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Medo de tubarão em Santos? Entenda o que surgiu no mar de SP - e os riscos

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos

04/07/2023 09h06

O surgimento de um animal marinho ferido na praia de José Menino, em Santos (SP), aguçou a curiosidade dos banhistas no último domingo (2). Em vídeo que viralizou nas redes sociais, especulava-se que fosse um tubarão devido ao seu tamanho e também à barbatana protuberante.

Porém, segundo o Instituto Gremar, que recolheu o animal para tratamento, ele é um cachalote-pigmeu (Kogia breviceps). A espécie, muito rara de ser encontrada em águas rasas, faz parte da família dos golfinhos e baleias.

O professor doutor Marcos Cesar de Oliveira, do Instituto Oceanográfico da USP (Universidade de São Paulo), explicou a Ecoa que esses animais habitam regiões muito afastadas da costa, além de viverem em águas profundas. Justamente por isso, é muito difícil saber como um deles veio parar na bacia de Santos.

"A razão de a gente não encontrar e não saber muito sobre esses animais é que eles são muito tímidos em relação à presença de embarcações", explica o professor. "Então, mesmo que os cientistas angariem fundos para ir para o mar aberto estudar essas espécies, eles dificilmente encontram. Essas espécies são o que a gente chama de elusivas."

Oliveira explica ainda que os indivíduos dessa espécie se assemelham à baleia cachalote do livro Moby Dick (Physeter macrocephalus), mas em tamanho menor, assim como o cachalote-anão (Kogia sima).

Até 420 kg

O cachalote-pigmeu pode chegar no máximo a quatro metros de comprimento e atingir um peso de 420 kg quando adulto. Excelente mergulhador, ele consegue ficar sob a superfície d'água por volta de uma a duas horas, mergulhando entre mil e dois mil metros de profundidade para capturar peixes e lulas.

Esse comportamento é mais um dos fatores que dificultam sua observação, além do fato de que esses cetáceos não se agrupam. Importante dizer que eles não provocam mal nenhum, não teria nenhuma preocupação em termos de ataque aos seres humanos, não existe nenhuma incidência registrada.
Marcos Cesar de Oliveira, do Instituto Oceanográfico da USP

1 - Divulgação/ Instituto Gremar - Divulgação/ Instituto Gremar
Golfinho ferido em estado grave encalha em praia de Santos
Imagem: Divulgação/ Instituto Gremar

Presença de tubarões

A confusão dos banhistas no vídeo viral ao identificar o cachalote-pigmeu como um tubarão tem um certo fundamento. A presença de tubarões no litoral paulista é considerada pelos especialistas como algo comum.

"A presença de tubarões é comum no litoral, incluindo a cidade de Santos. Somente este ano, tivemos dois avistamentos na baía de Santos, onde existem duas saídas de estuário muito propícias", explica a Ecoa o biólogo e professor doutor da Unesp, Otto Bismarck Gadig. "Sua presença é comum durante todo o ano, com predominância no verão."

Porém, o especialista avisa que não é preciso se preocupar com a presença dos tubarões. A possibilidade de acidentes, segundo ele, é muito remota. "Mesmo tendo acontecido no litoral paulista alguns poucos acidentes em anos passados, a frequência com que eles ocorrem é muito pequena e de baixa gravidade", afirma. "Temos sempre que nos lembrar que os tubarões vivem no habitat deles, que é o oceano. Nós, humanos, é que invadimos seu habitat quando entramos no mar".

Foram registrados no Brasil, de 1931 até hoje, 89 casos de ataques espontâneos de tubarão. O que os pesquisadores chamam de "não provocados" pelos humanos por alguma interação com o animal. Desses, apenas 11 ocorreram em São Paulo, segundo o Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões - órgão ligado à Universidade da Flórida (EUA), do qual o professor é representante no Brasil.

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