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Vitória na hora certa para a Red Bull "segura" Verstappen e agrada Honda

Verstappen e Leclerc no pódio do GP da Áustria - Andrej ISAKOVIC / AFP
Verstappen e Leclerc no pódio do GP da Áustria Imagem: Andrej ISAKOVIC / AFP

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Londres (ING)

05/07/2019 04h00

Volta 55 do GP da Áustria. Max Verstappen está em terceiro, à caça de Valtteri Bottas, e reclama de falta de potência do motor. É quando o engenheiro lhe dá a instrução: "vá para o nível 11. Pode ficar até o final da corrida." Isso significa que o holandês teria à disposição a melhor configuração de seu motor Honda nas 16 últimas voltas da corrida.

Ele rapidamente se livra de Bottas e vai em busca de seu próximo alvo, Charles Leclerc. Mais de meio segundo mais rápido por volta, Verstappen se aproxima com facilidade e, com duas voltas para o final, faz a ultrapassagem que lhe daria a vitória.

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Não é comum as equipes liberarem o modo mais forte do motor por tanto tempo para seus pilotos durante a corrida. Isso porque usá-lo implica na diminuição da vida útil do que hoje é chamado na F1 de unidade de potência - o conjunto do motor de combustão e dos sistemas híbridos. Cada piloto tem direito a apenas três unidades de potência por ano, e passa a receber punições com a perda de posições do grid quando ultrapassa esse limite.

Porém, para a Red Bull no último domingo, as punições que Verstappen certamente vai sofrer ao longo do ano eram o que menos importava. Afinal, o vice-presidente executivo da Honda, Seiji Kuraishi, estava no Red Bull Ring não apenas assistindo à corrida, mas discutindo com os dirigentes da equipe a continuidade dos japoneses na Fórmula 1.

A Honda está descontente com a decisão da categoria de não fazer grandes alterações nas unidades de potência em 2021, como fora acordado anteriormente. E, sem essas mudanças, eles avaliam que será mais difícil alcançar o nível de potência de Mercedes e Ferrari, que iniciaram seus projetos do V6 turbo híbrido muito tempo antes da Honda - essas unidades de potência estrearam em 2014 e a Honda só voltou ao esporte no ano seguinte.

Por conta disso, a continuidade dos japoneses na F1 em 2021 está em xeque, o que também coloca dúvidas sobre o projeto da própria Red Bull, que fechou com a Honda por entender que a única forma de voltar a ser campeã nos moldes atuais da categoria é como uma equipe de fábrica de uma grande montadora.

O chefe da Red Bull, Christian Horner, revelou que o domingo foi recheado de reuniões com a Honda para discutir o futuro da parceria. "Foi ótimo que o vice-presidente estava aqui para ver a primeira vitória da Honda na era híbrida. Foi uma grande performance e eles gostaram muito de ver", disse o britânico. "Acho que o motor está chegando próximo dos demais com as regras estáveis e isso quer dizer que dias como este vão ajudar [a convencer a Honda a ficar na F1]."

A vitória de Verstappen no GP da Áustria foi a primeira da Honda na Fórmula 1 desde que eles tinham sua própria equipe e venceram com Jenson Button no GP da Hungria de 2006, sob chuva. Não coincidentemente, a Red Bull escolheu o diretor técnico da Honda, Toyoharu Tanabe, para receber o troféu de construtores no pódio em nome do time.

Verstappen garantido

Acredita-se ainda que exista um outro motivo para o alívio que se via na Red Bull após a vitória, que só foi confirmada horas depois da bandeirada devido ao julgamento de uma possível punição a Verstappen: havia um boato forte no paddock que o contrato do holandês o liberaria caso ele não vencesse nenhuma prova até agosto. O acordo atual do piloto foi firmado antes da parceria da Red Bull com a Honda e vale até o final do ano que vem. Porém, por conta dessa cláusula, a Mercedes estaria de olho na possibilidade de contar com o holandês.

"Isso é meramente especulação", tratou de diminuir Horner, que disse considerar "já há algum tempo" Verstappen o melhor piloto do grid.