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Projeto de musicoterapia ajuda adolescentes em conflito com a lei

Degase/Divulgação
Imagem: Degase/Divulgação

Carolina Vellei

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

11/04/2021 06h00

Como arte e como forma de expressão, o contato com a música está abrindo novos caminhos para jovens que cumprem medidas socioeducativas em quatro unidades do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), no Rio de Janeiro.

Voltado a garotas de 15 a 18 anos, o projeto "Degase: musicoterapia para adolescentes em conflito com a lei" ganhou destaque internacional após ser selecionado ao lado de trabalhos de outros 38 países para compor uma publicação em homenagem aos 75 anos da Organização das Nações Unidas (ONU). Lançado em dezembro de 2020, o compêndio apresenta projetos que usam a música como meio de promover a transformação social pelo mundo.

As adolescentes que chegam aos abrigos tiveram um contato precoce com a violência através do crime e das drogas e em alguns casos são negligenciadas pela família ou têm laços familiares frágeis. Nesse contexto, a música busca resgatar a autoestima e a esperança em um futuro melhor.

"Acredito muito nesse trabalho que vai reverberando e sendo agente de mudanças, por isso precisamos cada vez mais permitir que o mundo saiba o que é feito aqui dentro", comemora Mariane Oselame, musicoterapeuta responsável pelo projeto.

A música como ferramenta

O projeto conta com o auxílio de outros profissionais da instituição, como psicólogos, pedagogos, assistentes sociais e agentes de segurança socioeducativos.

As atividades, que incluem composição, improvisação e audição de músicas, dão oportunidade para que as histórias de vida das meninas apareçam tanto por meio das consultas individuais quanto em grupos. "A música permite novas elaborações e narrativas (verbais ou não verbais) e oferece aos adolescentes novos caminhos de expressão", explica o compêndio.

Mariane enxerga a música como um poderoso aliado para melhorar a vida dos jovens, especialmente quando integrada às áreas de educação, saúde e segurança. "A prática musical possibilita um acesso mais rápido aos sentimentos humanos, fazendo com que as pessoas tenham mais capacidade para se conectar e se expressar", explica.

A sessão de musicoterapia não é igual a uma aula de música e nem tem como objetivo "descobrir" cantores ou músicos. O que os profissionais realmente buscam é dar liberdade para que as adolescentes expressem seus medos, aflições e dilemas pessoais.

O tipo de música também não se limita a um estilo só: funk e pagode estão entre os favoritos. De forma geral, o atendimento pode ser realizado em grupo ou individualmente - mas, por conta da pandemia, a maior parte tem sido de forma individual.

Com as vivências da terapia, as melodias e os instrumentos musicais acabam funcionando como ferramentas para construir novos laços, novas conversas e novas formas de lidar com os desafios da vida.

"Não posso dizer que a musicoterapia vai mudar a vida delas, mas estamos plantando uma semente, mostrando outras possibilidades", diz Mariane.