Paris, je t'aime

Craque muda postura, ganha a torcida do PSG (e a França) e não briga mais para deixar o clube

João Henrique Marques Colaboração para o UOL, em Paris (França) Ricardo Nogueira/Eurasia Sport Images/Getty Images

Há um ano, a relação parecia destinada a um ruidoso divórcio, sem volta. Neymar viu a torcida do Paris Saint-Germain exibir cartazes com xingamentos e o vaiar durante todo um jogo. A vitória por 1 a 0 contra o Strasbourg também foi marcada por seu gol de meia bicicleta nos minutos finais e um recado: "Deixei claro que queria sair, mas hoje sou jogador do PSG e prometo cumprir meu papel, dar tudo de mim e ser feliz dentro de campo. Não preciso que gritem meu nome e nem que estejam ali por mim. E, sim, pelo PSG", disse.

Pois a felicidade com a bola no pé foi recuperada na medida em que o craque e seu time apresentaram, com invejável consistência, exibições em alto nível que os levaram a muitas vitórias —e, melhor ainda, a mais títulos. Dá para dizer que o PSG atravessa a melhor temporada da história, tendo conquistado todas as quatro competições já disputadas (Campeonato Francês, Copa da França, Copa da Liga da França e Supercopa da França). Falta um quinto troféu, o mais desejado: a equipe venceu a Atalanta por 2 a 1 em jogo dramático nas quartas de final e vai disputar a semifinal da Liga dos Campeões no dia 18/8, contra o vencedor de Atlético de Madri x Red Bull Leipzig.

O sucesso esportivo de Neymar era a aposta do PSG ao recusar a oferta do Barcelona em julho de 2019 -- o desempenho dele contra a Atalanta é um exemplo dessa aposta. O que surpreende a cúpula do clube é a euforia agora demonstrada pelo jogador também fora de campo. Ajudou o fato de o camisa 10 jogar sua primeira temporada na capital francesa sem que sofresse uma lesão de graves consequências. Mas não só isso: ele se fechou com o elenco, enchendo o vestiário de confiança. Agora, o pedido da torcida parisiense é pela renovação de contrato até 2025.

O UOL mostra aqui os caminhos que Neymar percorreu para atingir o ponto de maior entusiasmo desde que chegou a Paris em agosto de 2017.

Levou um tempo, mas ele agora se arrisca no idioma francês. Também passou a ser visto pela mídia local como um autêntico líder. Por fim, o craque começou a expor uma admiração por cenários marcantes da cidade, como a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo. Isso pode parecer um detalhe insignificante, considerando que estamos falando de cartões postais visitados por milhares de turistas anualmente, mas, para a população local, valeu como gesto simbólicos de uma nova fase.

Um título da Liga dos Campeões teria, então, enorme repercussão por lá. Ao mesmo tempo, poderia ser a jogada perfeita para Neymar levar o prêmio de melhor do Mundo —pelo menos essa é a crença difundida em seu círculo mais próximo. A entrega do troféu Fifa The Best está confirmada para setembro. Esse é o cenário idealizado pelo jogador, enquanto Paris parece, enfim, disposta a amá-lo.

Ricardo Nogueira/Eurasia Sport Images/Getty Images

Uma foto pode significar tudo

O feriado dedicado à queda da Bastilha, em 14 de julho, é considerado o mais importante da França. Neste ano, celebrando a ocasião, uma foto postada por Neymar em seu Instagram, com o elenco do PSG em celebração em um barco no rio Sena, foi redistribuída por jornais e programas de TV parisienses. A imagem com o foguetório tradicional da data e a Torre Eiffel ao fundo ainda veio acompanhada da legenda em francês: "Paris est Magique" ("Paris é mágica", um slogan do PSG).

Paris est magique

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Neymar é quem cuida de sua conta pessoal do Instagram geralmente com conteúdos que refletem seu estado de espírito. O novo vício é o TikTok, para o qual grava vídeos dançando ou montando histórias rápidas de humor. Já outras plataformas como Twitter e o Facebook são comandadas pela empresa criada para administrar sua imagem, a NR Sports.

