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Acordo de R$ 69 mi com a Globo faz ruir união entre clubes na Primeira Liga

Fluminense foi campeão da Primeira Liga em 2016 - MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC
Fluminense foi campeão da Primeira Liga em 2016 Imagem: MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC

Danilo Lavieri, Guilherme Costa e Marcel Rizzo

Do UOL, em São Paulo

01/11/2016 06h00Atualizada em 01/11/2016 17h26

Fundada em setembro de 2015 e constituída com intuito de organizar uma competição paralela aos estaduais, a Primeira Liga atravessa uma grave crise. Atlético-PR e Coritiba já ameaçaram abandonar a disputa, e esses são apenas os casos mais graves de times insatisfeitos com o modelo atual. O cerne dessa cisão entre os participantes é um contrato de R$ 69 milhões com a TV Globo.

O acordo diz respeito à cessão dos direitos de mídia da Primeira Liga durante os próximos três anos (2017, 2018 e 2019). A Globo, única emissora que apresentou proposta, pagará R$ 23 milhões por temporada de vigência do negócio, que é válido para TV fechada e tem possibilidade de exposição em rede aberta – neste ano, no debute do evento, a arrecadação foi de pouco mais de R$ 5 milhões. Originalmente, os dirigentes responsáveis pela competição estimavam vender essas propriedades por algo entre R$ 28 milhões e R$ 30 milhões por edição.

No último sábado (29), o UOL Esporte mostrou que Atlético-PR e Coritiba, insatisfeitos com o atual modelo de divisão de cotas, ameaçam não participar da Primeira Liga em 2017. Em menor escala, outros times também reprovaram o modelo adotado no novo acordo com a TV.

Existe até uma discussão sobre quem propôs o modelo de divisão de cotas da próxima temporada. Executivo ouvido pelo UOL Esporte disse que a Globo aproveitou o modelo usado com os clubes em estaduais e no Campeonato Brasileiro – quando surgiu, a Primeira Liga tinha como um de seus alicerces uma partilha mais equânime da receita de mídia.

Sem licitação, apenas a Globo investiu

A ideia inicial dos responsáveis pelo certame era promover uma licitação aberta para comercializar os direitos e mídia, com separação de TV aberta e fechada. Esporte Interativo e TV Globo foram os grupos que manifestaram interesse pelo conteúdo. Contudo, esse modelo de venda foi abandonado a pedido de clubes, a despeito de resistência na própria diretoria da liga.

Sem concorrência, o Esporte Interativo desistiu de apresentar oferta. Em texto publicado na rede social Facebook, a empresa disse que "sempre demonstrou interesse em adquirir os direitos da Primeira Liga, com a condição de que houvesse um processo justo de licitação aberto a todos os grupos de mídia". Dirigente da Primeira Liga ouvido pelo UOL Esporte admitiu que a falta de concorrência é um dos fatores para a venda não ter atingido o montante almejado inicialmente.

Um executivo que participou das negociações relatou que clubes priorizaram a Globo por razões políticas. Como já têm contratos com a emissora para estaduais e Campeonato Brasileiro, os times preferiram estender a parceria e ganhar poder de barganha nos outros produtos.

Em meio à negociação com a Globo, a Primeira Liga estipulou que a receita advinda da cessão de mídia será dividida em quatro categorias, em ordem de ganhos: uma com o Flamengo, uma segunda com Fluminense, Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio e Internacional, a terceira casta com Atlético-PR e Coritiba, e a última com o restante dos participantes. O modelo foi apresentado em assembleia realizada no dia 20 de outubro, em Belo Horizonte. O Atlético-PR, que não enviou representante, foi o único que não assinou documento de aprovação.

O Coritiba, que até a assembleia assentiu, mudou de posição depois. “O meu vice-presidente chegou a aceitar isso na reunião, mas assim que ele me comunicou eu disse que não toparia. Não vou concordar de maneira alguma. O patrocinador não pode pagar mais ou menos para um ou outro”, disse Rogério Bacellar, mandatário da equipe paranaense.