PUBLICIDADE
Topo

Pergunta pro Jokura

Por que as corridas de pista no atletismo são em sentido anti-horário?

Alison dos Santos, medalha de bronze nos 400 m com barreiras em Tóquio 2020 – sempre brilhando no sentido anti-horário. - Wander Roberto/COB/Wander Roberto/COB
Alison dos Santos, medalha de bronze nos 400 m com barreiras em Tóquio 2020 – sempre brilhando no sentido anti-horário. Imagem: Wander Roberto/COB/Wander Roberto/COB
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa, na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL.

07/08/2021 04h00

Por que as corridas de pista no atletismo são em sentido anti-horário?
Pergunta de Horácio Jardel, de Córrego do Ouro (GO)

Ora, ora, nem sempre foi assim, caro corregorino. Nos primeiros jogos olímpicos da era moderna (Atenas 1896, Paris 1900 e St. Louis 1904), inclusive, as corridas foram disputadas em sentido horário. Os rumos só mudaram para o atualmente consagrado anti-horário a partir de Londres 1908.

Correr no sentido horário era uma tradição das competições na Inglaterra, país que o fundador do movimento olímpico, o Barão de Coubertin, visitou para se inspirar sobre como seriam disputadas as Olimpíadas modernas.

A inversão do sentido parece ter sido influência dos Estados Unidos. De acordo com Edward S. Sears, no livro Running Through the Ages, uma hipótese para essa modinha americana "do contra" teria sido herança das corridas de cavalo, tradicionalmente disputadas em sentido anti-horário. O fato é que a moda pegou e até hoje os corredores de provas de pista competem com o lado esquerdo do corpo para dentro das curvas.

Como a resposta para sua dúvida original foi curta como um tiro de 100 m rasos, vou responder uma bônus - que você não perguntou, mas estou certo de que gostará de saber:

Gabriel Constantino (direita) na semifinal dos 110m com barreiras masculino - Giuseppe CACACE / AFP - Giuseppe CACACE / AFP
Gabriel Constantino (direita) na semifinal dos 110m com barreiras masculino em Tóquio 2020
Imagem: Giuseppe CACACE / AFP

Por que 110 m com barreiras em vez de 100 m com barreiras?

É que, nos anos 1830, os ingleses - sempre eles - disputavam uma corrida de 100 jardas com barreiras - cada jarda mede 91 cm e uns quebrados. Quando a prova passou a ser disputada entre os alunos das universidades de Oxford e de Cambridge, eles esticaram um pouquinho a distância: 120 jardas, a fim de colocar 10 barreiras a uma distância de 10 jardas uma da outra.

A modalidade se popularizou e, quando saiu da ilha britânica, em 1888, sua distância foi convertida para o sistema métrico. Como 120 jardas dá quase 109,73 m, os franceses arredondaram para 110 m e o resto é história.

Tem alguma pergunta? Deixe nos comentários.