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Preso de novo, Ghosn classifica detenção como "degradante e arbitrária"

Kyodo/via REUTERS
Imagem: Kyodo/via REUTERS

Da EFE

Em Tóquio (Japão)

04/04/2019 09h58

Resumo da notícia

  • Nova prisão é pela acusação de transferência para uma operação em Omã
  • Ex-chefe da Renault e da Nissan está detido provisoriamente por 22 dias
  • Ghosn desabafou sobre a prisaão: "não conseguirão me quebrar"

O ex-presidente da Nissan Motor, o brasileiro Carlos Ghosn, qualificou hoje como "degradante e arbitrária" sua nova detenção, e insistiu em defender sua inocência em relação às acusações apresentadas contra ele pelo Ministério Público de Tóquio.

Ghosn, de 65 anos, foi detido hoje por uma nova acusação ligada a uma série de transferências a uma distribuidora de Omã que, segundo meios de comunicação japoneses, poderiam ter beneficiado pessoalmente o ex-presidente da Nissan Motor e da Renault.

"Minha detenção desta manhã é degradante e arbitrária", afirmou Ghosn em comunicado distribuído por seus porta-vozes. Segundo o brasileiro, trata-se "de outra tentativa de parte de alguns indivíduos da Nissan para me silenciar e confundir os promotores".

Ghosn foi detido pela primeira vez em 19 de novembro do ano passado e ficou em liberdade após pagar um fiança em 6 de março. Ainda assim, deve responder a três acusações formais formuladas contra ele, à qual se soma uma quarta que está sendo preparada pelo Ministério Público de Tóquio.

Por enquanto, o brasileiro é acusado de supostamente ocultar das autoridades uma série de compensações econômicas pactuadas com a Nissan desde 2009 e também de violar a confiança depositada pela empresa nele por uma série de pagamentos supostamente irregulares.

De acordo com a imprensa japonesa, a nova acusação está ligada a uma série de transferências da Nissan, ocorridas durante sete anos e que totalizaram US$ 34 milhões (R$ 127,6 milhões), a uma concessionária em Omã, operada por um amigo de Ghosn. A suspeita dos promotores é de que este valor tenha sido usado pelo brasileiro para comprar um iate e para cobrir empréstimos pessoais.

"Não conseguirão me quebrar. Sou inocente das acusações levantadas contra mim sem fundamento", acrescentou o poderoso ex-diretor da Nissan, da Renault e da Mitsubishi.

Por sua parte, em declarações aos jornalistas, o advogado que defende Ghosn, Junichiro Hironaka, também criticou esta detenção e assegurou que faz parte do "sistema judicial de reféns" que disse estar em vigência no Japão.

"Não entendo por que tiveram que detê-lo", comentou Hironaka.

Segundo o advogado, o Ministério Público de Tóquio tinha lhe notificado que em 31 de março lhe diriam se haveria novas acusações contra Ghosn e, quando consultou no dia seguinte, não lhe puderam confirmar que não haveria uma nova ordem de detenção.

Se forem mantidos os prazos aplicados anteriormente pelo Ministério Público de Tóquio, Ghosn poderia ficar detido provisoriamente até um máximo de 22 dias antes que seja divulgada a nova acusação formal contra ele.

Isso lhe impediria de falar com jornalistas na quinta-feira da próxima semana, como tinha anunciado nesta terça-feira.