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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

West Ham foi pior o adversário possível para o City

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

15/05/2022 11h53

Estádio lotado. Torcida adversária participativa. Oponente resiliente e forte fisicamente. Moldado para jogar fechado, explorando as ligações diretas e contra-ataques. O West Ham foi tudo aquilo que o Manchester City não precisava na penúltima rodada da Premier League. A equipe de Londres arrancou um empate e aumentou um pouco as chances do Liverpool estragar a festa do time de Guardiola na briga pelo título.

David Moyes escalou o que tinha de melhor num 4-2-3-1. Já Pep optou por Grealish pela esquerda e Gabriel Jesus de centroavante novamente. Mahrez completou o trio de frente. Fernandinho formou na zaga. Bernardo Silva e De Bruyne foram os meias. Stones, Walker e Rubens Dias foram desfalques importantes no sistema defensivo.

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Como West Ham e Manchester City começaram o jogo válido pela 37ª rodada da Premier League 2021-2022
Imagem: Rodrigo Coutinho

Não precisava de muito esforço para entender o que seria o jogo. O City com a bola, no campo de ataque, encurralando o West Ham e tentando encontrar espaços diante de uma defesa muito disciplinada. Foi exatamente o que aconteceu. E a equipe visitante não fez um jogo ruim. Mostrou organização e entendeu os meios de criar, mas poderia ter tido mais contundência nas duas áreas em momentos decisivos.

Foram dez bons ataques do time de Manchester somente no 1º tempo. Bernardo Silva se aproximava mais de Rodri para construir em relação a De Bruyne. O belga ficava mais próximo de Gabriel Jesus. Mahrez e Grealish davam amplitude. Zinchenko era bem agressivo atacando por dentro. Cancelo dava suporte por trás da linha da bola pela direita e Rodri distribuía os passes com velocidade. A estrutura funcionava. Os zagueiros eram basicamente armadores no campo rival.

O problema foi combinar com os defensores dos ''Hammers''. Com uma linha defensiva sempre muito justa e coordenada, volantes que se multiplicarvm bloqueando passes e finalizações, protegendo a entrada da área com maestria, e meias e atacantes totalmente abnegados para marcar, fazer um gol virou um tormento para os ''Citizens''.

Rodri, Laporte, Gabriel Jesus, Fernandinho e Zinchenko chegaram perto de marcar em finalizações de dentro ou da entrada da área, mas a dificuldade para se colocar em condições de bater na meta foi imensa. Quando conseguiram, faltou pontaria. Defensivamente, o City cometeu erros grosseiros de coordenação na última linha, principalmente no espaço entre Laporte e Zinchenko. Por ali Bowen infiltrou duas vezes para marcar.

Cabe ressaltar a estratégia bem executada dos anfitriões, seja acionando a velocidade e a força de Michail Antonio em contragolpes, ou atraindo a marcação do City para fazer a ligação direta endereçada a peças-chave da equipe. Antonio, mais uma vez, e Soucek, eram os ''alvos'' da bola longa, e a partir de vitórias deles nesses lances, a ordem era rapidamente explorar as costas da defesa rival. Deu muito certo!

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Zinchenko, do Manchester City, disputa a bola com Bowen, destaque da partida pelo West Ham
Imagem: Clive Rose/Getty Images

Destaca-se também o papel de Lanzini e Fornals em todos os momentos. Dedicados em fase defensiva, dinâmicos e inteligentes quando o West Ham tinham a bola e executavam o jogo direto descrito acima. Guardiola foi incrédulo para o vestiário no intervalo.

Menos mal que sua equipe seguiu insistindo e organizada ofensivamente. Conseguiu chegar ao gol logo aos três minutos do 2º tempo. Grealish emendou de primeira após ajeitada de Rodri de cabeça. A bola desviou em Dawson e enganou Fabianski. O ''amasso'' seguia. Gabriel Jesus quase empatou em bela jogada. Bernardo Silva fez o mesmo logo depois. O goleiro polonês novamente impediu que a bola entrasse com boas defesas.

A zaga do City voltou a dar sustos na sequência. Laporte e Ederson não se entenderam e Bowen quase marcou o seu terceiro gol. Fernandinho errou um recuo para o goleiro brasileiro e Michail Antonio mandou pra fora ao sair de cara para a meta.. A insistência e a agressividade dos visitantes, porém, foram recompensadas. De Bruyne bateu falta no ângulo e ''tirou tinta'' da trave. Mahrez levantou a bola na área e Coufal marcou contra aos 23'.

O jogo ficou ainda melhor! O West Ham voltava a ser um pouco mais agressivo e lembrava a fragilidade defensiva dos visitantes. Bowen só não marcou o terceiro porque Laporte desviou a finalização a poucos metros do gol. Rodri e Cancelo fizeram Fabianski trabalhar também em bons chutes, mas a grande oportunidade de vencer veio nos minutos finais. Gabriel Jesus sofreu pênalti de Dawson. Mahrez cobrou e Fabianski fez grande defesa!

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Jack Grealish marcou o primeiro gol do Manchester City contra o West Ham
Imagem: Mike Hewitt/Getty Images

O West Ham não quebrou o tabu de mais de seis anos sem vencer o Manchester City, mas mostrou que existem formas diferentes de ser eficiente no futebol. A taça ainda está nas mãos dos Citizens, mas o Liverpool pode sonhar de forma mais realista agora.