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Mariana Belmont

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Parceria inédita com universidade propõe pesquisa sobre racismo ambiental

Justiça climática e racismo ambiental foram uma das pautas centrais da COP26, de 2021 - Felipe Werneck/Observatório do Clima
Justiça climática e racismo ambiental foram uma das pautas centrais da COP26, de 2021 Imagem: Felipe Werneck/Observatório do Clima

07/04/2022 11h28

No último sábado eu estive em mais um show do Emicida, e saí tão anestesiada que acordei pensando em escrever sobre isso. Essa colunista é fã assumida de tudo que o Emicida coloca no mundo. Com os dias corridos e precisando colocar no mundo um projeto novo, achei que seria bom usar essa inspiração das suas canções para contar a novidade que vou deixar para vocês aqui.

Desde que comecei a escrever sobre racismo ambiental, trazer referências e exemplos, a minha maior preocupação é não apontar nada sem profundidade, sem estudar e sem olhar para a realidade conectada com o que precisamos fazer para combater as desigualdades.

Para sair das caixinhas da história única, o Instituto de Referência Negra Peregum abriu essa semana inscrições para a primeira formação do "Curso de Enfrentamento às Mudanças Climáticas e ao Racismo Ambiental", que estará no ar de 6 a 17 de abril.

"É de extrema relevância pautar o racismo nas discussões sobre impactos ambientais e justiça climática, tendo em vista que a população negra, periférica e de comunidades tradicionais, em geral, é a mais afetada pela degradação progressiva do meio ambiente causada pela ganância e pelo modo de produção capitalista", afirma Izabela Santos, consultora ambiental do Instituto de Referência Negra Peregum.

A iniciativa inédita conta com a parceria da confluência IYALETA - Pesquisa, Ciência e Humanidades e com o Centro Integrado de Direitos Humanos, programa de extensão da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O Projeto vai selecionar dez estudantes negros e negras, de todo o território nacional, que comprovem ingresso nas universidades públicas pelas Ações Afirmativas, atualmente matriculados e matriculadas entre o 2º e o 6º semestre, e que não recebam qualquer bolsa, de nenhuma modalidade, seja de permanência ou fomento à pesquisa de caráter público ou privado.

"Com este trabalho, possibilitamos a ampliação de conhecimento acadêmico sobre os estudos e pesquisas que envolvam mudanças climáticas e racismo ambiental. Além disso, sabemos quanto é difícil para estudantes negros e negras permanecerem na universidade, algo que o projeto contribuirá com as bolsas para estudantes cotistas, negras e negros nos cursos de graduação", afirma Diosmar Filho, geógrafo, pesquisador da IYALETA - Pesquisa, Ciência e Humanidades, responsavel pelo projeto "Amazônia Legal Urbana - Análises Socioespaciais de Mudanças Climáticas"

"Estamos trazendo à tona esse assunto de forma pioneira ao convocar estudantes negros(as) a pesquisar e se engajar nessa causa tão essencial para as próximas décadas. Somos uma organização negra refletindo para que nossa população crie alternativas de vida e possibilidades de enfrentamento ao genocídio ambiental que se anuncia", conclui Vanessa Nascimento, diretora-executiva do Instituto de Referência Negra Peregum.

Um sonho no mundo!

Construído por muitas mãos e cabeças para que algo chegue muito bom na rua para se ampliar.

"A vida é uma dança cósmica, não pode ser reduzida a uma coreografia miserável de caixinhas. Se a nossa disposição com relação a esse objeto, esse equipamento-cidade, está paralisada há mais de 2 mil anos, precisamos ser capazes de fazer o gesto de furar os muros da cidade, de vazar os muros da cidade e convocar floresta para entrar, para atravessar os muros, para florescer na cidade - florescidade. É uma poética. É evocar uma poética da vida para arrebentar essas muralhas e fazer brotar de dentro essa pedra dura alguma flor", como apresenta nosso mestre Ailton Krenak.