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Tomas Rosenfeld

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Um mapa da restauração ecológica

Regina Scharf, jornalista ambiental, tradutora e autora de livros de ficção histórica. - Reprodução/Linkedin
Regina Scharf, jornalista ambiental, tradutora e autora de livros de ficção histórica. Imagem: Reprodução/Linkedin
Tomas Rosenfeld

Tomas é escritor, pesquisador e gestor, com mais de dez anos de experiência trabalhando no campo de inovação social. Formado em Relações Internacionais e mestre em Economia Internacional, Tomas é fellow da Fundação Alexander von Humboldt. Ao longo do último ano, atuou como pesquisador visitante no Impact Hub Berlim, estudando empreendedores sociais na capital alemã. Atualmente, como doutorando e research fellow da Ernst Ludwig Ehrlich Studienwerk, pesquisa formas de fazer a floresta Amazônica valer mais em pé do que derrubada. Como escritor, publicou dois romances – Para não dizer que não falei de Flora (7Letras, 2015) e Vão livre (Reformatório, 2019) – o primeiro, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.

17/08/2021 06h00

Existem grandes e pequenas restaurações. Podemos restaurar um dente cariado, uma obra de arte danificada ou um sistema político perdido. Em um mundo ameaçado pelas mudanças climáticas, contudo, provavelmente a restauração mais ambiciosa é a dos ecossistemas.

Diante da situação em que nos encontramos, não basta parar de desmatar ou poluir, é preciso regenerar. Além de interromper a destruição, devemos reconstituir o que foi devastado. O tema é tão relevante que o período entre 2021 e 2030 foi definido como a Década da Restauração de Ecossistemas.

Pensando em sua contribuição para o tema, a jornalista e escritora Regina Scharf desenvolveu o Projeto Nova Mata. Lançado em 2020, o projeto procura mapear iniciativas de restauração dos biomas brasileiros.

Inicialmente, o foco estava restrito à Mata Atlântica, mas foi se expandindo, passando a incluir os demais biomas presentes no território nacional. Entre as ações mapeadas estão iniciativas públicas e privadas, além de um mapa de viveiros.

1 - Reprodução/Nova Mata - Reprodução/Nova Mata
Regina Scharf, fundadora do projeto Nova Mata
Imagem: Reprodução/Nova Mata

Regina conta que o seu envolvimento com a área ambiental a acompanha desde o berço: "você não é apenas cidadão de um país ou de uma cidade, mas também de um bioma", ela diz, "a Mata Atlântica é um pedaço muito importante da minha vida - é uma volta às origens."

Ao mapear os viveiros, o projeto Nova Mata procura oferecer um caminho fácil para quem quer plantar árvores nativas dos biomas. "Muita gente saiu da cidade durante a pandemia e acabou se aproximando da natureza", Regina conta, "mas não sabem onde encontrar uma muda nativa para plantar". Mapear os viveiros é uma forma de facilitar esse encontro entre quem quer plantar e quem pode oferecer os meios para que isso aconteça.

A ideia de restaurar ecossistemas não é nova, a Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, por exemplo, foi um dos primeiros casos de restauração em grande escala. Ainda sob o reinado de Dom Pedro II, a floresta que havia sido devastada nas décadas anteriores foi recuperada, em resposta às diversas crises de abastecimento de água da então capital do império.

Hoje o tema é ainda mais urgente. Ao explicar a estratégia que a orientou na criação do projeto, Regina fala em aproveitar os "low-hanging fruits". Nessa expressão tão visual, devemos aproveitar dos frutos que podem ser facilmente colhidos. Várias das organizações apresentadas no site oferecem o projeto técnico e orientam sua implantação. Para quem estiver interessado em contribuir para o reflorestamento, vale uma visita ao site do projeto Nova Mata.