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Família cearense cria projeto para distribuir alimentos nutritivos nas ruas

Grupo começou a ir às ruas de segunda a sexta-feira; logo iniciaram atividade aos domingos - Arquivo pessoal
Grupo começou a ir às ruas de segunda a sexta-feira; logo iniciaram atividade aos domingos Imagem: Arquivo pessoal

Ed Rodrigues

Colaboração para Ecoa, em Recife (PE)

15/01/2022 06h00

A situação de pessoas em situação de rua e famílias em vulnerabilidade social, atingidos severamente pelos efeitos da pandemia da covid-19, sensibilizou uma família no Ceará. Com a intenção de proporcionar ao menos uma refeição nutritiva e saborosa a essas pessoas, foi criado o projeto Gentil Somos.

Do início de 2020 até hoje, foram mais de 20 mil refeições já servidas. O trabalho entrega jantar para cerca de 80 pessoas, de segunda a sexta. Além disso, uma vez por semana distribui sopa para 70 pessoas no centro de Fortaleza e almoço para outras 100 aos domingos.

A cozinha funciona na casa da idealizadora do projeto, a estudante de administração Larissa de Souza, de 22 anos. A comida é feita pela mãe dela. Todos os produtos são frutos de doações.

Projetos fecharam com a pandemia

A Ecoa, Larissa contou como surgiu a iniciativa. Explicou que os pais foram voluntários em outro projeto, que saía duas vezes por semana para distribuir sopa.

"No início da pandemia, íamos buscar a refeição e distribuir na Praça da Gentilândia, mas, com a primeira flexibilização, foi encerrada a produção da sopa. Então, começamos a arrecadar, produzir e distribuir os pratos", disse.

Gentil Somos - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Como a refeição é a única do dia para muitas pessoas, projeto procura servir alimentos nutritivos
Imagem: Arquivo pessoal

A família de Larissa começou a ir às ruas de segunda a sexta-feira. Em seguida, iniciaram atividade aos domingos. Quando saíram nas primeiras vezes, viram que a realidade de muitos é bem mais dolorida do que parece.

Ela conta que, durante as ações, notou que muitos que estão na rua dependem inteiramente das doações e que havia pessoas que faziam apenas uma refeição por dia — justamente a que eles serviam.

"Então nos esforçamos para que a comida que doamos seja nutritiva e saudável. No início foi bem complicado. Eu e meus pais éramos responsáveis por conseguir as doações. Normalmente, acordávamos cedo para garantir os insumos do jantar. Minha mãe é quem comanda a cozinha", continuou.

Ações vão além do combate à fome

O projeto tem parceria com outras instituições. É por meio dessa troca de informações que ocorre uma triagem e o encaminhamento de pessoas para casas de recuperação, doação de cestas básicas, doação de roupas ou algum item específico.

A entidade, além da alimentação, busca resoluções para outras demandas, como a aquisição de cadeiras de rodas, leite especial, colchão etc. "Acredito que somos todos irmãos e que é minha obrigação ajudar o próximo. Isso tudo é sobre caridade, estender a mão, ajudar sem olhar a quem", ressaltou a estudante.

Nonato Santos é autônomo e mora de favor na casa de amigos. Segundo ele, o dia é de correria em busca de bicos. Quando ficou sabendo que um projeto oferecia jantar todas as noites, não pensou duas vezes.

"Janto e não pago nada. Estou em situação vulnerável e passo bastante pela praça onde eles fazem essa distribuição de alimentos. A comida é boa e eles são muito humanos. Tratam a gente como se fôssemos uma família", disse.

A situação de Nonato chegou a esse ponto após a morte dos pais. "Eu ajudo as pessoas fazendo bico e favores. E encontrar o pessoal do projeto foi uma benção."

Para ajudar o projeto, basta contribuir com qualquer valor por PIX: gentilsomos@gmail.com (chave-e-mail). Para saber mais, basta acessar o perfil do projeto no Instagram.