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São Caetano deixa de trazer de peças 'sem compromisso' e ressurge do caos

31/08/2017 12h00

Quem vai encarar o Real Madrid na final do Mundial? A questão, atual hoje, há 15 anos quase como teve o São Caetano como resposta. Dono de ascensão meteórica no começo do século 21, o Azulão foi vice da Libertadores de 2002, perdendo nos pênaltis para o Olimpia há exatamente 15 anos e um mês. Porém, a partir da segunda metade da década passada, o clube entrou em queda. O declínio foi tão grande que hoje o São Caetano está sem divisão nacional. No entanto, 2017 tem sido o ano da virada. Em maio, o clube faturou o Paulista da Série A2, quebrando o jejum de taças que durava 13 anos, desde o Paulistão-2004, voltou à elite estadual e levou, de quebra, uma vaga na Copa do Brasil-2018. Hoje, o time tem a segunda melhor campanha da Copa Paulista, que dá ao vencedor um lugar na Série D-2018. Internamente no clube, há a certeza de que o Azulão voltará a brilhar em grandes jogos. E voltará melhor.

Muita coisa mudou no São Caetano nos últimos tempos, menos o presidente. Mandatário do clube desde 1996 (e ainda no poder por conta de o Azulão ser um clube-empresa), Nairo Ferreira de Souza viveu a elevação do time e também amargou as muitas quedas que vieram depois. Em entrevista ao LANCE!, Nairo admitiu que o Azulão não estava preparado para dar os voos que deu e disse que hoje o clube encontra-se estruturado para recomeçar sua escalada.

- A gente precisava estar estruturado naquela época. Aconteceu o seguinte: quando acordei um dia, estava disputando a final da Libertadores. Era tudo feito como torcedor, no entusiasmo, pensando só em contratação e venda, mas faltou reverter isso para o clube, deixar com estrutura. Havia a necessidade da queda que sofremos, para que a gente fizesse uma reformulação. Evoluímos, nosso técnico (Luís Carlos Martins) está conosco desde outubro de 2014, assim como 70% do elenco vem junto desde lá. Antes, até uns quatro anos, era um negócio sem planejamento. Hoje temos campo de treinos, academia no clube, alojamento... Em outras épocas, a gente treinava num campo ali, outro aqui, e isso disputando Libertadores - falou Nairo Ferreira de Souza, destacando que o clube deixou de lado a política de contratar medalhões e seguirá assim para o ano que vem. Em 2013, nos rebaixamentos no Paulistão e na Série B, o time tinha Rivaldo e Jobson:

- Temos cinco jogadores da base no time profissional, coisa que o São Caetano não fazia, já trazia jogador pronto. Trazia aqui Jobson, trazia aquele monte de jogador que não tinha compromisso com a equipe. Hoje temos estruturas consolidadas no sub-15, 17 e 20. Chega de medalhão, tem muita gente boa aqui no elenco, na base, e é por aí que nós vamos fazer o Paulistão de 2018.

De fato, parece que o São Caetano aprendeu com o tempo. Na Série D-2015, o clube ficou por uma fase de subir, perdendo para o Botafogo-SP nas quartas. A eliminação fez do Azulão um clube sem divisão nacional, mas a confiança no trabalho feito pesou e o técnico Luís Carlos Martins foi mantido, assim como grande parte do elenco. Os frutos foram colhidos na atual temporada.

- Nunca entramos em zona de risco nos últimos dois anos, o caminho estava certo, a gente via. Agora, esperamos que este ano seja coroado com dois títulos. Você pode ter certeza de que o São Caetano, nas competições que disputa e vai disputar, com um Paulistão pela frente, ele vem para ficar. Não é um time que vem, bate e vai embora, porque hoje tem estrutura - disse Nairo.

O otimismo por um futuro próspero também se deve ao fato de o clube não ter dívidas. Hoje, o custo do futebol do São Caetano gira em torno de R$ 600 mil mensais, somando atletas e comissão técnica, valor alto para os padrões dos times na Copa Paulista. Porém, ainda assim, o Azulão consegue ficar no azul:

- Estamos dentro de uma filosofia de que se vier dez, gasta-se nove. Nada de exagero. O clube não deve um real para ninguém. Salários em dia, direitos de imagem em dia. Agora, mais estruturados, temos um bom caminho para fazer futebol. É se planejar para a realidade do Paulistão e buscar resultados.

O planejamento do clube, confessa o presidente, é feito sem contar com grandes receitas vindas de bilheteria. Mesmo nos tempos áureos, o São Caetano nunca conseguiu levar muita gente ao Estádio Municipal Anacleto Campanella. Time de município colado na cidade de São Paulo, o Azulão, fundado em 1989, nunca conseguiu número expressivo de torcedores fieis:

- Os clubes aqui da região tem essa dificuldade. São Caetano, Santo André e São Bernardo sofrem com os grandes clubes. Sei que minha média de público é a pior dos campeonatos e a torcida não comparece. Vou fazer o que? Já fizemos de tudo que se pode imaginar. Jogamos um São Caetano contra Boca Juniors aqui com 4 mil pagantes (primeiro jogo das quartas de final da Libertadores-2004). A cidade acompanha o time, sabe contra quem vai jogar, o placar, muitos me cobram na padaria, no supermercado. As cobranças são grandes, mas a gente não consegue levar esse torcedor para dentro do estádio. Se a gente jogar amanhã contra o Água Santa, vão 50 com a camisa do São Caetano. Se o Corinthians vier aqui no domingo jogar contra nós, os mesmos 50 vão estar de camisa do Corinthians torcendo contra mim. É cultura, fazer o que, não tem como mudar.

A dor do quase se repetiu na Libertadores de 2002. O clube foi para a decisão, contra o Olimpia, e venceu o primeiro jogo da final, no Paraguai, por 1 a 0. A finalíssima ocorreu no Pacaembu, em 31 de julho. Aos 31 da etapa inicial, Aílton abriu o placar para o Azulão. Parecia que a glória estava perto. Só parecia.

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