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René Simões: Não podemos ter como melhor driblador no Brasil um venezuelano

UOL Esporte

01/12/2020 11h56

René Simões levou a Jamaica a uma Copa do Mundo, comandou as categorias de base da seleção brasileira masculina, a seleção feminina principal na conquista da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004, além de clubes no Brasil e no exterior, e atualmente trabalha como comentarista e analisa os aspectos do esporte e chama a atenção para a escassez de dribladores no futebol brasileiro. Em entrevista ao programa Os Canalhas, com o jornalista Rodrigo Viana, René afirma que o momento é positivo para mudanças no futebol brasileiro, como a busca dos times por intensidade, e vê a necessidade de se mudar a forma de trabalhar para que o país tenha mais jogadores habilidosos, afirmando ser inadmissível que um venezuelano,Yeferson Soteldo, do Santos, seja o maior driblador nos gramados do país. "Eu acho que o futebol brasileiro está começando a entender que precisa ter mais intensidade, que ele precisa ter mais trabalho cognitivo na base, que nós temos que voltar a driblar, nós não podemos ter o melhor driblador do futebol brasileiro sendo um venezuelano, o Soteldo, é inadmissível. É óbvio, o melhor driblador do futebol brasileiro é Soteldo", diz René. O treinador explica o que considera que seria a forma de resolver a escassez dos jogadores mais habilidosos no futebol brasileiro e aponta a necessidade de haver mais peladas nos treinamentos das categorias de base para estimular o desenvolvimento da habilidade e da tomada de decisões dos jovens atletas. "A gente pode resolver isso sabendo o seguinte: da onde veio a capacidade de a gente driblar assim? Do caos. O que é o caos? São as peladas, com buraco, paralelepípedo, com tudo. Nós não temos mais a rua, nós não temos mais campos de várzea, então nós temos que levar esses campos de várzea para dentro do clube", explica René. "Eu sou defensor e se eu tivesse trabalhando em um clube agora como diretor, todo dia os meus treinamentos de base da sub-14 ao sub-20 começariam com uma grande pelada, uma grande pelada sem juiz, deixa o caos ser implantado, o cara ia ter que se virar driblando, dando de calcanhar, dando caneta, faça o que você quiser e eu estou só de fora olhando. Acabaram os 25 minutos, parou, agora vamos sistematizar", completa. Ainda em relação ao trabalho de base, René lamenta que a preparação dos jogadores ainda na infância já seja voltada para o resultado, o que deixa lacunas na formação dos fundamentos básicos, em sua análise. "Eu não consigo entender um garoto sub-7 disputando um campeonato. Ele não sabe limpar a bunda ainda direito quando vai ao banheiro, mas ele já tem que jogar dentro de um sistema para ser campeão, porque o pai está xingando ele, o treinador está ti