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Empresas que mudam

Empresas que mudam

Empresas e executivos buscam especialistas para entender diversidade

Ricardo Silvestre, da Black Influence - Divulgação
Ricardo Silvestre, da Black Influence Imagem: Divulgação

Rafael Moura

Colaboração para Ecoa, de Diadema

09/03/2021 04h00

Em 2021, um tema avidamente discutido em redes sociais e propagandeado por empresas explodiu no programa mais popular da televisão brasileira. Na edição atual do Big Brother Brasil, o medo do cancelamento rodeia os participantes, principalmente os que já são famosos. O cantor e ator Fiuk, por exemplo, teve aulas com historiadoras sobre diversidade antes de entrar no programa.

"A produção dele me procurou para aulas particulares de Brasil. A ideia era que ele entendesse a história do próprio país e não reproduzisse falácias que nos passam batidas no cotidiano", conta a Ecoa

"Minhas aulas foram sobre Brasil Colônia, escravidão, construção da família tradicional brasileira, democracia racial, fardo do homem branco, entre outros temas. Houve outras duas professoras que falaram sobre feminismo, body shaming e movimento LGBTQIA+", diz Sodré.

A procura pelo trabalho da Carol, que afirma que seus alunos são 90% pretos, tem crescido em outro segmento além dos participantes de reality show: o empresarial.

Na quarentena, a historiadora chegou a lecionar cursos para algumas empresas, e para todos os líderes de marketing de uma grande marca. "Isso é ótimo. Sinal de que mais pessoas querem aprender e desconstruir padrões sociais", afirma. "Cada CEO que decide ser mais inclusivo influencia outros líderes e muda a sociedade brasileira", escreveu Liliane Rocha CEO e Fundadora da Gestão Kairós, consultoria especializada em Sustentabilidade e Diversidade, em artigo para a Época Negócios

Diversidade vende

Silvestre - Divulgação - Divulgação
Ricardo SIlvestre, fundador da Black Influence
Imagem: Divulgação

Entre as empresas que passaram a buscar consultoria de diversidade no Brasil, o setor publicitário foi um dos primeiros a despertar para a importância do tema. Percebendo isso, Ricardo Silvestre, 24, criou um projeto para influenciar os influenciadores. "A Black Influence nasceu com o objetivo de conectar marcas e influenciadores negros e ampliar a diversidade de pessoas na publicidade brasileira", diz Silvestre.

Mas por que falar tanto de diversidade?

Olhando para números sobre representatividade negra em comerciais, a pesquisa TODxS - Uma análise da representatividade na publicidade brasileira, realizada pela agência Heads mostrava, em 2015, que a porcentagem de protagonistas brancas em filmes publicitários era de 93%. Já a porcentagem de protagonistas negras era de apenas 4%.
Como o avanço dos debates em torno dessa falta de representatividade não só em comerciais, mas dentro das marcas e das próprias agências de publicidade, essa desigualdade de representação mudou. Em 2019, por exemplo, caiu para 64% a presença de mulheres brancas na publicidade.

"Isso não pode nos dar a falsa ideia de que atingimos a igualdade, tanto em representação quanto em remuneração desses criadores.", diz Ricardo Silvestre. Silvestre é publicitário e tem passagens pelas maiores agências de publicidade do país, mas desde cedo percebeu que não se encaixava naquele trabalho, muitas vezes um dos únicos negros na equipe. "É muito importante reforçar sempre o que nos trouxe até aqui, que foi a falta de referência de profissionais negros no mercado da publicidade, no qual estive por quase dez anos e nunca me senti representado ou tendo alguém em quem eu pudesse me inspirar", diz Silvestre.

Teoria e Prática

Patricia - Samuel Gomes/Divulgação - Samuel Gomes/Divulgação
Patricia Santos, fundadora da EmpregueAfro
Imagem: Samuel Gomes/Divulgação

Se os CEOS e executivos procuram professores como Carol Sodré e Liliane Rocha para entenderem o país diverso em que vivem, e as empresas buscam empresas como a Black Influence para representar essa diversidade em seus anúncios, como esse conhecimento tem sido aplicado nas estruturas das empresas?

A EmpregueAfro procura resolver isso. Ela é uma consultoria de recursos humanos em diversidade, que oferece serviços como engajamento interno com foco na importância da diversidade racial, palestras sobre o tema e treinamento.

"São 200 oportunidades para 200 tipos de profissionais negros, em média por ano, que tem a vida transformada através da EmpregueAfro e isso é gratificante para nós", diz Patricia Santos, especialista em diversidade étinico- racial e CEO Fundadora da EmpregueAfro.

Segundo Patrícia, quando empresas acabam errando por essa falta de representatividade e precisam reverter a situação, o saldo pode ser positivo. "Erros das empresas contribuem para mudanças positivas. A discussão emerge na sociedade, a mídia promove essa discussão e a luta pela igualdade racial, de gênero e social ganha mais força. Porque uma empresa não quer cometer o erro que a outra cometeu".

De acordo com Patrícia, a diversidade dentro das empresas tem um grande poder que representa ganhos financeiros para empresas e ambientes mais acolhedores. "Diversidade, traz inovação, traz produtividade, lucratividade. Pessoas diferentes trabalhando juntas produzem resultados diferentes, para um cliente que é diverso, para um consumidor que é diverso e que quer se sentir representado", diz.

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