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O que a viagem no tempo desse domingo mostra para o São Paulo

16/12/2019 08h00

O torcedor do São Paulo, tão maltratado neste e em outros anos, foi presenteado nesse domingo com uma viagem no tempo. Houve escalas nas décadas de 1980 e 1990, onde foi possível revisitar um pouco dos Menudos do Morumbi e da Era Telê, mas o destino principal foi a última era de vitórias do clube, na já longínqua primeira década dos anos 2000.

Diego Lugano, idealizador da Legends Cup, competição que proporcionou ao são-paulino a oportunidade de ver Muricy Ramalho comandando novamente um Tricolor cheio de craques vencedores, tem repetido que um time precisa saber de onde vem para saber até onde quer chegar. As respostas estavam todas no Morumbi neste fim de semana.

Não é só o talento de Cicinho, Fabão, Lugano, Mineiro, Josué, Dagoberto, Richarlyson, Souza, Aloísio e de outras lendas do São Paulo que está bem conservado mais de dez anos depois. A competitividade, o respeito pela camisa e a devoção ao clube e àquele grupo estão ainda mais intactos.

Era um evento festivo, mas eles fizeram o torcedor sentir de novo uma sensação que era muito comum em 2005, 2006, 2007 e 2008: o São Paulo vai ganhar independentemente de como estiver o jogo. Sim, porque aquele São Paulo ganhava quando massacrava e ganhava quando era massacrado. Ganhava dando show, principalmente em 2005 e 2006, mas em outras ocasiões simplesmente ganhava. A identidade era vencer, um reflexo de como tudo era encarado no clube.

- Aqui no estádio é bom demais, mas o negócio é lá (no CT da Barra Funda), o dia a dia. E nossa equipe era uma família, um se preocupava com o outro. Junto com a diretoria, todo mundo andava abraçado. Isso formou uma energia positiva. Se você tem uma energia boa, o seu trabalho vai bem. Não sei o que aconteceu esse ano, o time do São Paulo precisava de uma energia mais positiva - disse o ex-zagueiro Fabão.

Na semifinal da Legends Cup, o Bayern de Munique cometeu o erro de deixar a partida intensa e pegada. Foi superado por um São Paulo copeiro, cujo símbolo foi o pequenino Josué encarando o grandalhão Paulo Sérgio, que não gostou de um carrinho. Já Dagoberto foi expulso após se desentender com Demichelis. Na final, contra um Barcelona que buscava muito menos contato, foi a qualidade técnica que garantiu mais um troféu para a galeria desses ídolos.

- Se coloca a camisa, você tem que deixar o seu melhor, comer grama. Foi o que nós conversamos no vestiário: o que não pode faltar é vontade, só isso - disse o atacante.

A maneira como esses jogadores históricos do São Paulo encaravam o futebol e o clube e consequentemente a maneira como são idolatrados pelo torcedor são bons exemplos do caminho que é preciso seguir para que o caminho das glórias volte a ser trilhado. É uma das coisas que Lugano pretende ao aproximar essas figuras do clube.

- Quando você torce para um clube, você não torce só para o resultado do dia de hoje. Você torce para uma história, para uma série de gerações de jogadores que fizeram você passar momentos inesquecíveis. Esses jogadores, essa essência, essa mística têm que estar sempre muito próximos do clube. É o melhor jeito de a gente respeitar o torcedor, de trazer energia positiva e ganhadora para a atualidade, o melhor jeito de unir todo o São Paulo, à procura de ser campeão, de ser protagonista, aquilo tudo que já sabemos, que tanto queremos e não estamos conseguindo fazer. Essa é a realidade. Estamos tentando de qualquer jeito trazer energia positiva para o clube - disse o uruguaio.

O torcedor estava feliz com a oportunidade de rever seus ídolos e os ídolos estavam felizes pela reedição de antigas emoções em um lugar especial. Nada e ninguém acima da instituição.

- Eu queria que eles fizessem isso mesmo: dessem uma demonstração de que esse clube é gigante e continua gigante, mas tem que resgatar um pouco a história dele - resumiu Muricy.

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