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Milhares marcham em Glasgow e no mundo para exigir 'justiça climática' da COP26

Manifestantes fazem protesto em Glasgow, durante a COP26 - Andy Buchanan/AFP
Manifestantes fazem protesto em Glasgow, durante a COP26 Imagem: Andy Buchanan/AFP

Glasgow

06/11/2021 13h55

Desafiando uma chuva torrencial, milhares de manifestantes se concentraram em Glasgow, no sábado (6), para marchar pela "justiça climática" em um dia de mobilização mundial, depois que a ativista sueca Greta Thunberg denunciou as negociações da COP26 como um "fracasso".

Os organizadores e a polícia estimam em cerca de 50 mil o número de manifestantes nesta cidade escocesa, que recebe, de 31 de outubro a 12 de novembro, representantes de quase 200 países. O objetivo do encontro é chegar a um acordo urgente para limitar o aquecimento global.

A chuva forte e os ventos violentos atrasaram o início da passeata, convocada pela plataforma Coalizão COP26, onde cartazes encharcados exigiam "coloque o planeta na frente do dinheiro agora".

"O que nós queremos? Justiça climática! Quando queremos? Agora!", gritavam os ativistas, quando a coluna iniciou seu trajeto, com a esperança de chegar, três horas depois, ao loca onde diferentes lideranças ambientais discursariam.

"O povo, unido, jamais será vencido", cantavam em diferentes idiomas, em um protesto que reuniu desde jovens que já manifestaram sua frustração nas ruas na sexta-feira, ao movimento de desobediência civil Extinction Rebellion (XR), conhecido pela sua ações ousadas que paralisam cidades e costumam acabar em inúmeras prisões.

"Esta é a COP26. Tivemos 25 antes, e todas foram um fracasso", disse à AFP Lilly Henderson, de 17 anos, membro do grupo Sextas-Feiras pelo Futuro, retomando as palavras que sua fundadora, Greta, lançou à multidão na véspera.

Jayne Whitehead, uma paisagista de 54 anos, compareceu à passeata junto com suas duas filhas.

"Quero que cresçam com um futuro promissor, que aproveitem o mundo como fizemos quando éramos jovens e possam olhar para a frente sem medo", afirmou.

"Um único dia não muda tudo, mas temos que fazer todo o possível, e hoje isso é algo que podemos fazer", apesar da tempestade, completou.

'Ação climática já'

Da Austrália ao Brasil, passando pela Coreia do Sul e pelo Canadá, cerca de 100 marchas deste tipo estavam previstas para acontecer no mundo todo.

"Chega de blá-blá-blá, ação climática já", dizia um cartaz em Sydney, denunciando a posição do governo australiano, defensor da indústria nacional de mineração.

Em Seul, 500 pessoas pediram ações concretas em um país que cobre grande parte de suas necessidades energéticas, importando carvão.

A COP26 deve definir como cumprir os objetivos definidos em 2015 pelo Acordo de Paris sobre o Clima para limitar o aumento da temperatura média global entre 1,5ºC e 2ºC e evitar as devastadoras catástrofes naturais que cada décimo de grau adicional implica.

Esta semana, alguns países se comprometeram a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, a parar de usar o carvão como fonte de energia, a acabar com o financiamento estrangeiro de combustíveis fósseis, a conter o desmatamento e a reduzir a emissão de metano.

Tudo isso depois que um importante estudo mostrou que as emissões mundiais estão a caminho de alcançar, em 2021, os níveis anteriores à pandemia.

Na grande passeata que reuniu milhares de jovens ativistas em Glasgow na sexta-feira, os manifestantes mostraram, porém, sua insatisfação com o que consideram ser pura conversa fiada.

"Esta não é mais uma conferência sobre o clima. É um festival global de lavagem de imagens", criticou Greta Thunberg.

Os negociadores farão uma pausa no domingo antes do que se antecipa como uma semana frenética e de duras disputas sobre questões fundamentais, mas divisivas. Entre elas, estão as normas que regem os mercados de carbono e a transparência, para que todos possam monitorar se os demais cumprem o que prometem.

Os compromissos de redução das emissões para 2030, com os quais os países chegaram à COP26, deixam a Terra a caminho de um aquecimento de +2,7ºC até o final do século, alertam os especialistas.

Até agora, o aumento da temperatura média global tem sido de 1,1ºC em relação à era pré-industrial e já está causando incêndios e secas cada vez mais intensos, destruindo habitats e causando deslocamentos populacionais no mundo todo.