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Corinthians corre risco de ter violado regulamento da Fifa em dois reforços

Reforço do Corinthians, Marlone é registrado no Penapolense sem nunca ter atuado por lá - Agência Corinthians
Reforço do Corinthians, Marlone é registrado no Penapolense sem nunca ter atuado por lá Imagem: Agência Corinthians

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

29/01/2016 06h00

Coibida pela Fifa desde 2014, a utilização dos chamados "clubes pontes" envolve as transferências recentes do meia Marlone e do zagueiro Vílson para o Corinthians.

Penapolense-SP e SEV Hortolândia-SP, respectivamente, cederam os jogadores por empréstimo para o Corinthians. Mas, em mais de um ano com contrato firmado, eles jamais vestiram a camisa dessas equipes. O departamento jurídico corintiano alega não haver irregularidades. As duas negociações foram feitas com o empresário Fernando Garcia.

A norma é uma deliberação da Fifa para todas as confederações nacionais. Consultada pelo UOL Esporte, a CBF evita falar em punição ao clube paulista e alega que a coibição a esse tipo de caso ainda será melhor aprimorada em seu novo regulamento. No entanto, a entidade máxima do futebol pode investigar o caso por conta própria e aplicar a punição, como fez em casos recentes na Argentina e Uruguai. A Fifa costuma entrar em ação mais em casos de transferências internacionais.

"Um dos artigos que estamos implementando é a proibição de transferências ponte que fogem do caráter esportivo, que são mais ou menos esses casos", explica Reynaldo Buzzoni, diretor jurídico da CBF. "Até o fim do mês, deve sair o novo regulamento em que vamos coibir isso. A Fifa, atualmente, até pode punir o clube em uma transferência internacional. Agora, se a gente ver uma questão fora do padrão, e estamos em contato direto com a Fifa, vamos nos falar", prosseguiu.

Possíveis punições

Em caso de uma eventual irregularidade pelos negócios, o regulamento da CBF (baseado no da Fifa) fala em três tipos de punição: multa financeira, impedimento de novas contratações por até duas janelas de transferências, ou rebaixamento e/ou perda de pontos em torneios nos quais os jogadores foram utilizados.

Advogado especializado nas questões relativas à Fifa, Marcos Motta indica que transferências como essa estão na mira da entidade. "O que sabemos baseados em decisões da Fifa é que negócios como esse são analisados caso a caso. A nova regulamentação da CBF terá expresso o clube ponte, é o primeiro lugar no mundo. E há clubes (especializados em negócios do tipo) que merecem um tratamento especial", explica Motta. Penapolense e SEV Hortolândia estão entre eles.

"Eu provoco o cliente (empresários) a se olhar no espelho. Essa transferência (como de Marlone e Vílson para Penapolense e SEV Hortolândia) tem finalidade desportiva? Existe a necessidade desse clube intermediário? São perguntas óbvias", explica Motta. "Um dos artigos é a proibição de transferências chamadas ponte, que fogem do caráter esportivo. A ideia (no novo regulamento) é que todas as transferências sejam checadas. Se houver problemas, vamos notificar, podendo até ser cancelada", complementa Reynaldo Buzzoni.

Em ambos os casos, o empresário e ex-conselheiro corintiano Fernando Garcia utilizou os clubes para o registro de jogadores dos quais também possui direitos econômicos. A Fifa, atualmente, proíbe empresas de possuírem porcentagens em transferências de atleta.

Ao UOL Esporte, Buzzoni confirmou ciência sobre a relação entre Garcia com os dois clubes: o Penapolense já foi utilizado para registros de outros atletas, como o também corintiano Petros. Já o SEV Hortolândia tem relação bastante próxima com o empresário Marcus Sanchez, ex-sócio de Fernando em operações da Elenko Sports.

Para o Corinthians, negociações estão dentro da lei

Na avaliação do advogado corintiano, o histórico dos dois jogadores viabiliza as operações. Vilson foi registrado no SEV Hortolândia em 2014, enquanto Marlone no início de 2015. Apesar de jamais atuarem nos clubes, eles foram emprestados a outras equipes. O zagueiro foi cedido pra a Chapecoense e o meia passou por Fluminense e Sport.

"A regulamentação fala sobre os clubes considerados ponte, como foi o Monte Cristo no caso Iago Maidana. O jogador foi comprado do Criciúma pelo Monte Cristo e imediatamente vendido ao São Paulo. As negociações que fizemos foram por empréstimo e os jogadores têm vínculos com esses clubes", explica Luiz Felipe Santoro, advogado corintiano e responsável por analisar os casos.

Fifa já investigou transferência de zagueiro corintiano com os mesmos intermediários

A operação do zagueiro Cléber, atualmente no Hamburgo-ALE, foi investigada pela Fifa no ano passado. Fernando Garcia e Marcus Sanchez foram sócios na compra do jogador que pertencia à Ponte Preta, passou uma temporada no Corinthians e foi vendido à Alemanha sem gerar nenhum lucro ao clube. Nenhuma punição, entretanto, foi aplicada.

Corinthians realizou dois negócios parecidos em 2015

Após ser dispensado pelo Botafogo, o lateral direito Edílson assinou com o Monte Azul-SP antes de ser imediatamente emprestado ao Corinthians. Meses depois, o volante Warian Ameixa foi comprado do Remo-PA pelo Coimbra-MG e cedido para o time Sub-20 corintiano, com o qual foi titular no vice-campeonato da Copa São Paulo. A equipe mineira em que está registrado o jovem é utilizada pelo Banco BMG para o registro de atletas e também está entre as que são monitoradas pela CBF por possível caráter de clube ponte.

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