Neymar não dá entrevistas desde fevereiro —quando reclamou da diretoria e da comissão técnica do PSG por ter ficado fora de alguns jogos, devido ao tratamento de uma lesão na costela. Uma rusga que, hoje, está muito distante. Ainda assim, desde então, a equipe de comunicação de Neymar passou a ser a única fonte de declarações oficiais do jogador.

"Acredito que vivo hoje meu momento mais especial no Paris. Formamos uma família em prol do grande objetivo que temos pela frente. Queremos marcar a temporada com a Champions. Vamos lutar por isso, porque nunca estivemos tão perto", foi a frase vinda de Neymar na semana passada e utilizada em massa pela mídia francesa.

"Os torcedores e a mídia demoraram para entender que o Neymar não está ali para fazer bagunça no vestiário. Ele não é um menino ruim. E a imagem que se tem dele hoje é a do jogador mais importante. Particularmente, já o via assim, mas uma mudança na forma de se comunicar deixou isso ainda evidente", disse Antoine Bourlon, repórter da revista francesa "France Football", ao UOL.

Reprodução/instagram

É possível amar Paris

Recentemente, em caminhada por Paris, Neymar decidiu parar diante do Arco do Triunfo para postar uma foto. Era como se o camisa 10 estivesse pela primeira vez visitando a cidade.

Numa França que já se desvencilhou dos piores dias da pandemia do novo coronavírus, Neymar agora passa por vida social ativa. Vai a restaurantes em volta da célebre avenida Champs-Elysées. O saudosismo pela cidade de Barcelona não tem mais vez.

Outrora, no entorno de Neymar, a sensação era de que seu apego a Barcelona atrapalhava a adaptação a Paris. O jogador passava a maior parte do tempo fechado em sua casa em Bougival, um município a oeste da capital francesa.

No quesito comunicação, Neymar ainda empolga a assessoria de imprensa do PSG ao se esforçar para falar francês em vídeos de promoção do clube. A primeira vez foi ao comentar no vestiário a felicidade pela conquista da Copa da França. Nos dias de preparação para o retorno da Champions, até um rápido recado em francês para a equipe de filmagem do clube foi divulgado.

"O Marquinhos fala perfeitamente, a esposa também, e isso estabelece uma relação de amor com o francês. O fato de o Neymar não se importar com isso deixou a impressão de que não está aqui para um projeto. Deu a impressão de que não gostava do que o clube e a cidade lhe proporcionam. O cenário atual é diferente e ajudou na construção da idolatria", comentou Bourlon.

Jean Catuffe/Getty Images Jean Catuffe/Getty Images

Amizade com Mbappé ajuda

Para ficar no Paris Saint-Germain, a presença de Kylian Mbappé é fundamental para Neymar. Os dois têm contrato válido até junho de 2022 e traçam planos conjuntos. Um quer o outro por perto, cientes de que, assim, ficam mais perto de títulos — a virada sobre a Atalanta mostrou isso: o gol da vitória veio de um passe de Neymar para Mbappé, que rolou para Choupo-Moting.

Em campo, Mbappé é a bola de segurança de Neymar. O passe no vazio para a corrida do francês é recurso recorrente do brasileiro, que também sempre está por perto para tabelar. "Quando eu pegar na bola, corre", é a frase que chegou de Neymar para Mbappé.

Neymar e Mbappé conversam sobre o futuro a todo momento. Os dois priorizam seleções e já têm definido que disputarão os Jogos Olímpicos de Tóquio mesmo que precisem passar por cima de um eventual veto do PSG.

Fora de campo, Mbappé é um "toiss" francês. Ganhou admiração de todos os melhores amigos de Neymar e já participou de festas do grupo. No PSG, essa parceria, mesmo em ambientes festivos, foi comemorada pela comissão técnica com o entendimento de que a amizade ajuda também no entrosamento na hora de jogar.

Mbappé é o "queridinho" do país. E as imagens de Neymar colocando a medalha de campeão da Copa nacional no amigo de muletas —o jovem atacante lesionou o tornozelo direito durante a vitória por 1 a 0 contra o Saint-Etienne— viralizaram. Um abraço do brasileiro em campo com mensagem de força também teve grande repercussão. A França está curtindo Neymar.

