Topo

Técnico do Athletico critica CBF por ausência de Lodi: "briga infantil"

Renan Lodi não foi utilizado pelo Athletico no jogo contra o Fluminense - Gabriel Machado/AGIF
Renan Lodi não foi utilizado pelo Athletico no jogo contra o Fluminense Imagem: Gabriel Machado/AGIF

Do UOL, em Santos (SP)

03/06/2019 12h16

O Athletico Paranaense não pôde contar com o lateral esquerdo Renan Lodi na vitória por 3 a 0 sobre o Fluminense, ontem, pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro. A ausência do jogador de apenas 21 anos teve a ver com o medo de uma punição do clube em relação ao atleta, uma vez que ele foi convocado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para defender a seleção olímpica no Torneio de Toulon, na França, e não se apresentou.

Em coletiva após o duelo contra o Fluminense, Tiago Nunes não poupou críticas à entidade máxima do futebol nacional e classificou a questão como uma 'briga infantil, de vaidade'.

"A direção passou que, pelo fato de não ter sido inscrito em Toulon e continuar convocado, ele não pode nem viajar para disputar o torneio e nem disputar competição nacional. Uma briga infantil, querem mostrar quem tem mais força. Eu fico com pena do Renan e também do torcedor, porque pode ser seus últimos jogos e perdem de vê-lo em campo. O futebol brasileiro perde um expoente por briga de vaidade", destacou o treinador rubro-negro.

"O Renan é um atleta que está sendo requisitado pelos principais clubes da Europa, faz muita falta para a nossa equipe. Estão impedindo o atleta de trabalhar. Para mim, é uma falta de atenção e carinho com um jogador tão talentoso como o Renan, e também com o Campeonato Brasileiro", lamentou Tiago Nunes, que, além de Renan Lodi, já não vinha podendo contar com o zagueiro Thiago Heleno e o volante Camacho, afastados por conta do caso de doping.

"Não sou de ficar lamentando ausências, procuro dar moral para quem jogar. Mas perdemos o Thiago, Camacho e agora o Renan, que são jogadores com potencial", acrescentou.

Renan Lodi, assim como Rodrygo, do Santos, e Thiago Maia e Gabriel, do Lille, não se apresentou ao técnico Jardine, que estreou no torneio com vitória por 4 a 0 sobre a Guatemala. O Athletico fez um pedido para a liberação do lateral, mas não recebeu resposta da CBF, que mantém o atleta convocado - mesmo com a ida de Rogério, do Sassuolo-ITA, para a posição.

O clube paranaense, assim como o Santos, justificou a ausência de Lodi diante do Flu pela falta do documento de desconvocação, que não será enviado pela entidade máxima do futebol brasileiro. A CBF trata que o quarteto não se apresentou "por conta própria". O Brasil encara a França na quarta e encerra a participação na primeira fase contra o Qatar, no próximo sábado.

A desobediência em relação a uma convocação consta como uma infração no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O artigo 207 ordena uma multa de R$ 100 a R$ 100 mil a um clube que "ordenar ao atleta que não atenda à requisição ou convocação feita por entidade de administração de desporto, para competição oficial ou amistosa, ou que se omita, de qualquer modo".

Agora, o Athletico aguarda uma posição para saber se poderá ou não contar com o lateral nos três jogos que tem pela frente até a Copa América: contra o Fortaleza, quarta-feira (5), pelas oitavas de final da Copa do Brasil, e contra Palmeiras e Goiás, dias 8 e 13 de junho, respectivamente, pelo Campeonato Brasileiro.

O Torneio de Toulon, embora tradicional, não é tratado como uma competição oficial da Fifa, o que motivou, inclusive, as posições de Athletico e Santos quanto a Lodi e Rodrygo. Na França, Jardine usa convocados sub-23 e abre a preparação rumo aos Jogos Olímpicos de Tóquio. Campeão no Rio de Janeiro de forma inédita, há três anos, o Brasil busca o segundo ouro.

Athletico