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Van Dijk tenta hoje feito que Ronaldo e Roberto Carlos impediram há 22 anos

Van Dijk posa com prêmios que levou da Uefa - Harold Cunningham/Uefa/Getty Images
Van Dijk posa com prêmios que levou da Uefa Imagem: Harold Cunningham/Uefa/Getty Images

Lucas Faraldo

Colaboração para o UOL, de São Paulo

23/09/2019 04h00

Virgil van Dijk era uma criança de apenas seis anos de idade na última vez em que um conterrâneo holandês disputava como finalista o prêmio de melhor jogador do mundo pela Fifa. Pois agora gente grande, atual campeão da Europa pelo Liverpool e eleito o melhor futebolista do continente pela Uefa, o zagueiro tem a chance de conseguir para seu país um feito que lá em 1997 foi impedido pelos brasileiros Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos. A cerimônia de 2019 acontece hoje (23), em Milão, a partir das 14h30.

Na festa da Fifa de 22 anos atrás, o holandês Dennis Bergkamp chegava para a disputa do prêmio após promissor início de uma passagem pelo Arsenal que, não à toa, duraria 11 temporadas. O atacante só teve dois "probleminhas": Roberto Carlos, ainda em seu segundo ano no Real Madrid, e Ronaldo, que acabava de trocar o Barcelona pela Inter de Milão. O lateral-esquerdo ficou com o segundo lugar; o Fenômeno, já premiado em 1996, emendou sua segunda conquista - a terceira e última viria em 2002, pós-penta pela seleção.

Aquela foi a segunda derrota do conterrâneo de Van Dijk, que já havia chegado à final em 1993, quando ficou atrás do italiano Roberto Baggio (1º) e do brasileiro Romário (2º). Na edição anterior, em 1992, Marco van Basten se consagrou como primeiro e até aqui único holandês premiado como melhor jogador do mundo pela Fifa, em cerimônia que acontece anualmente desde 1991 e tem a nacionalidade brasileira como a maior vencedora - Kaká, em 2007, foi o último do país a conquistar o troféu.

Além da Holanda, outro país que pode se vangloriar de eventual conquista de Van Dijk é a Inglaterra. Pela primeira vez em 11 anos, um clube inglês pode voltar a emplacar um jogador como melhor do mundo pela Fifa. A última vez foi o Manchester United com Cristiano Ronaldo, em 2008. A bola da vez agora é o Liverpool, que tenta findar uma hegemonia absoluta de equipes espanholas representadas nas últimas dez edições da premiação - Real Madrid e Barcelona, cinco vezes cada.

Curiosamente, Bergkamp, "antecessor" de Van Dijk, era ídolo na Holanda e também na Inglaterra. Quando concorreu pela última vez como finalista ao prêmio de melhor do mundo, o atacante não apenas jogava pelo Arsenal como dava ali os primeiros passos de uma idolatria de mais de uma década marcada pelo tricampeonato da Premier League e pelo tetra da Copa da Inglaterra. Ao contrário do atual zagueiro do Liverpool, porém, o hoje ex-atacante de 50 anos de idade jamais conquistou a Liga dos Campeões.

Retomada ou pá de cal no reinado de Messi e Cristiano Ronaldo?

Para alcançar os feitos descritos acima, Van Dijk tem desafiantes de peso: ninguém menos que Messi e Cristiano Ronaldo. O reinado de "extraterrestre" e "robô" se alternando como melhores do mundo pela Fifa durou dez anos, com cinco troféus para cada um, e foi abalado pela primeira vez justamente na premiação do ano passado.

Lionel Messi foi eleito o melhor atacante da última edição da Liga dos Campeões - Eric Gaillard/Reuters
Lionel Messi foi eleito o melhor atacante da última edição da Liga dos Campeões
Imagem: Eric Gaillard/Reuters

Melhores do mundo ininterruptamente entre 2008 e 2017, Messi e Cristiano Ronaldo tentam reassumir o posto que, ao menos até o anúncio de hoje, pertence a Luka Modric, vice-campeão pela Croácia da Copa do Mundo da Rússia. Na atual temporada, o meia do Real Madrid não ficou nem entre os dez indicados ao prêmio.

A presença entre os finalistas, aliás, já é uma espécie de retomada para Messi. O ídolo do Barcelona havia ficado de fora da última cerimônia, decidida entre Modric, Cristiano Ronaldo e Mohamed Salah. Vice do craque português nas duas edições anteriores, o argentino tenta reconquistar o troféu no qual não coloca as mãos desde 2015.

Já Cristiano Ronaldo tenta alcançar a máxima premiação individual do futebol atuando pelo terceiro clube diferente. Após passagens de sucesso por Manchester United (premiado uma vez) e Real Madrid (quatro vezes), ele tenta provar que não perdeu espaço no cenário mundial com a transferência do ano passado à Juventus.

Cristiano Ronaldo está hoje em sua segunda temporada pela Juventus - REUTERS/Alberto Lingriá
Cristiano Ronaldo está hoje em sua segunda temporada pela Juventus
Imagem: REUTERS/Alberto Lingriá

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