Neymar é mais importante que Mbappé. Dentro de campo é preciso reconhecer isso, ainda mais com o Neymar atuando como um 10 desde a chegada do Tuchel. Não há melhor opção de criação do que ele, e todos reconhecem isso. O próprio Mbappé nunca entrou nesse mérito. Querer discutir Neymar por não demonstrar afeto ao PSG é uma coisa, mas dentro de campo não há essa discussão. Nesta temporada, a mudança de comportamento é clara. O jogador é motivado pelo sucesso do time e o Neymar entendeu que é o líder necessário para fazer um elenco tão castigado levantar a cabeça. Quando ele está confiante, automaticamente todos ficam

Jérôme Rothen, jogador do PSG entre 2004 e 2010 e da seleção francesa. Atualmente, Rothen é comentarista da emissora de TV RMC, detentora dos direitos de transmissão da Liga dos Campeões na França

REUTERS/Christian Hartmann

A "panela" em espanhol

Nesta temporada, a língua predominante do vestiário do Paris Saint-Germain passou de francês para espanhol. Fluente no idioma, Neymar agora se comunica mais com o elenco e virou líder das discussões táticas. A relação com o grupo também é frequente fora de campo em ambientes de festas familiares e jantares.

O vestiário do PSG tem oito jogadores nativos da língua espanhola (os goleiros Navas e Sérgio Rico, o lateral Bernat, o volante Herrera, os meias Di Maria, Paredes e Sarabia e o atacante Icardi). A boa comunicação aumenta com a capacidade de comunicação no idioma dos brasileiros Marquinhos e Thiago Silva, do italiano Marco Verratti e do francês Mbappé.

"Eu já falo francês, mas agora preciso fazer um curso de espanhol", brincou o técnico Tuchel, que é alemão.

Aos próximos, Neymar diz que sua atual relação com o elenco do PSG agora lembra o bom ambiente que tinha no Barcelona. No gigante catalão, desfrutava da proximidade de referências como Gerard Piqué, Lionel Messi e Luis Suárez. Na lista de melhores amigos no PSG está o goleiro Navas, que já o defendeu diante do grupo em uma discussão com o diretor esportivo Leonardo. Outro com ótima relação é o italiano Verratti. O brasileiro aceitou um convite do meio-campista para se hospedar em uma casa alugada em Saint-Tropez, no sul da França, durante as férias de junho.


Nas primeiras duas temporadas do PSG, Neymar teve problema de relacionamento no vestiário. Entre discussões com o alemão Draxler e com o francês Kimpembe, além do atrito com o ídolo uruguaio Edinson Cavani para cobrar um pênalti, o brasileiro sentia-se até mesmo malquisto. O convívio fora de campo se limitava basicamente aos brasileiros Thiago Silva, Marquinhos e Daniel Alves. Atualmente, Neymar não tem desafetos no grupo. O próprio Cavani, que já deixou o PSG, havia ingressado na lista de colegas mais próximos.

No final de semana passado, no dia seguinte ao título de campeão da Copa da Liga, o atacante se encarregou de contratar sambistas para animar um churrasco para todo o elenco do PSG. Com três anos de residência na França, foi a primeira vez que o camisa 10 proporcionou um grande evento caseiro que fez lembrar os dias de festança em Barcelona. Importante ressaltar: no país, reuniões desse tipo já estão permitidas. As restrições para aglomerações só valem para aglomerações na casa de cinco mil pessoas.

O líder e a Champions

O vestiário do Paris Saint-Germain está cheio de confiança na busca pela Liga dos Campeões, graças a Neymar. O brasileiro está eufórico em ter presença garantida na reta final da competição pela primeira vez desde que chegou ao PSG — é a primeira vez que ele leva, sem Messi, um time às semifinais do torneio. Ganhar o título inédito para o clube foi o desafio principal que o levou a sair do Barcelona em 2017.

Após o PSG perder por 2 a 1 para o Borussia Dortmund, na primeira partida das oitavas de final da Liga dos Campeões, Neymar organizou um jantar em sua casa para unir um grupo. Nas conversas, mostrou muito otimismo na virada: frases como "me dá a bola" e "deixa que eu resolvo" pautaram o discurso o camisa 10.

