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Mara Gama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Novo sistema modular e sem obra é opção de compostagem para empresas

Os cubos da composteira modular da Morada da Floresta, com sistema de drenagem do líquido que rega o material em decomposição, acelerando o processo - Divulgação
Os cubos da composteira modular da Morada da Floresta, com sistema de drenagem do líquido que rega o material em decomposição, acelerando o processo Imagem: Divulgação
Mara Gama

Mara Gama é jornalista e pós-graduada em Design. Trabalhou na MTV Brasil e foi repórter, consultora de texto e colunista de meio ambiente da Folha de S. Paulo. Fez parte da equipe que iniciou o UOL, onde foi diretora de qualidade de conteúdo e ombudsman. Atualmente é consultora de texto e estuda economia circular e sustentabilidade.

Colunista do UOL

25/09/2021 06h00

A ideia da compostagem está pegando nas empresas. Ela é impulsionada pela necessidade de metas e medidas mais sustentáveis e menos poluentes. Cresce o número de administradores que querem deixar de encaminhar para aterros sanitários os resíduos orgânicos de hotéis, refeitórios de indústrias, shoppings, escolas, clubes e condomínios.

"As empresas estão preocupadas com as questões da agenda 2030. Principalmente as unidades brasileiras das multinacionais que aderiram à ideia do aterro zero. O resíduo era o último tema a ser pensando quando se falava em sustentabilidade, mas agora essa questão bateu à porta", diz Cláudio Spínola, da empresa Morada da Floresta.

O investimento necessário para criar uma estrutura permanente, com modificação do local, obra civil, de treinamento e dedicação de pessoal para manutenção, no entanto, pode impedir a adoção da compostagem nesses locais.

Foi com essa ideia que a Morada, pioneira na produção de composteiras domésticas com minhocas no país, desenhou seu novo modelo, o HumiBox, sistema modular com compostagem termofílica para atender geradores de média e larga escala, ou seja, até 400 kg por dia.

Para empresas com até essa quantidade de resíduos diários, existem dois outros tipos de opções no mercado. Um deles é o de instalação de maquinário no local, com sistemas elétricos de secagem, que reduzem o volume dos resíduos, mas não geram composto de qualidade. Outro, mais comum, é o da coleta dos resíduos orgânicos para compostagem em pátios especializados, fora da empresa.

Diferentemente da vermicompostagem, o sistema usado na HumiBox é o da compostagem termofílica, que aceita maior variedade de resíduos orgânicos, como restos de carne, cítricos e alimentos cozidos. "Nesse sistema, as bactérias processam a matéria orgânica aumentando sua temperatura a mais de 60 graus, o que deixa o processo higienizado", diz Cláudio.

Os cubos da HumiBox são feitos de material reciclado, com sistema de drenagem e captação do adubo líquido. Segundo a empresa, que já tinha cilindros para esse tipo de processo, os cubos podem ser instalados em qualquer tipo de piso, o que evita obras estruturais. Por ser um sistema que coleta e recircula automaticamente o líquido que resulta do processo, chamado de percolado, não há necessidade de licenciamento ambiental para a sua instalação.

Cada cubo pode receber até 15 kg de resíduos orgânicos por dia e produz cerca de 150 kg de adubo por mês. Com 12 cubos, o espaço ocupado é o de um carro numa garagem e a capacidade é de receber cerca de 150 kg por dia.

A composteira tem um sistema de aquecimento movido à energia solar para drenar, coletar e reconduzir o adubo líquido que iria para o solo para umedecer a matéria orgânica em decomposição e acelerar a compostagem.

"Resolvemos desenvolver o sistema de 'compostagem as a service', com diagnóstico, instalação e depois suporte remoto, mentoria de gestão, estratégia de comunicação com os usuários, através de uma mensalidade. Podemos fornecer matéria seca triturada e ensacar o composto, ao final do processo", diz Cláudio. "O ideal é que a empresa comece a pensar em organizar uma horta após o início da compostagem, para usar o adubo", sugere.

A Morada da Floresta foi finalista do Empreendedor Social promovido pela Folha de S. Paulo. Realizado em parceria com a Fundação Schwab, o prêmio é o principal concurso de empreendedorismo socioambiental na América Latina.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL