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Pergunta pro Jokura

Por que os Jogos Olímpicos têm esse nome?

André Lobo/UOL
Imagem: André Lobo/UOL
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa, na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL.

20/07/2021 04h00

Por que os Jogos Olímpicos têm esse nome?
Pergunta de Mauro Catanzaro, de São Paulo (SP)

Embora possa parecer, caro ítalo-paulistano, os famosos jogos que começam nesta terça-feira (a cerimônia de abertura é na sexta, mas a bola rola hoje à noite com partidas de softbol) não têm a ver geograficamente com o monte Olimpo, morada dos deuses da mitologia grega, ao norte da Grécia. O nome dos jogos vem da cidade de Olímpia, que fica a mais de 500 km, viajando de carro, ao sul do monte.

A mitologia do Olimpo, contudo, está presente nas lendas que originam os jogos da antiguidade. De acordo com a mitologia, as competições de força e velocidade que ocorriam de quatro em quatro anos por lá, foram obra de Hércules. Após finalizar seus 12 trabalhos, o semideus (parte divino, parte humano) teria construído na cidade o estádio "olímpico", como oferenda a seu pai, o todo-poderoso Zeus.

Estádio olímpico original em Olímpia, Grécia - Klone123/CC - Klone123/CC
Este é o primeiro estádio olímpico: uma pista de corrida de pouco menos de 200 m criada há quase 3 mil anos em Olímpia, na Grécia.
Imagem: Klone123/CC

"Estádio", nesse caso, foi o nome dado à pista que Hércules mediu com 200 passos e também à primeira competição olímpica: uma corrida de aproximadamente 190 metros que foi atração única dos jogos em seus primórdios. A data mais aceita para o início dos jogos da antiguidade é 776 a.C. e o primeiro campeão teria sido Corebo (ou Coroebus), um padeiro grego que venceu a corrida no estádio.

Naquela época, ainda não havia medalhas premiando os vencedores, mas, sim, ramos de oliveira na cabeça - além da fama e do prestígio conquistados, claro. Os jogos antigos eram uma mistura de festival religioso em louvor a Zeus - não à toa, a estátua dele em Olímpia era considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo - e de disputa atlético-militar, com as cidades-estados gregas fazendo uma trégua em seus conflitos e enviando seus combatentes para se digladiar esportivamente.

Os Jogos Olímpicos coexistiam com outras três competições similares: os Jogos Píticos, os Jogos Nemeus e os Jogos Ístmicos. Ao quarteto de festivais, dava-se o nome de Jogos Pan-Helênicos. De todos eles, o que ficou para a posteridade foram os Olímpicos mesmo. Inclusive, o intervalo de quatro anos entre as competições virou medida de tempo, a tal Olimpíada.

Inativos a partir de 393 d.C., os Jogos Olímpicos voltaram a ocorrer, na sua versão moderna, por obra de um francês, o barão Pierre de Coubertain. A partir de 1896, com a primeira sede em Atenas, capital da Grécia, as competições esportivas deixaram de envolver apenas os gregos e tornaram-se um congraçamento mundial.

Até hoje, o fogo olímpico é gerado em Olímpia por meio de um espelho parabólico que concentra os raios solares e viaja o globo, por meio de lamparinas (para viagens longas de navio ou avião) e tochas carregadas em revezamento por atletas, celebridades e afortunados cidadãos até o local em que os jogos serão realizados. A chama que chega ao novo estádio olímpico de Tóquio nesta sexta (23) foi acesa em 12 de março para percorrer cerca de 20 mil km ao longo de todo o território japonês pelas mãos de aproximadamente 10 mil pessoas. Simbolicamente, do Olimpo ao Fuji...

[Este é o primeiro post de uma versão olímpica da coluna Pergunta pro Jokura em parceria com o UOL Esporte. Até o fim das Olimpíadas, responderei, diariamente, uma dúvida curiosa dos leitores sobre os Jogos.]