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Rodolfo Rodrigues

OPINIÃO

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Rodolfo Rodrigues: Falta de coerência de Tite nas convocações é assustadora

Philippe Coutinho e Tite no hotel da seleção brasileira, em São Paulo - Lucas Figueiredo/CBF
Philippe Coutinho e Tite no hotel da seleção brasileira, em São Paulo Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
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Rodolfo Rodrigues

Rodolfo Rodrigues é apaixonado por números e estatísticas no futebol. Foi repórter do Lance!, editor da Placar e do prêmio Bola de Prata ESPN e é autor de dez livros sobre futebol.

Colunista do UOL

13/01/2022 19h40

O técnico Tite divulgou a lista de convocados da seleção brasileira nesta quinta-feira (13) para os jogos contra o Equador no dia 27 de janeiro e Paraguai, no dia 1º de fevereiro, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022.

Entre os 26 convocados, dois jogadores causaram indignação por parte de torcedores e da imprensa: o lateral direito Daniel Alves e o meia Philippe Coutinho. A ausência de Neymar, machucado, não foi questionada. Assim como a exclusão do lateral esquerdo Renan Lodi, do Atlético de Madri, que optou por não se vacinar contra a covid-19 e foi corretamente vetado pelo treinador.

Mas por que Tite insiste com Philippe Coutinho e Daniel Alves? Tudo bem que vários treinadores têm seus jogadores de confiança, mas estamos muito longe ainda da lista final da Copa do Mundo de 2022. Num torneio curto, geralmente os técnicos levam jogadores experientes, de qualidade, ainda que estejam longe da forma física e técnica ideal, sempre com a esperança de que eles possam se recuperar no Mundial.

Mas estamos ainda em janeiro e o momento é de dar oportunidade para quem merece. Daniel Alves, desde que saiu do São Paulo, em setembro, ficou parado quase três meses e fez apenas três jogos pelo Barcelona, sendo um com o time reserva num jogo da Copa da Espanha. Aos 38 anos, mostrou no clássico recente contra o Real Madrid que está em outro nível técnico, sem a mesma mobilidade.

Mas como não testou outros jogadores em 2021, Tite resolveu não arriscar. Com seu titular Danilo machucado, o treinador convocou Emerson Royal, do Tottenham, que passou a entrar nas convocações depois que foi para o futebol inglês, em julho de 2021, e Daniel Alves. Fágner, que fez um bom brasileiro pelo Corinthians, sendo o líder em vários quesitos estatísticos, não joga pela seleção desde 2019. Mas como voltou de férias nessa semana, foi ignorado mais uma vez pelo treinador. O veterano Mariano, 35 anos, campeão brasileiro pelo Galo, é outro que fez uma boa temporada, mas que também retornou de férias agora. Mas também dificilmente seria lembrado pelo treinador que vem trabalhando com seu grupo fechado há tempos.

Aos 38 anos, Dani Alves tem lugar cativo com Tite. Hulk, de 35 anos, que fez uma temporada excepcional em 2021, está fora de seus planos. Porém, a convocação que mais chamou a atenção de maneira negativa foi a de Philippe Coutinho. Jogador que vem caindo de produção a cada ano, o meia acabou de sair do Barcelona, onde não conseguiu se encaixar mais uma vez, depois de um ano e meio após do retorno de empréstimo do Bayern Munique. Desde a Copa de 2018, Coutinho não vem jogado nada. No Bayern, foi reserva e pouco fez durante a campanha do título da Liga dos Campeões de 2020. No volta ao Barça, disputou apenas 30 jogos e marcou só 5 gols em um ano e meio, sendo titular em somente 21 jogos. Muito pouco para quem foi uma das maiores contratações na história do futebol — foi comprado pelo Barcelona por 135 milhões de euros em janeiro de 2018 junto ao Liverpool.

Aos 29 anos, Coutinho foi emprestado pelo Barça ao Aston Villa, clube de segundo escalação da Liga Inglesa, que ocupa a 14ª colocação na atual temporada, brigando contra o rebaixamento. Depois da Copa do Mundo de 2018, Coutinho foi campeão da Copa América em 2019, mas depois sumiu da seleção. Em 2020, disputou apenas duas partidas pela seleção, contra a Bolívia e Peru, pelas Eliminatórias. Em 2021, não entrou em campo e só voltou a ser convocado no última convocação do ano, mas acabou não jogando.

Tite ignorou Raphael Veiga, do Palmeiras, que fez uma excelente temporada pelo Palmeiras, sendo o principal jogador da equipe campeã da Copa Libertadores. Ou ainda de Claudinho, o melhor jogador do Brasil na temporada 2020 e que vive um bom momento pelo Zenit, da Rússia. Campeão olímpico, não brilhou tanto nos Jogos de Tóquio, mas, aos 24 anos, poderia ter uma chance e uma sequência na seleção principal. Mas sequer foi lembrado por Tite em 2020, 2021 e agora nessa primeira convocação de 2022.

Coutinho não deu o mínimo sinal de que recuperou seu futebol em 2020 ou 2021. Sua convocação é um desrespeito com outros jogadores que sonham em jogar pela seleção ou disputar a Copa do Mundo. Tite, no final de 2021, deixou Vinícius Júnior, o melhor jogador brasileiro na temporada europeia 2021/22. Ainda não se convenceu de que o jogador do Real Madrid tem lugar no grupo final da Copa de 2022 ou mesmo no time titular. Essa teimosia e insistência com jogadores de sua confiança causa irritação. Tite poderia fazer o simples e ser mais coerente.

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