"O Neymar foi a pessoa mais importante para a união do grupo. Ele organizou um jantar em casa com todo o elenco antes de jogo decisivo. Ali, acho que formamos um vínculo sagrado", disse o meio-campista Ander Herrera, em entrevista recente à rádio Cope, da Espanha.

Para o jogo de volta contra o Borussia Dortmund, Neymar já havia avisado ao grupo do PSG que imitaria a comemoração com meditação da sensação norueguesa Erling Haaland caso marcasse. Companheiros chegaram a pedir que ele esperasse o fim do jogo, mas a confiança na virada era tão grande que a provocação veio logo após o primeiro gol do jogo. Ao fim, com a vitória por 2 a 0, outros jogadores se uniram ao brasileiro, que repetiu o gesto.

Contra o Dortmund, o time titular do PSG não teve Mbappé, que só atuou nos 25 minutos de finais, em reabilitação de amigdalite. A situação deve se repetir nas quartas de final contra o Atalanta, já que desta vez o atacante francês está em tratamento de lesão no tornozelo direito.

Na Liga dos Campeões, o favoritismo do PSG é grande. O sorteio colocou o clube francês do lado da chave em que estão apenas os times que nunca conquistaram o torneio (Atalanta, Atlético de Madrid e Leipizig). Os poderosos Bayern de Munique, Juventus, Real Madrid e Barcelona estavam do outro lado — Juventus e Real Madrid já foram eliminados. Assim como um dos favoritos, o Manchester City do treinador Pep Guardiola.

Reprodução/Instagram

Acelerando com Neymar

Durante a pausa do futebol, Neymar esteve confinado em casa, em Mangaratiba, no Rio de Janeiro, por quase três meses. Ele esteve acompanhado pelo preparador físico pessoal, Ricardo Rosa, para treinamentos diários. Nos testes físicos realizados pelo Paris Saint-Germain na volta às atividades, o camisa 10 foi um dos melhores do elenco, de acordo com membros da comissão técnica.

Na prova de velocidade feito pelo PSG, nada de surpresa no vencedor: Kylian Mbappé (21 anos). Ele foi seguido pelo alemão Thilo Keher (23 anos) e por Marquinhos (26 anos). Neymar apareceu em quarto lugar na planilha. Pode não ser o pique dos tempos de Vila Belmiro, mas ainda é veloz para fazer a diferença.

FRANCK FIFE / AFP FRANCK FIFE / AFP

Renovação é, sim, uma realidade

Há um ano, ficar no Paris Saint-Germain foi uma frustração para Neymar. Agora, o brasileiro considera até prolongar o vínculo com o clube, embora isso ainda não seja uma prioridade. Neymar prefere esperar e ver o rendimento do time na Liga dos Campeões, a montagem do elenco para a próxima temporada e a postura do Barcelona no mercado antes de discutir um vínculo até 2025 com o PSG.

O receio, claro, é a de estar amarrado em um clube que já demonstrou fazer jogo duro com contratos sem multa rescisória. O pai e empresário, Neymar da Silva Santos, quer que o jogador tenha o direito de escolher onde jogar aos 30 anos de idade. No cenário, o plano é esperar pelo fim do vínculo com o PSG em junho de 2022.

O PSG evita pressão, mas carrega otimismo, por conta dos sinais mostrados pelo brasileiro. A estratégia adotada é ter caixa para bonificações e um aumento para Neymar e Mbappé. No cenário, Thiago Silva e Cavani, que tinham o terceiro e quarto maiores salários do clube, já foram cortados para a próxima temporada.

"Imagino que o PSG sendo campeão da Liga dos Campeões é um caminho fácil para discussão de um novo contrato para Neymar. No momento isso não é uma realidade, mas realmente é incrível a mudança visto o quão inimaginável isso parecia", comentou o Frédéric Gouaillard, repórter do jornal francês Le Parisien, ao UOL.

Xinhua/Hollandse-Hoogte/ZUMAPRESS

O fator Messi

Neymar tem relação de melhor amigo com Messi. Para o brasileiro, voltar a atuar ao lado do argentino é um objetivo de carreira. Este é o único grande detalhe que mantém vivo o sonho do Barcelona na contratação.

