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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Daniel Alves ainda é o melhor lateral-direito para a Seleção

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

03/05/2021 04h00

Aproveitado na ala-direita em virtude da impossibilidade de Hernán Crespo contar com Igor Vinícius e Orejuela nos últimos jogos, Daniel Alves reacendeu uma discussão que deverá ganhar força nos próximos meses. Seria ele o nome mais indicado para lateral-direita da Seleção Brasileira? O nível técnico, a concorrência no setor, e o contexto tático indicam esse caminho para Tite.

É provável que o camisa 10 tricolor não se estabeleça com a camisa do São Paulo no setor em que marcou época no futebol mundial. Fez alguns jogos como lateral ou ala desde que chegou ao clube há quase dois anos, mas já manifestou algumas vezes o desejo de atuar no meio-campo, onde faz a diferença e mostra alto nível em vários jogos.

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Daniel Alves faz a enfiada em partida do São Paulo contra o Rentistas
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

No próprio PSG, clube que defendeu antes do São Paulo, passou mais tempo jogando no meio do que na lateral na temporada 2018-2019. A questão aqui é o espaço para ele na Seleção. O último jogo de Dani com a ''amarelinha'' aconteceu em outubro de 2019, num amistoso contra a Nigéria. De lá pra cá o Brasil jogou seis vezes, e em todos Danilo foi o titular.

Danilo é um bom jogador. Possui força, velocidade, potencial no jogo aéreo, bom arremate de média distância e é seguro defensivamente. Não se trata de um nome descartável como muitas vezes é tratado aqui no Brasil. Ninguém é titular da Juventus há duas temporadas em vão. Mas será que oferece mais do que Daniel como titular da Seleção Brasileira?

A proposta de renovar a posição é válida por parte de Tite. A grande verdade é que não produzimos nenhum nome unânime nos últimos anos. Além de Danilo, o jovem Gabriel Menino vem sendo chamado para a função recentemente. Fágner, que foi à Copa de 2018, Emerson, do Real Bétis, e Marcinho, hoje no Athlético Paranaense, foram as apostas recentes. Todos com opiniões contrárias bem fundamentadas.

O conflito entre promover a continuidade e apostar no crescimento de um jogador mais jovem na lateral, e a certeza do bom desempenho de um atleta experiente como Daniel deve gerar dúvidas na cabeça do treinador da Seleção, principalmente se aplicarmos a parte tática na discussão.

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Daniel Alves, na Copa América, já atuou de uma forma próxima daquilo que Tite vem promovendo com Danilo na Seleção hoje
Imagem: Rodrigo Coutinho

Tite vem utilizando o lateral-direito como uma espécie de ''meio-campista'' quando o Brasil se instala no campo de ataque. Renan Lodi, o titular de hoje na esquerda, ganha total liberdade para atacar bem aberto, gerando amplitude e profundidade em seu setor. Já Danilo, se alinha a Casemiro e Douglas Luiz na faixa central. Articula muito mais do que vai ao fundo. Trabalha as jogadas por trás e ganha liberdade quando a bola chega no terço final do campo. Missão perfeita para Daniel Alves. Um ''lateral-armador'' em suas últimas temporadas europeias.

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Aqui (detalhado em branco) em detalhes o posicionamento de Danilo. Alinhado a Casemiro e Douglas Luiz, e deixando a amplitude pela direita a cargo do ponta. Articula muito mais do que ataca a profundidade. Ideal para Dani Alves
Imagem: Rodrigo Coutinho

O histórico recente do jogador na Seleção empolga. Foi o craque da Copa América de 2019 e vivia grande fase quando acabou cortado da Copa do Mundo de 2018 por lesão. É bem verdade que em 2014 não fez um bom Mundial, e talvez o Catar-2022 seja uma boa oportunidade para fazer justiça a um dos principais nomes da história do futebol brasileiro na função de lateral.

Daniel não é reconhecido por muitos torcedores e boa parte da mídia. Um olhar mais detalhado sobre o seu futebol e carreira vai revelar que vale muito mais avaliar o baiano pelo que ele faz em sua profissão, e menos pelas declarações e posicionamentos que assume às vezes. Terá 39 anos de idade em novembro de 2022 e, caso fosse convocado, bateria um recorde que pertence a Nilton Santos e Djalma Santos, que disputaram Copas do Mundo com 37 anos.

Segue se cuidando e muito bem fisicamente. Não tem tido muitas lesões e sabe-se que hierarquicamente acrescentaria demais a um grupo de jogadores que chegará bastante pressionado por 20 anos sem uma conquista mundial no ano que vem. Se Daniel mantiver o nível nos próximos 17 meses, precisa ser o lateral-direito da Seleção na próxima Copa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL