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Rodrigo Coutinho

O passo atrás que pode fazer o Palmeiras mais forte contra o River

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

05/01/2021 04h00

Depois de um início muito bom e promissor sob o comando de Abel Ferreira, o Palmeiras caiu de produção no final do mês de dezembro. As ideias do modelo desenvolvido pelo português seguem lá, mas a execução passou a ser prejudicada por um desempenho físico abaixo do ideal. Certamente o pior momento para que isso pudesse acontecer.

Nesta terça o Verdão encara a sua partida mais importante da temporada. Pega o River Plate pelo jogo de ida das semifinais no estádio Libertadores de América. Nada menos que o time mais regular e confiável do continente nos últimos anos. Minimizar o desgaste físico apresentado em partidas recentes é determinante para ter chances de avançar a mais uma final da principal competição das Américas.

A oscilação vista atualmente no Palmeiras pode ser considerada natural. O trabalho da nova comissão técnica tem apenas dois meses e possui métodos diferentes da anterior. No meio do caminho uma insana maratona de 17 jogos em pouco mais de 50 dias. Soma-se a isso viagens, casos de Covid-19 e lesões de jogadores importantes. Nada muito diferente de alguns outros clubes, mas no caso do Palmeiras chamou a atenção a queda, já que o desempenho inicial foi excelente.

Gabriel Verón e Zé Rafael, desfalques nas últimas partidas e titulares a maior parte do tempo com Abel Ferreira, estão de volta ao grupo de relacionados, mas não se sabe se iniciarão jogando. A escalação deles depende muito da condição física e da estratégia que o português adotará para o jogo.

Não me surpreenderá se a postura for mais voltada aos contra-ataques num primeiro momento. O River possui um estilo dominante com a bola. Quer ter a posse e possui mecanismos de movimentação e ocupação de espaços bem treinados para isso. Se expor diante desta realidade, com uma parte física abaixo do ideal, não parece ser a melhor ideia.

arte - Fonte: Opta - Fonte: Opta
Números que mostram traços do desempenho de River e Palmeiras na Libertadores. Alta produção ofensiva
Imagem: Fonte: Opta

Desta forma o Palmeiras manteria a organização defensiva que já apresenta na maioria dos jogos. Teria mais facilidade para ganhar compactação entre os setores e protegeria melhor a sua área das muitas infiltrações e trocas de posição que os meias e atacantes do time de Marcelo Gallardo fazem.

Os Millonarios têm uma boa transição defensiva. Reagem bem após a perda da bola, mas o Verdão já mostrou que é muito perigoso em transições rápidas. E mais, tem bastante talento, além de jogadores com tais características. Rony e Gabriel Veron são muito rápidos. Raphael Veiga ataca bem espaços nas imediações da área, e Luiz Adriano tem mobilidade para abrir essas lacunas. Danilo, Gabriel Menino e Viña têm bom passe para acioná-los com velocidade.

Outro ponto forte do time argentino é a intensidade na abordagem de marcação. Trabalhando da mesma forma desde 2015, mesmo com muitas trocas no plantel de jogadores de lá pra cá, mantêm-se muito forte marcando no campo adversário. Trabalha duro e pode dificultar as coisas a um Palmeiras com menos energia e mobilidade, como vem acontecendo recentemente.

Uma solução pode ser a busca pelos passes em profundidade. Foi uma alternativa já tentada no jogo diante do América Mineiro. Se for mais bem executada, pode dar certo, principalmente pela característica dos atacantes palmeirenses e pela dificuldade da última linha do River em proteger o fundo do campo em jogadas assim.

Não se trata de se acovardar ou apequenar. Entender o momento do time na temporada, os porquês do desempenho atual e entender virtudes e debilidades do ótimo River Plate é condição básica para avançar na Libertadores.