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Milo Araújo


Milo Araújo

Em meio a escuridão, cultive esperança!

Milo Araújo

Milo Araújo é designer e diretora de arte, pedaleira, caminhadeira e agora escrevedeira. Aprendeu a andar de bike sem as mãos recentemente.

06/04/2020 04h00

O clima de incerteza está reinando em todas as esferas. Pelo visto, nos encontramos num momento no qual as peças do jogo estão se realinhando e ninguém tem muita certeza sobre o que é certo ou errado ou como proceder. Estamos num momento de reestruturação profunda, e isso me fez pensar que existem oportunidades dentro do caos. Quando não existe mais caminho óbvio pode ser exatamente a oportunidade de outros grupos não predominantes indicarem novos caminhos. Agora é a hora de pautar soluções e alternativas de reorganização econômica e social, com o foco maior nas pessoas, e menor nos patrimônios.

Eu sugiro a todas e todos nós tirarmos um tempinho para fazermos uma autoreflexão sobre como posturas pessoais poderão colaborar com este futuro que está sendo construído coletivamente agora. Precisamos apontar nossos esforços para estruturar esse novo imaginário. Este é um período de fazer um forte exercício de imaginação e projeção dos desejos coletivos.

Consigo pensar em algumas perguntas norteadoras, por exemplo: O que a gente quer pra gente? Como queremos viver a partir de agora, depois de experienciar a fragilidade dos sistemas liberais diante de desastres naturais que serão cada vez mais frequentes, levando em consideração a destruição do ecossistema planetário? Como fortalecemos nossas relação sem colocar foco em questões monetárias? Como criar relações saudáveis com a natureza, sem exploração do ambiente? Eu acredito que este é um exercício que vai na contramão do medo, do olhar da escassez e da competição. Em meio a tanto desespero, precisamos achar um espacinho para o otimismo.

Mas tudo o que eu coloquei até aqui parece bastante abstrato, eu sei. A colaboração não tem poder nenhum se fica só no campo das ideias, e o sistema de quarentena deixa tudo ainda mais difícil. Pois bem, então não deixe de forma alguma de seguir em contato com suas amizades e grupos. Siga trocando afeto! O afeto é absolutamente revolucionário e primordial pra gente seguir em pé. Depois, se estiver com força e disposição, articule! Tente debater problemas e soluções com suas conexões e, se fizer sentido, crie grupos de ação. Isso vai fazer com que você se sinta melhor, útil, e sem dúvidas, você estará contribuindo ativamente para a construção dessa, por enquanto nebulosa, nova ordem mundial.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Milo Araújo