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Milo Araújo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

A rua é para todas!

O grupo de ciclistas Vespas Bike Gang - Reprodução/Instagram
O grupo de ciclistas Vespas Bike Gang Imagem: Reprodução/Instagram

26/11/2021 14h26

Nesta semana, em que a discussão sobre violência contra a mulher tem se colocado em pauta por conta do Dia Internacional de Luta Contra a Violência à Mulher, aconteceu um fato com o grupo de pedal Vespas Bike Gang. As Vespas são um coletivo dedicado apenas a mulheres. Mulheres estas que amam pedalar por São Paulo, formando um "enxame" de ciclistas que buscam se reunir para prover mais segurança à atividade. O grupo também dá apoio para mulheres ciclistas iniciantes que querem aprender a se locomover pela cidade. Elas se reúnem todas as quartas-feiras na Praça do Ciclista, na avenida mais conhecida de São Paulo, a Avenida Paulista, e de lá partem para o seu pedal semanal.

Só que, nesta última quarta, as Vespas sofreram uma agressão. Elas, que estavam em um pelotão de mais de cinquenta mulheres, foram agredidas e xingadas por um motoqueiro que disparou spray de gás de pimenta. E que mesmo pedalando com máscaras sofreram grandes enjoos e ardência e tiveram que interromper o pedal para poderem se reorganizar. Por sorte, ninguém sofreu uma queda, o que poderia ter agravado a situação, e graças ao horário já tardio, havia pouco movimento na avenida.

O fato ocorrido foi triste, mas ele justifica a urgência e a necessidade da mobilização do Dia Internacional de Luta Contra a Violência Contra a Mulher.

A data de 25 de novembro foi escolhida para homenagear as irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), dominicanas que ficaram conhecidas como Las Mariposas e se opuseram à ditadura de Rafael Leónidas Trujillo, sendo assassinadas em 25 de novembro de 1960.

No Primeiro Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho de 1981, realizado em Bogotá, Colômbia, a data do assassinato das irmãs foi proposta pelas feministas para ser o dia Latino-Americano e Caribenho de luta contra a violência à mulher. Em 17 de dezembro de 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que 25 de novembro é o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, em homenagem ao sacrifício de Las Mariposas.

Nos dias de hoje a data vem sendo promovida pela ONU e pela Secretaria Nacional dos Direitos Humanos e Ministério do Desenvolvimento e Combate à Fome, sendo fonte de divulgação, inclusive, para o Disque 180, que atende casos de denúncias de violência contra a mulher. Iniciada em 25 de novembro de 1991, sob a coordenação do Centro de Liderança Global da Mulher, a Campanha Mundial pelos Direitos Humanos das Mulheres propôs os 16 Dias de Ativismo contra a Violência contra as Mulheres.

Este período, que vai de 25 de novembro até 10 de dezembro, também contempla outras datas significativas como o 1º de dezembro (Dia Mundial de Combate à Aids), 6 de dezembro (Massacre de Mulheres de Montreal) e 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos).

Vale ressaltar que educação de base faz-se necessária nessa luta, impulsionando a reflexão crítica desde sempre para promover valores éticos e os direitos das mulheres perante a sociedade. Para que as Vespas e outros grupos femininos possam sair tranquilos para pedalar, pois é de total direito. Elas sabem que a rua é para todas!

Como disse Caroline Maciel Lazarini, uma das frequentadoras do pedal das Vespas: "O que ele conseguiu foi deixar a gente ainda mais forte! Juntas, somos um enxame."

E se você, advogado cicloativista, quiser colaborar com assessoria jurídica quanto a esse ocorrido, pode entrar em contato com as Vespas.BG por este link.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL