com 21 anos, Edmondson era desconhecido do grande público até em seu país, que contava com outros nomes mais importantes no circuito do tênis. A um mês do início da chave principal do Grand Slam australiano, ele não figurava nem entre os 200 melhores tenistas do ranking e por isso estava fora do torneio.

Como sua meta era ter dinheiro para viajar a Wimbledon alguns meses depois, Edmondson focava em torneios menores de olho em premiações. Paralelamente a isso, sua irmã enfermeira o avisou sobre uma vaga de faxineiro no hospital onde ela trabalhava em Sydney.

O tenista não teve dúvidas. Aceitou o emprego para limpar o chão e as janelas do hospital. Logo nos primeiros dias nessa função, recebeu um convite para jogar um torneio na Tasmania, no sul da Austrália. Como a chave estava incompleta, os organizadores o chamaram para viabilizar a disputa.

Foi quando ele deu o primeiro grande passo para a zebra histórica que aconteceria semanas depois. Na Tasmania, Edmondson foi campeão e, assim, ganhou o convite para disputar o Aberto da Austrália, algo que foi prontamente aceito.

Em Melbourne, palco do Grand Slam, o jovem australiano encarava uma rotina diferente de seus adversários. Como não tinha convite nem dinheiro para ficar no hotel oficial, hospedou-se na casa de um amigo junto com sua namorada. Diariamente, eles iam de transporte público para o local do torneio.

Na estreia, Edmondson precisou de cinco sets para conquistar sua primeira vitória. Na sequência, era sempre o azarão, enfrentando rivais como um finalista de 1974, um campeão júnior do torneio anos antes, um membro da Austrália na Copa Davis e até o tetracampeão Ken Rosewall, seu adversário nas semifinais.

Segundo Edmondson, o objetivo nas semifinais era não passar vergonha. Para esse jogo, ganhou pela primeira vez apoio de uma marca esportiva, com direito a roupa e tênis novos e um acordo fixo para o futuro. Outra novidade foi jogar numa quadra lotada de torcedores.

"Eu estava acostumado a jogar na quadra 27 para um gato ou um cachorro na torcida e um árbitro. Então aquilo foi impressionante para mim", contou ele.

Quatro sets depois, Edmondson se garantia na final do Aberto da Austrália diante do campeão vigente e cabeça de chave número 1, John Newcombe. Mais azarão do que nunca, o jovem de 21 anos tinha a vantagem de jogar sem pressão e um plano de forçar o "backhand" do rival, sua fraqueza. E contra todas as perspectivas, Edmondson levou a melhor.

Ao ser entrevistado logo depois do jogo, foi perguntado se tinha algumas palavras para dizer ao público. Respondeu prontamente: "não". No dia seguinte, os jornais australianos estampavam a parte mais curiosa de sua trajetória até o título. O menino que fazia faxina dias antes era o novo campeão do Aberto da Austrália.

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