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Polícia veta acareação de Neymar e Najila; medida só ocorre com fato novo

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

26/06/2019 12h00

A Polícia Civil não vai acatar o pedido do advogado da modelo Najila Trindade de fazer uma acareação entre ela e Neymar. Os investigadores não acreditam que haveria benefícios para elucidar o que aconteceu no quarto do hotel de Paris. A única maneira de mudar a linha de raciocínio seria o surgimento de um fato novo.

O UOL Esporte apurou que a delegada Juliana Bussacos, que comanda a investigação, não vai protocolar nenhum documento negando o pedido para não renunciar a um instrumento que, eventualmente, pode ser útil no futuro. Mas a utilidade da medida hoje é vista como nula.

Caso a acareação fosse realizada, seria algo inusitado. O procedimento é raro em inquéritos de crimes sexuais. A lógica da Delegacia de Defesa da Mulher é proteger a vítima e colocar uma pessoa em frente ao suposto agressor vai de encontro a este princípio.

Mas a possibilidade começou a ser discutida após uma solicitação feita pelo advogado da modelo, Cosme Araújo Santos, na semana passada. Ocorre que ele não tem poder para obrigar a realização do encontro, pode no máximo entregar um documento manifestando o desejo à Polícia Civil. O próprio advogado não tinha grandes esperanças, como reconheceu após entregar o pedido na quarta-feira da semana passada.

"A delegada [Juliana Bussacos] disse que tenho o direito de pedir acareação, não é proibido, mas que não concordaria. Mas, se eu posso, vou fazer tudo o que tenho direito para defender minha cliente em uma ação onde quem está do outro lado é um jogador consagrado mundialmente", disse.

A defesa de Neymar foi procurada na ocasião, mas preferiu não se manifestar sobre o assunto.

Reprodução Twitter
Imagem: Reprodução Twitter

Ginecologista presta depoimento hoje

Não foi revelado o que seria um fato novo com força suficiente para justificar uma acareação. Mas é visível que o inquérito policial ganhou um novo ritmo. Existia a possibilidade de terminar os trabalhos antes do feriado de Corpus Christi, no dia 20, mas agora não há mais uma data estipulada para encerrar as investigações.

Quando ocorreu aquela previsão, a fase de coleta de depoimentos era considerada encerrada. Mas Najila Trindade foi para Ilhéus (BA) na semana passada e retornou à capital paulista com um novo advogado e uma nova estratégia. Ela prestou um segundo depoimento e mencionou a perda do celular, o que levou duas pessoas a serem ouvidas. Também apresentou uma nova testemunha: um médico.

Ela disse à Polícia Civil que consultou um ginecologista no retorno da França. Contatado, o médico André Luiz Malavasi compareceu à 6ª Delegacia de Defesa da Mulher hoje (26/06). Ele chegou às 14h e prestou depoimento por 1h15. Ele saiu sem falar com a imprensa. "Nada a declarar. Tudo corre em sigilo ético-profissional", disse.

A comunicação da existência deste médico aos investigadores ocorreu somente na terceira semana de apuração da denúncia de estupro contra Neymar e mostra que o inquérito pode demorar.

Além de precisar elucidar esta consulta ginecológica, ontem, prestou depoimento uma médica do Pérola Byington, hospital referência em saúde da mulher e onde Najila foi examinada após registrar o boletim de ocorrência. O UOL Esporte apurou que a perícia, realizada duas semanas após o suposto estupro, não apontou lesões ginecológicas.

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