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Rodolfo Rodrigues

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Atitude mimada de Marinho contra Holan mostra desrespeito e imaturidade

Marinho, do Santos, durante a partida contra o San Lorenzo, pela Libertadores - Divulgação / Santos FC
Marinho, do Santos, durante a partida contra o San Lorenzo, pela Libertadores Imagem: Divulgação / Santos FC
Rodolfo Rodrigues

Rodolfo Rodrigues é apaixonado por números e estatísticas no futebol. Foi repórter do Lance!, editor da Placar e do prêmio Bola de Prata ESPN e é autor de dez livros sobre futebol.

Colunista do UOL

14/04/2021 11h16

Eleito o melhor jogador da América do Sul em 2020, Marinho fez uma grande temporada pelo Santos. Além de levar o time à final da Libertadores, fez um ótimo Brasileirão com muitos gols e assistências. Fora de campo, foi importante ainda no posicionamento contra o racismo e mostrou que poderia até ser uma opção para o técnico Tite na seleção brasileira.

Mas nessa terça-feira (13) ele pisou na bola. Ao ser substituído pelo técnico argentino Ariel Holan, Marinho teve uma atitude mimada e desprezível. Mostrando irritação por sair aos 22 minutos do 2º tempo, quando o Santos vencia por 2 x 1 e tinha 3 gols de vantagem no confronto contra o San Lorenzo, o atacante simplesmente se recusou a cumprimentar o treinador, que foi em sua direção.

De cabeça baixa, sequer olhou para Holan e foi direto para o vestiário. Marinho, que havia recebido o cartão amarelo 4 minutos antes, foi nitidamente poupado pelo treinador, que já estava com a cabeça no jogo da fase de grupos contra o Barcelona de Guayaquil. Mas Marinho, com seus 30 anos, demonstrou muita imaturidade.

Um dos líderes da equipe nesses dois últimos anos, ele deu um recado ruim para o grupo para um treinador estrangeiro que acabou de chegar no clube. Uma atitude totalmente desnecessária de quem é também um ídolo da torcida na atualidade. Para piorar, mostra um enorme desrespeito ao jogador que entrou em seu lugar — no caso o meia Jean Mota.

Qualquer juvenil sabe que não há jogador insubstituível. Nem Pelé, nem Messi, nem Cristiano Ronaldo. Todos estão sujeitos a deixar o gramado, mesmo atuando bem - o que nem era o caso de Marinho nessa terça.

Pouco antes do fim do jogo, Marinho retornou ao banco de reservas e, no vestiário, pediu desculpas ao treinador. Percebendo sua 'péssima atitude', o atacante fez até um post se retratando.

"Não sou insubstituível, não sou dono do time e estou aqui para ajudar, sempre me dediquei e vesti esse manto com muito orgulho! Jogador nenhum (está) acima do clube ou (deve) faltar com respeito ao treinador, porém já pedi perdão ao treinador diante do grupo, nunca tomei atitude assim com treinador nenhum, fica aqui minhas desculpas. Sou homem, e continuarei dando a vida para esse clube, mesmo querendo ficar em campo e ajudar, respeito e sempre irei respeitar qualquer decisão da comissão técnica!", completou.

Na coletiva pós-jogo, Holan minimizou o episódio. "É normal. O Marinho é um jogador muito importante para nosso time. É lógico que ele não quer sair, isso é lógico".

Agora é aguardar o reflexo dessa atitude. Mas que Marinho pisou feito na bola, pisou.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL