PUBLICIDADE
Topo

Mara Gama

Prefeito e vereadores: vamos implantar coleta de orgânicos e compostagem!

Pátio de compostagem da Sé, no centro de São Paulo, em foto de 2019 - Divulgação
Pátio de compostagem da Sé, no centro de São Paulo, em foto de 2019 Imagem: Divulgação
Mara Gama

Mara Gama é jornalista e pós-graduada em Design. Trabalhou na MTV Brasil e foi repórter, consultora de texto e colunista de meio ambiente da Folha de S. Paulo. Fez parte da equipe que iniciou o UOL, onde foi diretora de qualidade de conteúdo e ombudsman. Atualmente é consultora de texto e estuda economia circular e sustentabilidade.

19/11/2020 04h00

Qualquer que seja o resultado das eleições, para combater as mudanças climáticas e tornar a cidade mais sustentável é fundamental parar de aterrar os resíduos orgânicos e sim tratá-los como recursos para a manutenção e ampliação do verde no espaço urbano e da agricultura que se desenvolve nas franjas da metrópole.

Usar o resíduo orgânico dessa forma pode promover uma cidade mais arborizada e uma agricultura urbana com menos adubação química — e, portanto, um solo com mais absorção de carbono —, menos geração de metano nos aterros sanitários e menos agrotóxico contaminando terra, água, ar e alimentos.

Todos esses ganhos valem por si mesmos, mas também pela geração de empregos que eles engendram e porque colaboram na redução das emissões de gases do efeito estufa, que causam o aquecimento global. Além disso há a economia de transporte e custos de aterro no orçamento municipal e um incentivo à economia verde.

Para que os orgânicos sejam usados e não aterrados é preciso, claro, separá-los do lixo comum. Para isso, tem de ser implantada a coleta em três frações — orgânicos, recicláveis e rejeitos — e conduzido um programa sério e extensivo de compostagem comunitária, doméstica, condominial e pública, de forma descentralizada.

A boa notícia — ao menos como promessa — é que os dois candidatos a prefeito que disputam o segundo turno em São Paulo, Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), assinaram um compromisso público com essa pauta, por meio do projeto "São Paulo Composta, Cultiva", manifesto que foi assinado também por mais de 50 entidades da sociedade civil.

Também são signatários dez dos 55 vereadores eleitos de São Paulo: Eduardo Suplicy (PT), Erika Hilton (PSOL), Silvia da Bancada Feminista (PSOL), Luana Alves (PSOL), Tripoli (PSDB), Juliana Cardoso (PT), Toninho Vespoli (PSOL), Aurélio Nomura (PSDB), Rodrigo Goulart (PSD) e Sandra Santana (PSDB).

Não quer dizer que entre os demais vereadores eleitos não haja simpatizantes dessa plataforma, mas, pelo menos uma parte da nova legislatura se comprometeu publicamente com o tema.

Vamos torcer para que o prefeito eleito honre esse compromisso.

Enquanto isso, verifiquei nos planos de governo dos dois candidatos que tópicos se relacionam com os resíduos orgânicos.

O programa de governo de Covas promete fazer de São Paulo a capital verde do país. Cita as metas do Acordo de Paris, a participação da cidade no C40, diz que nos próximos quatro anos as áreas verdes serão ampliadas, com a privatização de mais parques, haverá um plantio médio de 100 mil mudas/ano, e que ações vinculadas à Política Municipal de Mudança do Clima serão aperfeiçoadas e a aplicação da Política Municipal de Resíduos Sólidos será aprimorada. "Vamos expandir a coleta seletiva e aumentar os índices de reciclagem e compostagem, estimulando o trabalho das cooperativas de catadores e a consciência ambiental da população".

Do programa de Boulos, consta aprimorar o programa de compostagem de resíduos orgânicos para diminuir o uso de aterros, gerando adubo para as hortas, parques e praças da cidade, o incentivo à criação de hortas comunitárias, o fortalecimento dos movimentos sociais que produzem alimentos sem agrotóxicos e o fomento aos pequenos negócios com propostas ecológicas e de redução da geração de resíduos. O programa também se compromete a cumprir o plano de inserção de alimentos orgânicos na alimentação escolar, priorizar os alimentos provenientes da agricultura familiar, além de uma auditoria com transparência dos contratos de coleta de lixo.

Vamos acompanhar o desenrolar dos desenrolares.

**

Na coluna da semana passada, falei de forma muito superficial sobre o PMAU - Plano Municipal de Arborização Urbana, que define e detalha planejamento, implantação e manejo da arborização urbana e dá diretrizes ambientais para a gestão municipal. Ele foi finalizado recentemente e apresentado na última terça (17) pela engenheira agrônoma Fernanda Voltam, da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, em seminário online do Nutau, o Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura e do Urbanismo da USP.

O Plano de Arborização foi elaborado por um grupo de mais de 92 integrantes e 5 secretarias da prefeitura, além de oficinas e consulta pública. Ele traz um diagnóstico sobre a situação atual, onde consta o dado de que em 2019 foram enviadas 25 mil toneladas só de podas de árvores para os aterros sanitários, e um plano com 170 ações que devem ser iniciadas nos próximos cinco anos e que valem para os próximos 20 anos.

Nove dessas ações dizem respeito a resíduos, entre elas o aumento de pátios de compostagem, a recomendação de trituração e compostagem de podas nos próprios parques municipais e naturais da cidade, o uso do composto gerado na adubação de rua e a revisão de procedimentos e manuais para normatizar e obrigar a destinação correta. Segundo Fernanda, existe a meta de até 2030 a cidade zerar o depósito de corte de grama, árvores e restos de feira em aterros sanitários.

O plano, que é muito bem estruturado, pode ser acessado no site da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.