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Mora nos Clássicos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Pendurando lâmpadas na Torre Eiffel, Citroën também inovou na publicidade

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Rodrigo Mora

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigomobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

Colunista do UOL

18/09/2021 04h00

(SÃO PAULO) - Poucas marcas têm uma história tão rica e exemplos de vanguardismo como a Citroën. Do Traction Avant ao DS, passando pelo SM e pelo 2CV, é incontestável a ousadia tecnológica da marca.

Há também os ralis e expedições, desde os primórdios de sua jornada, sempre quebrando recordes e desbravando o desconhecido. Se parece clichê, então como descrever um comboio de AX cruzando a China em 1988, naquela que ficou conhecida como Operação Dragão.

Publicidade Citroën 10HP 1919 - Divulgação - Divulgação
Publicidade Citroën 10HP 1919
Imagem: Divulgação

Outro setor em que a Citroën surpreendeu foi na publicidade.

Tudo começou com anúncios em preto e branco muito simples, produzidos logo após a invenção dos veículos motorizados. Se resumiam a descrever o modelo e elencar as vantagens em adotar a "carruagem sem cavalos".

Hoje soa estranho, mas na época propagar que determinado carro tinha 15 cavalos ou que podia alcançar os 50 km/h de máxima impressionava a elite, o único grupo de pessoas que podia comprar um automóvel.

Tão logo fundou-se, a Citroën já usou a publicidade como um dos principais recursos para divulgar e comercializar seus veículos. A estreia midiática foi com o Tipo A, no jornal L'Illustration, em 15 de fevereiro de 1919. Para ilustrar o veículo, não uma foto, mas sim um desenho. Preço: 7.250 francos. Nas peças seguintes, destaque para confiabilidade, economia e conforto.

Citroën Céu 1922 - Divulgação  - Divulgação
Nome da marca rabisca céu de Paris em 1922
Imagem: Divulgação

Até que André Citroën deu a primeira amostra do quão impactante e inovadora a publicidade da sua empresa seria. Em 1922, às vésperas da abertura da sétima edição do Paris Motor Show, os parisienses se depararam com um avião rabiscando, com fumaça, a palavra "Citroën" no céu - pela primeira vez usado como suporte publicitário. E esta nem seria a demonstração mais marcante da paixão do fundador da marca do duplo chevron.

Outro exemplo de publicidade genialmente simples foi espalhar pelas estradas francesas 150.000 placas de sinalização, alertando para perigos, indicando direções ou apontando locais turísticos do país.

Três anos depois do Paris Motor Show seria a Paris Expo o palco de mais uma demonstração da ousadia, da criatividade e da ambição de André Citroën. Importante evento para o avanço do movimento art déco, a exposição mexeu na cidade com uma iluminação temática nos pontos turísticos.

Citroën Eiffel - Divulgação  - Divulgação
Em 4 de julho de 1925, 250.000 lâmpadas desenharam o nome da marca na Torre Eiffel
Imagem: Divulgação

Nenhum brilhou tanto quanto a Torre Eiffel: na noite de 4 de julho de 1925, 250.000 lâmpadas, unidas por quase 600 quilômetros de fiação, foram acesas para incrustar o nome da marca, àquela altura com apenas seis anos de vida, no principal cartão-postal da França.

Durante nove anos, aquele "Citroën" com 210 metros de altura enfeitou a Torre Eiffel, indo parar no Guinness Book como o maior anúncio publicitário do mundo. Charles Lindbergh, primeiro homem a voar sobre o Atlântico, teria usado o enorme e iluminado letreiro para guiá-lo em direção ao Aeroporto Le Bourget, em 1927.