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Juninho relembra 'falha grotesca' em golaço contra: "foi um dia atípico"

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

23/07/2019 13h03

Juninho viveu um dia atípico no último domingo (21). Durante uma troca de passes do Fortaleza ainda no começo do primeiro tempo do jogo contra o Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro, o meio-campista tentou recuar a bola para o goleiro Felipe Alves e acabou encobrindo o próprio companheiro, abrindo o placar no estádio Independência. Mas ele não baixou a cabeça, e a volta por cima veio no segundo tempo, quando o time tricolor teve pênalti a seu favor. Juninho foi para a cobrança e respirou aliviado ao marcar o gol que decretou o empate por 2 a 2.

Em entrevista ao UOL Esporte, Juninho recordou o que chamou de 'dia atípico' no Independência. A infelicidade, a superação e a volta por cima foram abordadas pelo jogador de 33 anos que chegou ao Fortaleza em abril deste ano após passagem pelo rival Ceará. Antes, fez mais de 100 jogos com a camisa do Bahia entre 2016 e 2017, quando chamou a atenção, especialmente, pela qualidade nos passes.

"Foi um dia atípico para mim, diferente de todos que tive na minha carreira. Nunca tinha tido uma falha tão grotesca, mas uma infelicidade e o campo irregular acabaram me prejudicando. Mas tive força de vontade, demonstrei muita superação para poder dar a volta por cima", disse.

"Eu nunca tinha feito um gol contra na carreira, nunca fiz um pênalti, nunca fiz nada tão grave dessa maneira. Na hora acabou sendo um baque porque é uma coisa a qual não estou acostumado, e a gente acaba sendo pego de surpresa. Foi uma infelicidade muito grande, mas graças a meus companheiros, comissão técnica, me colocaram para cima, virei a página rápido, busquei me concentrar ao máximo, esquecer o lance, e graças a isso consegui fazer um grande jogo", acrescentou o meio-campista, que não viu a tentativa de passe como arriscada.

"No meu ponto de vista, o passe não foi arriscado. Eu busquei fazer uma coisa que estou acostumado a fazer, que todo time está acostumado a fazer, e que a gente treina muito no dia a dia, só que, infelizmente, aconteceu uma fatalidade. Eu dei azar de a bola acabar quicando, o campo estava um pouco irregular, a bola acabou pegando acima do meu tornozelo, tomou uma altura e uma velocidade que eu não desejava e acabei surpreendendo meu companheiro. Mas mantive a tranquilidade até porque eu estava fazendo uma coisa que a gente é acostumado a fazer. Então acho que o que aconteceu nesse jogo dificilmente acontecerá novamente. É virar a página e já pensar no próximo jogo", afirmou.

Ainda de acordo com Juninho, ele prefere errar por omissão a deixar de arriscar e construir algo que possa ser útil para o seu time.

"Cuidado, precaução, a gente sempre tem. Só que a maneira que a gente joga, é essa. A gente procurar propor o jogo, independente do lugar que seja, do adversário... O Fortaleza sempre busca jogar, e não vai ser diferente. Não posso me omitir, me esconder do jogo, porque aconteceu uma fatalidade. Vou buscar jogar, fazer o que estou acostumado a fazer, o que treina no dia a dia, e o erro vai acontecer. Só erra quem está lá dentro, quem tenta, e eu posso até errar, mas errar por omissão, jamais", acrescentou.

Dudu Macedo/Estadão Conteúdo
Imagem: Dudu Macedo/Estadão Conteúdo

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Escolhido de Ceni para os pênaltis

O pênalti, a falta, são fundamentos que busco treinar muito, e graças a Deus o aproveitamento vem sendo muito bom nos treinamentos. Então o Rogério vem optando por me colocar como cobrador de pênalti e tenho levado isso com muita seriedade, e estou muito feliz por essa responsabilidade. Ali no jogo procurei me manter calmo, até porque já tinha tido um erro grave no jogo, e sabia que era um momento muito decisivo, que eu poderia igualar o marcador, então procurei ter muito calma e colocar em prática o que eu vinha treinando. E graças a Deus, a minha tranquilidade, a minha concentração, consegui igualar o marcador e minimizar um pouco o erro que tive.

Apoio da torcida do Fortaleza

O torcedor veio comigo. Sou muito grato a Deus por ele ter me honrado, e tenho muita gratidão ao torcedor que, em nenhum momento, veio me apedrejar, me criticar, pelo contrário. Tenho recebido muito apoio nos últimos dias, as pessoas procurando exaltar o bom futebol que eu venho exercendo, falando muito da minha regularidade e que não é um lance como esse que vai apagar o que eu venho fazendo. Então estou muito tranquilo, muito confiante de que vou fazer um grande campeonato, assim como venho fazendo.

Início de passagem pelo Fortaleza

Está sendo fantástico. O grupo do Fortaleza é uma verdadeira família, muito unido, e isso facilitou muito minha adaptação, apesar de eu estar vindo do rival. Mas muito feliz de ter sido escolhido para fazer parte desse grupo, porque um grupo que vence três competições nos últimos três meses, é muito vencedor. Então eu sou muito grato por essa oportunidade e não quero perdê-la de maneira nenhuma. E quero ajudá-los a dar muitas alegrias ao nosso torcedor.

Rogério Ceni diferenciado

O Rogério Ceni é um treinador diferenciado. Como atleta, como jogador de futebol, foi diferenciado, multicampeão, conquistou tudo, e como treinador não está sendo diferente. Nos últimos seis meses conquistou três competições e, em pouco tempo, já se tornou um dos maiores ou o maior treinador da história do Fortaleza. Ele passa muita confiança, tenta tirar o melhor de casa jogador, jogador que está para baixo tenta resgatar. É um treinador que cobra muito também, mas que apoia, dá força, então tem tudo para ter uma carreira de muito sucesso assim como jogador.

Conversa com Ceni antes do acerto

Tive oportunidade de conversar com ele antes de fechar com o Fortaleza. Ele me passou muita confiança, disse que acreditava muito no meu talento, e falou que eu poderia ajudar bastante, ser peça importante, então não pensei duas vezes. Sou muito grato ao Rogério pela oportunidade que me deu junto ao Fortaleza e estou disposto a fazer o que for possível para ajudar o Fortaleza e o Rogério.

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