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Fifa promete abrir em dezembro dossiê que pode comprometer Ricardo Teixeira

Blatter apresentou medidas em que promete limpar a corrupção da "família" Fifa - Alexander Hassenstein/FIFA
Blatter apresentou medidas em que promete limpar a corrupção da "família" Fifa Imagem: Alexander Hassenstein/FIFA

Carlos Padeiro

Em Zurique (Suíça)

21/10/2011 11h41

A Fifa anunciou nesta sexta-feira que seu Comitê Executivo decidiu divulgar em dezembro o dossiê ISL, que, segundo informações da imprensa inglesa, pode revelar pagamentos de propina ao presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira. Segundo Joseph Blatter, presidente da entidade, o ato de tornar público o caso contará com a ajuda de uma organização independente, ainda não revelada.

PARA FIFA, ORLANDO SILVA ESTÁ FORA

  • Reprodução

    Os principais executivos da Fifa anunciaram nesta sexta-feira que estarão no Brasil em novembro para uma reunião com a presidente Dilma Roussef, cujo principal assunto será a aprovação da Lei Geral da Copa, tema que tem incomodado a entidade na organização da Copa do Mundo de 2014. Pelo discurso do presidente Joseph Blatter e do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, o ministro do Esporte Orlando Silva já é carta fora do baralho.

A expectativa era de que as informações do dossiê já fossem divulgadas nesta sexta, no entanto, os executivos da Fifa alegaram que é um documento complexo, escrito em alemão, que precisa ser calmamente interpretado.

"Em um país de milhões de pessoas, você tem algumas pessoas que não se comportam adequadamente. Se na Fifa temos pessoas que não se comportam bem, isso não significas que a família Fifa seja corrupta", afirmou Joseph Blatter, presidente da entidade, em entrevista coletiva em que prometeu fortalecer o comitê de ética da Fifa, através de grupos de trabalho especiais com a missão de reformar a casa até 2013.

Os nomes de Ricardo Teixeira e João Havelange são mencionados pela imprensa europeia como principais envolvidos na investigação criminal feita pela Justiça suíça, de 2008 a 2010. Há um ano, a Fifa vem tentando bloquear a divulgação dos nomes dos envolvidos.

"Nenhum dos nomes envolvidos neste caso é suíço. Todos são estrangeiros", disse Blatter, mantendo o clima de suspense em relação à conhecida lista da Justiça de seu país.

Durante a semana, o clima ganhou requinte de suspense policial inglês com a divulgação de uma carta, na qual o ex-vice-presidente da Fifa, Jack Warner, ameaça contar tudo o que sabe sobre corrupção e propinas, incluindo o que houve na eleição de Blatter em 1998 e 2002.

Warner renunciou em junho deste ano, acusado de venda de voto por U$ 40 mil (R$ 70 mil) em apoio a um candidato da oposição. Ex-presidente da Concacaf, ele convenceu outros dirigentes caribenhos "a aceitar presentes" do candidato Mohammed Bin Hammann (Qatar) para vencer a eleição de junho.

Esta semana, em carta de 1300 palavras publicada no jornal Guardian de Trinidad e Tobago, terra de Warner, o ex-homem de confiança da Fifa ameaçou rechear o Congresso de Genebra com informações bombásticas sobre duas eleições anteriores de Blatter: "o que prometi será cumprido e terá força de um tsunami, mas virá na hora certa", escreveu o dirigente. "Estou esperando o resultado do julgamento do banimento definitivo de Bin Hammann".

O eixo das propinas investigado pela Justiça suíça se estende dos anos 1980 até 2001, quando a empresa ISL, que controlava a vendas dos direitos de transmissão dos eventos da Fifa, declarou falência, com um rombo de US$ 156 milhões. O dinheiro de suborno saiu dos cofres da ISL para garantir negociações com emissoras de televisão do mundo todo, interessadas em exclusividade nas transmissões das copas e outras jogos.

Na lista dos subornados aparecem empresas como a Sanud, Beleza, Wando, Sicuretta e Nunca. A primeira delas teria como um dos sóciosr Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol e chefe do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014.

A Sanud operou na Fifa no tempo em que João Havelange era presidente da entidade e Sepp Blatter, seu secretário geral. As outras empresas batizadas com nomes em português também receberam milhões de dólares do caixa dois da ISL. Em dez anos, a Sicuretta abocanhou quase R$ 50 milhões.

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