Neymar está consciente de que, em termos financeiros, a contratação beira o inviável para o Barcelona, por conta da crise gerada pela pandemia. Além disso, se desanimou em voltar ao clube ao ouvir muitas queixas dos brasileiros Coutinho e Arthur sobre a atual diretoria. No Barcelona, o único brasileiro garantido para a próxima temporada é o goleiro Neto, com quem tem pouca relação.

Apesar do cenário, Messi não desiste. Com moral de sobra no clube catalão, o argentino fala o nome de Neymar num tom que soa exigência para a próxima temporada. O clube catalão, no entanto, só conseguirá fazer uma proposta decente ao PSG caso consiga concluir vendas de importantes jogadores. Os mais cotados para entrar no mercado são o zagueiro Umititi, os meias Rakitic e Coutinho e o atacante Dembélé.

BERTRAND GUAY-18.jul.2012/AFP

PSG trabalha por 2025

Leonardo é visto internamente como centralizador. Fala diretamente com o proprietário do PSG, o emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al-Thani, sem precisar passar pela ponte do presidente Nasser al-Khelaifi, e tem força interna justamente por tocar em jogadores poderosos. Na negociação com o Barcelona, o dirigente fez linha dura à espera de proposta por 222 milhões de euros, o preço pago pelo clube para a contratação em 2017.

O diretor do PSG comanda uma renovação do elenco com as saídas de ídolos como Cavani e Thiago Silva, mas defende a tese de que o futuro passa pela renovação de Neymar e Mbappé.

"Entre os cinco melhores jogadores do mundo, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo têm 32 e 35 anos. Neymar e Mbappé têm 28 e 21 anos e estão conosco. Não há necessidade de pensar demais. No momento tiramos vantagem de ter esses craques, pois é algo enorme. Depois, temos que encontrar a solução para continuar a aventura juntos ", disse Leonardo recentemente em entrevista à rádio francesa RMC.

Aurelien Meunier/PSG

Leonardo é desafeto, mas relação está em evolução

Por meses, Neymar ignorou Leonardo. O contato agora é superficial, o que, acreditem, nos bastidores do PSG é definido como uma aproximação entre ambos.

Já foram várias atitudes do dirigente apontadas como irritantes pelo jogador, tais como intransigência na negociação de transferência para o Barcelona, críticas à celebração em festa de aniversário sendo expostas ao elenco e até uma proibição de jogar quando já estava recuperado de lesão —este último caso levou Neymar a criticar o PSG abertamente. Por outro lado, há quem acredite que a abordagem "antijogadores" de Leonardo acabou unindo o vestiário em torno do camisa 10.

O dirigente, porém, depois deu sinais de proteção a Neymar que foram valorizadas pelo entorno do jogador. O caso mais recente foi ter reclamado do diretor de futebol do Lyon, o brasileiro Juninho, que disse ao jornal The Guardian que Neymar tinha escolhido jogar pelo PSG somente por dinheiro.

"Seria melhor falar sobre o clube deles. Não estamos falando sobre a situação do Lyon e peço para que eles não falem sobre nossos jogadores e nosso clube", esbravejou Leonardo.

Nos bastidores, o diretor também agradou ao entorno de Neymar com as críticas feitas aos árbitros na França. Para ele, o camisa 10 precisa ser protegido, ou, caso contrário, teria de realmente se jogar em campo para evitar lesões. O discurso é o mesmo usado pelo estafe de Neymar para se defender da fama de "cai-cai".

A volta de Leonardo ao PSG aconteceu nesta temporada pela análise interna de que o perfil linha dura faria com que os jogadores mudassem comportamentos. Tanto que a apresentação por parte do presidente, Nasser al-Khelaifi, veio logo após um duro discurso ao elenco.

"Nesta temporada, os jogadores terão que assumir responsabilidades muito maiores do que antes. Tem que ser completamente diferente. Terão que trabalhar bem mais. Não estão aqui no Paris-Saint Germain para se divertirem. E se não concordarem com este ponto de vista, as portas estão abertas. Não quero continuar com jogadores se comportando como popstars", foi o recado do presidente do PSG em entrevista à revista France Football.

Bom, Neymar ainda é um popstar, e disso não há dúvida. A diferença é que, agora, com o futebol de sempre, mas novos gestos, mentalidade e palavras (em francês), pode ser que Paris se divirta junto com ele.

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